Do leitor

Títulos da dívida e capital externo
Por ironia do destino, a Medida Provisória nº 281, de 2005, que deu isenção de IR para aplicações de estrangeiros em títulos públicos, já aprovada na Câmara (sob a forma do Projeto de Lei de Conversão nº 11, de 2006), está na ordem do dia de hoje para ser aprovada no Senado, exatamente quando o Tesouro Nacional faz operação de recompra para permitir que os estrangeiros saiam com seu dinheiro sem maiores perdas. Que estória é essa de o governo, depois de dar isenção fiscal dizendo que isso levaria o País ao nirvana das aplicações de longo prazo a juros baixos e em real, fazer operação de recompra, porque “os estrangeiros estão com dificuldade de vender seus títulos”?

É sempre a mesma estória. Criam-se artificialismos para aumentar a rentabilidade dos aplicadores no período de bonança, justificando que tais artificialismos serão benéficos ao País pois reduzirão as chances de crises. Quando as crises que tais artificialismos supostamente iriam evitar acontecem, aí o governo recompra tudo de novo (mas ao par!). Ou seja, o investidor ganha na compra e ganha na venda.

Outro dia você falou na marcação a mercado do Luiz Fernando Figueiredo, o que talvez tenha sido a maior barbeiragem individual da história das finanças mundiais, incluindo o Período Cretáceo. Ali o mecanismo foi o mesmo. Tudo é flutuante. Tudo é “de mercado”. Quando começa a bater a desvalorização nos fundos, aí o governo recompra. O Tesouro perde na emissão, quando paga caro por alongar artificialmente, por não tributar (como no caso da MP 281) etc. e depois perde no resgate, quando, no momento do pânico, paga acima do valor “de mercado”, para livrar a cara dos administradores de portfólio.

Assessor Parlamentar, que pede para não divulgar o nome

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