Do Relatório de Inflação – Junho/2010(Publicado na Internet em 30/06/2010)

Do Relatório de Inflação – Junho/2010(Publicado na Internet em 30/06/2010)

http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/direita.asp?idioma=P&ano=2010&acaoAno=…

……..O “Relatório de Inflação” é publicado trimestralmente pelo Banco Central do Brasil e tem o objetivo de avaliar o desempenho do regime de metas para a inflação e delinear cenário prospectivo sobre o comportamento dos preços, explicitando as condições das economias nacional e internacional que orientaram as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) em relação à condução da política monetária……..

1.Nível de atividade
…….Produção industrial
……..A perspectiva de continuidade da expansão industrial é corroborada pela evolução das pesquisas de sentimento dos empresários.

O Índice de Confiança do Empresário Industrial1 (Icei), divulgado pela CNI, atingiun 66,3 pontos em maio, ante 67,8 pontos em fevereiro, com os componentes que avaliam a situação atual e as expectativas para os próximos seis meses situando-se, na ordem, em 61 e em 69,1 pontos.

O Índice de Confiança da Indústria2 (ICI), da FGV, registrou aumento trimestral de 0,3 p.p. e atingiu 116,1 pontos, reflexo dos aumentos assinalados nos componentes percepção do empresariado quanto ao nível de demanda, 8,5 pontos, e situação atual dos negócios, 8,4 pontos, em parte contrabalançados pelo recuo de 5,3 pontos no relacionado às expectativas.

Por categorias de uso, ressalte-se o aumento trimestral de 18,6 pontos observado noindicador relacionado ao segmento material de construção…….

…..1.6     Conclusão
A economia se encontra em novo ciclo de expansão, conforme indicam as contas nacionais relativas ao primeiro trimestre de 2010, resultado relevante em termos quantitativos – o PIB trimestral cresceu 9% em relação a igual período do ano anterior – e, especialmente, em termos qualitativos, tendo em vista a contribuição expressiva dos
investimentos.

A demanda interna permanece como elemento propulsor do ritmo de crescimento econômico, com ênfase na recuperação dos investimentos, o que ratifica o cenário de sustentabilidade, a médio prazo, da expansão da economia.

Essa perspectiva ganha respaldo adicional na evolução dos indicadores de confiança de empresários e consumidores; das condições do mercado de crédito, que registra aumento no volume dos empréstimos e retrações nas taxas de juros, nos spreads e na inadimplência; e do mercado de trabalho, expressa em ganhos salariais reais e aumento da taxa de formalização do emprego.

 O consumo das famílias deverá seguir impulsionado pela disposição dos trabalhadores em comprometer renda futura, em cenário de confiança elevada e disponibilidade de crédito, enquanto a retomada dos investimentos, evidenciando a expectativa favorável dos empresários, o aumento da utilização da capacidade instalada e o comportamento do setor de construção, tende a se consolidar.

As perspectivas favoráveis quanto à evolução da atividade econômica nos próximos trimestres devem incorporar, entretanto, o impacto negativo do efeito da antecipação de compras registrado no primeiro trimestre do ano, em resposta ao final da desoneração fiscal nos segmentos de automóveis e de outros bens duráveis, ocorrido nos primeiros meses do segundo trimestre…….

…….6. Perspectivas para a inflação
Este capítulo do “Relatório de Inflação” apresenta a avaliação feita pelo Copom sobre o comportamento da economia brasileira e do cenário internacional desde a divulgação do último Relatório, em março de 2010.

O capítulotambém apresenta análise das perspectivas para a inflação até o segundo trimestre de 2012 e para o crescimento do PIB até o final de 2010. As projeções para a inflação são apresentadas em dois cenários principais.

O primeiro, denominado cenário de referência, supõe que a taxa Selic será mantida inalterada durante o horizonte de previsão, em 10,25% a.a., valor decidido pelo Copom em sua última reunião, em 8 e 9 de junho, e que a taxa de câmbio permanecerá em R$1,80/US$.

O segundo cenário, denominado cenário de mercado, utiliza as trajetórias para a taxa Selic e para a taxa de câmbio que constam da pesquisa realizada pela Gerin do Banco Central com analistas independentes. É importante ressaltar que esses cenários servem apenas para balizar as decisões de política monetária, e suas hipóteses não constituem e nem devem ser vistas como previsões do Copom sobre o comportamento futuro das taxas de juros e de câmbio.

Deve-se observar que as previsões aqui divulgadas utilizam o conjunto de informações disponível até a data de corte de 18 de junho de 2010.

As projeções de inflação e de crescimento do PIB divulgadas neste Relatório não são pontuais. Elas explicitam intervalos de probabilidade que ressaltam o grau de incerteza presente até a supracitada data de corte. As previsões de inflação dependem não apenas das hipóteses sobre taxas de juros e de câmbio, mas também de um conjunto de pressupostos sobre o comportamento de variáveis exógenas. O conjunto de hipóteses considerado mais provável pelo Copom é utilizado para construir os cenários a que o Comitê atribui maior peso na tomada de decisão sobre a taxa de juros. Ao expô-las, o Copom procura dar maior transparência às decisões de política monetária, contribuindo para sua eficácia no controle da inflação, que é seu objetivo precípuo…….

6.1 Determinantes da Inflação
……Pela ótica da demanda, o PIB – descontada a variação de estoque de -1,2 p.p. – cresceu 7,7% no primeiro trimestre de 2010 em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, com o setor externo contribuindo negativamente com 2,9 p.p.

O indicador de estoques da Sondagem Conjuntural da FGV, que havia recuado para 78,9 em janeiro de 2009, o menor nível desde agosto de 2003, vem subindo de maneira consistente desde então. Em abril e
maio o indicador atingiu, respectivamente, 101,3 e 100,5, segundo dados dessazonalizados, mostrando que o processo de ajuste do nível de estoques na indústria de transformação terminou.

De fato, a recomposição de estoques tem contribuído para a retomada consistente do nível de atividade.

Para os próximos trimestres, o Copom avalia que a produção industrial deve continuar crescendo de maneira robusta, com reflexos positivos sobre oemprego e o nível de renda………..

…….6.2 Cenário principal: riscos associados e implementação da política monetária
…O cenário central no âmbito externo contempla a continuidade da recuperação mundial em 2010, embora as incertezas que o cercam hajam se avolumado desde o último Relatório.

Admite-se que a economia do G3 (Estados Unidos, Europa e Japão) retoma certo dinamismo, com crescimento desigual entre as regiões, mas que esse processo de recuperação global continuaria sendo liderado pelas economias emergentes.

A economia americana acumula sinais de recuperação, com evidências de retomada moderada da atividade, como pode ser visto, por exemplo, no término do processo de recomposição de estoques, com reflexos positivos na atividade industrial e nas vendas no varejo, embora os indicadores dessa economia de um modo geral mostrem-se voláteis e, com certa frequência, com sinais divergentes. Os níveis de confiança dos consumidores, apesar de se encontrarem em patamares bem inferiores aos vigentes antes da crise de 2008, também avançaram e o mercado de trabalho começa a mostrar algum momentum.

A economia japonesa segue em lenta recuperação, liderada pelas exportações direcionadas principalmente ao leste asiático, e ainda não apresentou sinais de dinamismo na demanda doméstica. Na Área do Euro, os desenvolvimentos na área fiscal tornam a recuperação marcadamente incerta e o consumo das famílias não mostra sinais consistentes de reação, mas é plausível afirmar que a retomada econômica nessa região tende a ser mais lenta e desigual entre os países, como de resto evidenciam alguns indicadores da indústria e de serviços.

Em suma, desde o último Relatório, aumentou a incerteza quanto à sustentabilidade e ao ritmo da expansão nas economias avançadas, principalmente na Europa, em cenário em que medidas de estímulos são interrompidas, ou até mesmo substituídas por medidas contracionistas, e em que são bastante modestas as perspectivas para a expansão do crédito. Por outro lado, em diversas economias emergentes, a atividade econômica se encontra em rota de expansão, em certos casos, com evidências de aquecimento em mercados de bens, serviços, fatores de produção e de ativos e, por conseguinte, já há preocupação com a dinâmica da inflação. Nesse contexto, após período de flexibilização agressiva, a política monetária segue inalterada em diversas economias, mas, nas que foram menos afetadas pela crise internacional e se recuperaram mais rápida e intensamente, a adoção de política monetária restritivas já teve início.

……O principal fator de risco doméstico, como destacado no início desta seção, está relacionado ao virtual esgotamento da capacidade ociosa da economia em combinação com o descompasso entre o crescimento da absorção doméstica e a capacidade de expansão da oferta.

Como ressaltado em Relatórios anteriores, a crescente utilização dos fatores de produção – seja do estoque de capital, seja da força de trabalho – vinha ocorrendo em contexto de inflação corrente para o acumulado em doze meses ao redor da meta. Dessa forma, mesmo pressões de preços pontuais e sazonais poderiam se traduzir em valores mais elevados para a inflação e em um cenário menos benigno. De fato, desde o primeiro trimestre deste ano, a inflação corrente e as projeções de inflação para 2010 se apresentam bem acima da meta, mas com um quadro menos desafiador para 2011. É fato que a retração da atividade econômica do último trimestre de 2008 e do primeiro de 2009, e a consequente interrupção abrupta do ciclo de aceleração do crescimento da economia, conduziu a um arrefecimento da dinâmica inflacionária. Entretanto, em que pese a magnitude da retração – de resto mitigada pelas políticas governamentais, sejam as de reação à crise, sejam as construídas em anos anteriores – a presença de mecanismos de resistência à queda da inflação no Brasil contribuiu para que o espaço para posturas acomodatícias fosse bastante limitado.

Cumpre lembrar que existem efeitos defasados dos impulsos fiscais e creditícios implementados em 2009 e no início de 2010 que ainda não se materializaram completamente.  

Seria natural esperar, portanto, que, no contexto atual, de virtual esgotamento dos fatores e de demanda crescente, se observassem aumentos de preços mais difundidos.…….

…..No curto prazo, porém, persiste um quadro em que as condições de oferta não atendem, sem pressões adicionais sobre os preços ao consumidor, o robusto crescimento da demanda.

O elevado crescimento das importações em dois trimestres seguidos – 13,3% e 13,1% no último trimestre de 2009 e no primeiro trimestre de 2010, respectivamente, na comparação com o trimestre anterior (ajustado sazonalmente), acrescido do forte aumento do quantum em abril de 2010 – corrobora a visão de forte ritmo de expansão da demanda agregada.

As exportações, por sua vez, têm mostrado pouco dinamismo, principalmente em .termos de quantum, refletindo o modesto crescimento da economia global, principalmente no caso dos países desenvolvidos.

Entretanto, o quadro é mais favorável no que se refere aos preços das exportações, com destaque para os preços de produtos básicos e semimanufaturados.

A evolução do setor externo tende a permanecer em grande parte condicionada à necessidade de suprir o hiato de recursos produzido pelo acentuado crescimento da demanda interna….

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