Economia e Desregramento

Na entrevista às páginas amarelas de Veja (clique aqui) a economista Eliana Cardoso refaz de uma maneira polêmica a história de que países sem problemas naturais são propensos ao acomodamento. É a versão pós-moderna da hipótese de que foi abundância de bananas e mandioca que impediu o brasileiro de ir à luta.

Diz ela:

Eliana – (…) Países sem recursos naturais tiveram de fortalecer e aprimorar suas instituições como única saída para vencer as dificuldades. Por outro lado, os países com recursos abundantes acomodaram-se, satisfeitos com o que a natureza lhes deu, e não viram vantagem em investir em educação, produção de conhecimento ou na construção de instituições fortes. Como resultado, seus governos se tornaram vítimas da ganância, da cobiça e da corrupção. A tendência de a abundância de riquezas naturais enfraquecer as instituições e solapar o desenvolvimento sustentado das nações é tão presente na história recente do mundo que é quase uma maldição.

Ora, a China é rica em recursos naturais, assim como o Canadá, a Austrália, os Estados Unidos. E será possível relacionar muitos países sem recursos naturais e sem desenvolvimento. Como estabelecer essa relação mecanicista, então? A professora mistura o senso comum (o de que pessoas que nunca passaram por desafios não podem vencer na vida) com a história de países.

Prossegue ela:

Eliana – Quando o preço dos recursos naturais sobe, o fundo acumula recursos, mas eles não afetam o câmbio porque o dinheiro não é gasto. Quando o preço cai, os recursos são usados para contrabalançar as perdas. Mas isso só funciona em países onde há instituições de qualidade, como na Noruega, onde existe um fundo de petróleo, ou no Chile, que também tem seu fundo estabilizador para as exportações de cobre. Em nações onde as instituições são fracas, nem esse fundo adianta.

Olha a confusão. Lá em cima a razão para se ter instituições fracas era a abundância de recursos naturais. Aqui embaixo, diz que os países que têm instituições de qualidade, podem ter abundância de recursos naturais, sem que isso seja problema. Ou seja, na segunda resposta atropelou a relação de causalidade que apresentou na primeira resposta.

Veja a análise dela sobre o Brasil atual:

Eliana -Quando um governo emprega mal o dinheiro obtido com recursos naturais ou com a carga tributária, ele deixa de cumprir o papel que lhe cabe e distorce o funcionamento da economia. O efeito desastroso para o crescimento é o mesmo. O Brasil, é inegável, tem instituições, como o Banco Central, que são eficientes e têm cumprido seu papel. As universidades também têm contribuído com a sociedade formando técnicos competentes. Mas essas são condições insuficientes para mudar o país e levá-lo a um patamar superior de crescimento econômico.

Ué, e se o governo empregasse mal o dinheiro proveniente de produtos industrializados? O problema é empregar mal o dinheiro, não o fato de ser proveniente de recursos naturais.

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