Em documento, órgão estratégico do Exército diz que Estado será protagonista na recuperação da economia

Entre as medidas de auxílio econômico, alto órgão de inteligência fala em estabilidade social, com programas como Bolsa Família, e manutenção de empregos

Foto: Divulgação

Jornal GGN – Um setor de inteligência do Exército, o Centro de Estudos Estratégicos do Estado-Maior (CEEEx), emitiu um documento em que traça o avanço do coronavírus no país, as últimas informações do meio científico e os impactos desta pandemia na economia global. Neste último, o alto órgão estratégico prevê um “novo ordenamento do papel dos Estados na economia” e conclui que “será o Estado o grande protagonista dos processos de auxílio e de recuperação econômica”.

O documento de 21 páginas foi produzido após o presidente Jair Bolsonaro sair à público para defender o fim do isolamento social. Ao traçar o que vem sendo feito no mundo contra a pandemia, são destacados “o amplo esforço de testagem da população” e as quarentenas. “Observa-se que, ainda que considerando os aspectos culturais e a qualidade dos sistemas de saúde, de maneira geral, os países destacados fazem uso maciço de testes rápidos e empregam a tecnologia para acompanhar os indivíduos e dosa a intensidade das medidas restritivas.”

O estudo ainda prevê que o mês de junho, em pleno início do inverno brasileiro, será o marco “para a necessidade de uma atenção especial para a região centro-sul do país” e que as práticas para evitar a propagação do vírus devem ser focalizadas, a nível municipal.

Ao elencar os impactos econômicos, o Centro de Estudos Estratégicos do Estado-Maior afirmou que o objetivo principal hoje é “resguardar vidas” e que “as economias dos países em desenvolvimento sofrerão de forma mais intensa, com graves reflexos no campo social e um provável aumento da dependência econômica Sul-Norte”.

E as previsões não foram encorajadores: “De maneira geral, espera-se uma alta no desemprego em diversos países, com tendência de difícil recuperação, além de uma redução do fluxo de investimentos, com reflexos para a retomada do crescimento mundial”.

Por outro lado, o estudo acredita que os impactos do novo coronavírus na economia significarão “uma reconfiguração do comércio mundial, com retração continuada nos preços das commodities e incertezas quanto ao ambiente de conflitividade comercial pós-crise. Apesar de incerta, pode ocorrer uma retomada da importância da atuação dos mecanismos econômicos multilaterais para a concertação pós-crise (OMC, OIT, FMI, etc)”.

Ainda, sem explicitar qual caminho deve ser adotado pelo Brasil, o setor estratégico do Exército acredita que “haverá incertezas quanto aos rumos políticos aplicados à economia (abertura x protecionismo), além dos rumos da atual interdependência econômica”, mas não titubeia ao mencionar “provável novo ordenamento do papel dos Estados na economia”.

Especificamente para o Brasil, o órgão diz esperar “redução da produção industrial, com impactos imediatos para setores específicos e possível espraiamento para a cadeira de pequenos fornecedores das grandes empresas”. Diante do lockdown, que são as paralisações da atividade econômica, negócios e serviços com o confinamento, o estudo fala na “probabilidade de colapso econômico”.

Entre as conclusões, o documento destaca diretamente o papel de proteção do Estado entre as medidas econômicas: “No contexto de fragilidade econômica ora emergente, é possível identificar a relevância do papel do Estado na mitigação dos efeitos negativos da crise, bem como a centralidade da sua atuação como indutor e protagonista do grande processo de recuperação que, inevitavelmente, terá que ocorrer”.

Nessa linha, caracteriza como “fundamentais e urgentes” a manutenção dos programas sociais, como Bolsa Família e auxílio a microempreendedores e agricultura familiar.

E continua: “Ações centradas no socorro financeiro às parcelas mais vulneráveis da sua população são prioritárias, pois fazem parte do ‘contrato social’. Os segmentos da economia mais afetados merecem destaque no planejamento nacional. As ações devem priorizar práticas com maior impacto para a manutenção de empregos, assim como para a recuperação da capacidade produtiva dos setores estratégicos, visando a estabilidade econômica e social do país”.

Leia o documento completo:

Crise COVID-19 - estratégias de transição para a normalidade

 

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora