Energia ficará mais cara, as térmicas serão mais usadas e o Brasil perderá capacidade de intervir, diz Dilma à TVGGN

A ex-presidenta da República concedeu entrevista sobre o tema ao jornalista Luis Nassif nesta sexta-feira, 18. Assista

Jornal GGN – A ex-presidente da República e ex-ministra de Minas e Energia Dilma Rousseff denunciou à TVGGN, na sexta-feira, 19, o retrocesso e os danos que serão causador ao povo brasileiro caso o Congresso aprove o Projeto de Lei de Conversão (PLV) 7/2021, proveniente da MP 1.031/2021, que viabiliza a privatização da Eletrobras.

O PL foi aprovado nesta semana pelo Senado Federal e retornou à Câmara dos Deputados, que o votará, novamente, até terça-feira, 22, quando se esgotará o prazo e o texto perderá sua validade

Em entrevista a Luis Nassif e Jorge Furtado, Dilma destacou três pontos “extremamente danosos” nas movimentações do governo Bolsonaro quanto à questão energética. Segundo ela, a energia elétrica ficará mais cara para o consumidor final, e a sociedade pagará pela construção do sistema hidrelétrico pela terceira vez em 60 anos. Além disso, as termelétricas serão acionadas com muito mais frequência, e não mais apenas quando as hidrelétricas estiverem com baixa capacidade de produção devido aos fatores naturais. Além disso, sem a Eletrobras e a inteligência construída em torno dela para operar o sistema energético, o governo federal perderá capacidade de intervenção na produção de energia no País.

“Tiraram do povo brasileiro, dos consumidores e também das empresas, uma energia barata e vão tornar a matriz elétrica brasileira térmica, esses são os fatores mais graves. Mas um terceiro fator é que nós perderemos o elemento principal de operação intervenção na produção de energia elétrica no país”, explicou.  

Os entusiastas da privatização da Eletrobras alegam que a proposta é uma boa opção porque permite sua capitalização, mas Dilma levantou questionamentos sobre esse ponto. “Capitalizar a Eletrobras é algo estranho porque nenhum investidor vai pegar o lucro que obter na Eletrobras para investir [de volta], ele vai querer tomar crédito no mercado, ora, se não tiver crédito de longo prazo, quem pode fazer esse investimento?”, questionou. 

“O investimento em energia elétrica tem um prazo de maturação de 30 anos no país. Toda lógica atual, de maioria neoliberal, implica numa visão de curto prazo de retorno de rentabilidade. Acontece que nenhum investidor irá investir o capital próprio, em tese, ele toma crédito do mercado e o sistema financeiro privado brasileiro não financiaria esses 30 anos. Sendo assim, quem era o único financiador de 30 anos: o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”, analisou, destacando a importância do Banco. 

Sobre a proposta, o Senado ainda incluiu no texto alguns pontos alarmantes, como o que permite a construção de novas termelétricas movidas a gás e a carvão mineral, um combustível fóssil altamente poluente, e que será usado mesmo quando as hidrelétricas estiverem operando a todo vapor, fato também apontando pela ex-presidente. 

Assista a entrevista íntegra ao jornalista Luis Nassif:

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