Nova demanda por derivados de petróleo no mundo e as implicações para o parque de refino

do Blog Infopetro

De acordo com as projeções da Agência Internacional de Energia[1] e do Departamento de Energia Norte-Americano[2], para o cenário de referência[3], o preço do petróleo no mercado internacional deve seguir uma trajetória ascendente até 2030. Essa tendência de alta do preço do petróleo, assim como a perspectiva de legislações ambientais mais rigorosas, a existência de fontes alternativas e o desenvolvimento de novas tecnologias que aumentem a eficiência energética tendem a reduzir a demanda por derivados de petróleo, em especial a gasolina.

 

Segundo o IFP (2009), deve haver, no médio prazo, uma reorganização do segmento de refino nos países da OCDE, mais especificamente, na Europa e nos Estados Unidos. Estes países teriam de decidir ou pela redução da capacidade de refino ou pelo investimento em tecnologias que permitam a produção de derivados mais eficientes e dentro das especificações ambientais[4]

Com relação à Europa, o desafio consiste em lidar com uma oferta crescente de gasolina e com uma demanda decrescente. Além disso, o consumo de diesel nos países europeus segue uma trajetória ascendente. Dentro deste contexto, o excesso de gasolina no mercado é vendido aos Estados Unidos. Contudo, dado que a demanda por gasolina neste país também está numa tendência de queda, é preciso ou identificar novos mercados importadores ou reduzir a produção. Posto isso, acredita-se, inicialmente, que haveria uma disputa por mercados de gasolina na Ásia, no Oriente Médio e na África, uma vez que a demanda nestes países deve permanecer em alta devido, não só ao aumento da renda per capita, mais também à manutenção de políticas de subsídio. Cabe mencionar ainda que a demanda por diesel na Europa deve permanecer alta, sendo necessário ou aumentar as importações da Rússia e do Oriente Médio ou investir em unidades de refinamento mais complexas (hydrocraking units).

Como exemplo da nova dinâmica comercial, pode-se citar a relação entre a Arábia Saudita e a China. As estratégias comerciais entre os dois países, baseadas em interesses cruzados, consiste na importação chinesa de petróleo da Arábia Saudita e em investimentos, por parte das empresas da Arábia Saudita, em refinarias e petroquímicas na China. Tal configuração comercial, porém, dificulta a entrada de novos parceiros comerciais como, por exemplo, a Europa.

No entanto, sendo a energia, e não o petróleo, o objetivo central dos países, tem-se que o rápido avanço tecnológico e as pressões por políticas ambientais mais rígidas podem alterar a rota tecnológica a ser adotada, mesmo nos países com forte consumo de gasolina hoje como, por exemplo, a China. Sendo assim, as exportações de gasolina dos Estados Unidos, do Canadá e da União Européia dependerão das políticas adotadas naqueles países. Uma possível mudança no direcionamento da política energética pode ocorrer na China por exemplo. Segundo a BP (2010), a China possui uma das maiores reservas provadas[5] de carvão do mundo com, aproximadamente, 114 milhões de toneladas em 2009. Assim, dada a enorme disponibilidade de carvão no país, políticas públicas direcionadas à geração de energia elétrica, via termelétricas, e incentivos ao carro elétrico podem ser implementadas. Certamente, tal política, caso adotada, contribuiria significativamente para a redução da dependência chinesa em relação às importações de petróleo e derivados.

Além disso, os países da Ásia, da África e do Oriente Médio podem optar por aumentar suas capacidades de refino. Neste caso, as margens, assim como a taxa de utilização das refinarias nos países da OCDE devem diminuir. A implementação de novas refinarias, ou a modernização de unidades de refino existentes, no entanto, depende da legislação ambiental de cada país.

Outro ponto importante a ser destacado refere-se à mudança no perfil de consumo dos derivados do petróleo. Além da demanda por produtos de maior eficiência e menos poluentes, há uma queda na demanda por derivados como gasolina e Jet fuel. Por outro lado, a consumo de destilados médio, como o diesel, deve aumentar significativamente nos próximos anos de acordo com a OPEP (2009). Neste contexto, as refinarias devem se adaptar, introduzindo novas tecnologias de processamento de petróleo, de forma a produzirem menos gasolina e nafta e mais destilados. Vale mencionar que os preços do carvão e do gás natural devem também influenciar a trajetória das refinarias com relação ao processo tecnológico a ser introduzido.

Esta nova dinâmica no mercado de derivados de petróleo, em especial a menor demanda esperada por gasolina e a introdução de novas tecnologias, tem contribuído para a redução da diferença entre os preços do petróleo leve e do pesado no mercado internacional. Contudo, diversos outros fatores podem influenciar o diferencial de preços como, por exemplo, um aumento da demanda por asfalto e uma diminuição da produção da OPEP de petróleo pesado. Tais fatores, entretanto, representam mudança de curto prazo no mercado, diferentemente da tendência de queda do consumo de gasolina e das inovações tecnológicas que representam mudanças estruturais de longo prazo. Sendo assim, apesar da volatilidade, característica da diferença entre os preços do petróleo, permanecer, acredita-se que o diferencial seja, de fato, menor nos próximos anos. Como resultado, as margens das refinarias mais complexas, que investiram inicialmente em processos de transformação de petróleo pesado em produtos finais de maior qualidade, é reduzida. (…) continua no Blog Infopetro.

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