O cenário de energia para 2019

Coluna Econômica – 11/06/2010

Está em consulta pública na Empresa de Planejamento Energético (EPE) o cenário energético brasileiro para os próximos dez anos.

É um trabalho portentoso, em que foram envolvidos diversos setores da área privada e pública, checados investimentos na economia, no setor energético, visando estimar as necessidades do país até 2019.

O trabalho começou a partir de um cenário inicial traçado. Segundo Maurício Tomalsquim, presidente da EPE, o crescimento populacional foi um dos fatores que se alterou radicamente no Brasil. Na década de 70 era de 3,5% ao ano. Hoje em dia, menos de 1%.

Mesmo assim, nos próximos dez anos serão mais 14 milhões de brasileiros, uma população do tamanho do Chile.

Nesse novo cenário, observou-se a retomada de setores industriais intensivos em energia – o que não ocorreu nos últimos vinte anos. Apenas a indústria siderúrgica deverá crescer cerca de 10% ao em termos fíciso – projeção feita conversando com associações do setor e analisando os projetos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

Outros setores, como o de ferro-ligas, também devem experimentar crescimentos significativos.

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Parte da demanda será atendida por ações de eficiência energética. Até 2019 calcula-se que essas economias representarão o equivalente a uma hidrelética de

Outro setor, ferros-ligas.

Uma parte da demanda atendida por ações de eficiência energética: até 2019. Economia de 23 terabytes hora: hidrelétrica equivalente a 5 mil MWh.

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Mesmo assim, espera-se um crescimento do consumo natural em economias emergentes. O Brasil ainda tem um consumo baixo de eletricidade per capita. Para atingir níveis razoáveis, estima-se um crescimento de 5,1% ao ano, até chegar a uma demanda de 3.300 mw per capital ao ano.

Nesse ritmo, daqui a dez anos o país chegará ao mesmo nível de consumo per capita do Chile de hoje, um pouco mais que a Argentina de hoje e muito distante ainda dos países desenvolvidos. Atualmente, o consumo per capita é de 2.300 kw/habitante contra 14 mil kw dos Estados Unidos.

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Em termos de oferta, a prioridade serão as fontes renováveis. Estima-se que as fontes alternativas permitam um acréscimo de 14.600 mw nos próximos dez anos. 36% serão atendidas por energia eólica, 36% doi biomassa e 27% por PCHs (pequenas centrais hidrelétricas).

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O importante é que a parte mais relevante já está sendo contratada e entrando em operações até 2012. Em agosto haverá um leilão para contratar fontes alternativas de energia para 2013.

A meta será não mais contratar termoelétricas a partir de 2014, por razões ambientais. Entre 2010 e 2013 haverá a contratação de 12 mil mw, um pouco acima do que se pensava inicialmente devido às dificuldades para licenças ambientais de hirodelétricas.

Nesse período, deverão entrar 35.245 mw de novas hídricas. 60% desse valor já contratado, em construção ou em vias de entrar em construção. Espera-se que Belo Monte comece a ser construída este ano enquanto Girau e Santo Antonio entrarão em operação um ano antes do prazo inicial firmado.

As usinas do Tapajós

Das hidro que serão licitadas, têm-se ainda as usinas do Bacia do Teles Pires e do Parnaíba. As usinas do Tapajós deverão ser licitadas no ano que verm, acrescentando 6 mil mw e sendo construída dentro do conceito de «usina plataforma» – isto é, com um mínimo de intervenção possível no seu entorno, para não afetar o meio ambiente e as populações nativas. Haverá pouco alojamento que, depois, será destruído

Os próximos quatro anos

Até agora o Brasil só utilizou um terço do potenciasl hídrico. Juntando as demais fontes energéticas, em dez anos serão 63 mil mw de energia adicional, mais de 6 mil mw por ano, um enorme desafio. O ponto tranquilo é que 63% desse total já foram contratados, estando ou em construção ou em vias de ser construído. Mais que isso: as necessidades dos próximos quatro anos estão totalmente equacionadas.

A energia excedente

Em 2014 o país disporá de uma energia excedente correspondente quase um ano e meio de folga. Ou, em outro ângulo, permitindo crescer a 7 ou 7,5% ao ano. E ainda sem contar com o potencial do petróleo. Hoje em dia a produção brasileira é de 2 milhões de bpd (barris de petróleo dia). Em dez anos, passará a 5,1 milhões de bpd. Em 2019 no mínimo 50% serão do pré-sal.

O pré-sal

É um cálculo bastante conservador, levando em conta apenas os primeiros campos das áreas concedidas, com os dados já medidos, sem considerar a parte da União. Além disso haverá uma expansão da oferta de gás dos 49 milhões de m3/dia atuais para 116 milhões, mais os 30 milhões de m3 da Bolívia e 21 milhões de gás liquefeito de petróleo. Juntando as novas refinarias, muda o panorama do petróleo no país.

Exportadores de derivados

Hoje em dia o Brasil é importador líquido de derivados de petróleo. A partir de 2014, será exportador líquido. Com as refinarias do Maranhão, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro, dos 5 milhões de bpd, 2 milhões serão exportados. Ou seja, o equivalente ao consumo total atual, o que colocará o país como ator importante no cenário do petróleo internacional.

O etanol

Além disso, haverá uma sensível redução no consumo de gasolina, substituída pelo etanol. Atualmente, 93% dos carros novos s flex-fuel. A frota de autoveículos flex passará de 27% para 78% do total em dez anos. Desses, cerca de 70% dos donos de carro flex preferem etanol, por ser mais barato. Com isso, o mercado doméstico de etanol sairá de 23 bilhões para 73 bilhões de litros/ano no período.

Os investimentos

Estimam-se investimentos de 950 bilhões de reais em 10 anos, 672 bilhões para petróleo e gás, 62 bilhões para biocombustíveis e 214 bilhões para hidreletricidade. E aí o desafio será rebaixar as tarifas. No caso da energia elétrica, o imposto é um componente expressivo, especialmente o ICMS. Terá que ocorrer alguma alteração, dentro da reforma fiscal. Mas deverão cair algumas contribuições atuais. 

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