Entendendo o desempenho do PIB

Do Último Segundo
Coluna Econômica 12/03/2010

Finalmente saíram os dados do PIB (Produto Interno Bruto) de 2009, para se avaliar de que tamanho foi a marola que pegou o país. No ano, o PIB variou -0,2%. Até o terceiro trimestre de 2009, a queda anual havia sido de 1%. Acabou se recuperando no quarto trimestre.

O que salvou o PIB foi o setor de serviços.

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Mas aí é importante entender a lógica desses movimentos cíclicos.

A economia mundial estava correndo a plena velocidade. Quando isto ocorre, aumentam os estoques de maneira generalizada. Aliás, com o aquecimento, além dos estoques para o giro normal das empresas, houve a formação de estoques especulativos.

Quando ocorre o breque, somam-se dois efeitos. Primeiro, cai o ritmo de vendas. Essa queda passa a exigir estoques menores. As empresas precisam, então, queimar os estoques até chegar no novo nível.

Acontece que, com queda ocorre um movimento pessimista que faz com que se queime muito mais estoque do que o necessário. Nessa fase, cai bruscamente a produção da indústria, até que os estoques sejam queimado.

No momento seguinte, percebe-se que se queimou mais estoques que o necessário. Aí recomeçam as compras que dão um impulso adicional nas indústrias, até que se chegue ao nível natural de estoques.’ Passado esse salto inicial, a atividade econômica se adapta ao novo ritmo de crescimento.

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A partir dessa análise de estoques, é possível avaliar o desempenho de cada setor.

A agropecuária caiu 5,2%, puxada por quedas expressivas no trigo (-16%), milho (-13,5%), café (-12,8%) e soja (-4,8%).

Na indústria a queda foi de 5,5% e afetou praticamente todos os setores, indústria de transformação (-7,0%), construção civil (-6,3%), e eletricidade e gás, água, esgoto e limpeza urbana (-2,4%). Mais, aqueles setores que dependem de estoques e financiamentos de longo prazo.

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A extrativa mineral foi a mais volátil. Enquanto a produção de petróleo cresceu 5,7%, a extrativa mineral despencou 22,3%, fundamentalmente em função da redução das compras chinesas e da queda da atividade industrial interna.

Quem segurou a peteca foi o setor de serviços, especialmente a intermediação financeira e seguros (6,5%), outros serviços (5,1%), serviços de informação (4,9%), administração, saúde e educação pública (3,2%) e serviços imobiliários e aluguel (1,4%). Justamente setores que não dependem de estoques.

Já serviços ligados à indústria de transformação sofreram queda: comércio atacadista e o varejista (-1,2%) e transporte, armazenagem e correio (-2,3%). Mais uma vez o efeito estoque.

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Do lado da demanda, quem garantiu a economia foi o consumo das famílias, que cresceu 4,1%, sexto ano consecutivo de aumento. A despesa do consumo da administração pública também aumentou (3,7%), enquanto a formação bruta de capital fixo caiu 9,9%.

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Ponto interessante é a análise do PIB per capita – valor a que se chega dividindo a variação do PIB pelo crescimento da população. Em outros tempos, o crescimento populacional chegava a 2%. Com o resultado do PIB, o per capita teria uma queda de 1,8%. Como o crescimento da população caiu para 0,99%, o recuo do PIB per capita foi de 1,2%.

Evolução do PIB do Brasil não foi dos piores

A queda de 0,2% do PIB brasileiro em 2009 não foi tão ruim, se comparado ao desempenho do G20 (grupo das vinte maiores economias). O desempenho brasileiro deve ser o sexto melhor desse grupo, de acordo com a OCDE. Perde para China (cujo PIB cresceu 8,7%), Austrália (2,7%) e Coréia do Sul (0,2%). Índia e Indonésia ainda não divulgaram seus números, mas a organização estima que esses países deverão crescer 5,6% e 4,5%, respectivamente.

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