Há sinais de inflação represada 

A visão otimista que expressei aqui, analisando os dados de inflação do IBGE está sendo revista. Há um acúmulo de pressões de custos que ainda não foram captados pelos índices de preço ao consumidor.

Banksy

Na semana passada, com base nos indicadores do IPCA-15, montei um cenário relativamente tranquilo sobre a evolução dos preços. Há um conjunto de fatores que começam a preocupar.

Assim como o arroz, por exemplo, há um movimento similar do algodão, que em breve explodirá nos preços dos têxteis em geral.

As razões são variadas. Em relação à demanda, houve aumento nos mercados externo e interno.

Este ano, as exportações acumuladas de algodão bruto aumentaram 83% em quantidade, 69.5% em valor. A diferença se explica. O preço final do produto exportado equivale à cotação em dólares convertida em reais pelo câmbio do dia. Com a desvalorização do real, permitindo aos exportadores ganhar mais, em reais, há uma pressão dos importadores para pagar menos, em dólares. Com esse movimento, a cotação caiu de US $1.706 para US $1.574 a tonelada média, queda de 7,7%. Pelos dados da ESALQ, do começo do ano até agora o preço do algodão em pluma subiu 22,8% em reais e caiu 5,4% em dólar.

No mercado interno, a renda básica estimulou o setor de produtos têxteis, de panos de prato a vestuário. De abril a julho, o setor cresceu 88%. Não saíram dados posteriores, mas as informações são de um aquecimento forte nas vendas. Embora ainda não captado pelos indicadores de preços, há sinais de que os repasses de custos estão sendo assimilados pelos consumidores, especialmente em produtos de baixa renda.

Do lado da oferta de insumos, houve a desestruturação das cadeias produtivas. Já se sente falta de algodão e de uma série de insumos. Também houve redução das importações, especialmente de produtos de algodão da China, cuja quantidade caiu pela metade no acumulado até agosto, apesar da queda expressiva nas cotações. Em relação a fios de algodão, por exemplo, as importações caíram de 875 toneladas para 577 toneladas no acumulado até agosto, em relação ao ano anterior. Em tecidos de algodão, a queda foi de 860 toneladas para 193.

Há problemas também com matérias primas para outros setores.

Em suma, a visão otimista que expressei aqui, analisando os dados de inflação do IBGE está sendo revista. Há um acúmulo de pressões de custos que ainda não foram captados pelos índices de preço ao consumidor.

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