Indústria argentina teme invasão de produtos brasileiros

Enviado por Ale AR

Do Diario Perfil (Argentina)

Indústria está preocupada que o Brasil termine com o ‘Made in Argentina’

Brasil escolheu o choque, e a indústria local olha com desconfiança não só pela diminuição do seu mercado interno, mas por causa da desvalorização do real, que esta semana chegou a quatro por dólar, permitiu-lhe ganhar competitividade e a capacidade de redirecionar seus produtos para o mercado local.

Por conta dessa combinação, até agora este ano, as exportações para o país vizinho caíram 23% em geral e 26% para os produtos industriais e empresários locais advertem que ainda o fim da crise não é visível. O risco de que continuem descendo a classificação do Brasil ainda está presente, o que poderia implicar uma desvalorização adicional. Em algumas estimativas privadas, contam com até um dólar para cinco reais no final do ano.

Com o peso desvalorizado 10% em relação ao dólar, abaixo da inflação, e a desvalorização de 50% do real até agora este ano, ou 70% nos últimos doze meses, as taxas de câmbio bilaterais estão em níveis não vistos desde 2001. 

“Nós não sabemos como isso vai acabar”, admitiu o metalúrgico Juan Carlos Lascurain, titular da Adimra e representante de um dos setores atingidos pela queda no setor automotivo.

“O real é desvalorizado, mas às vezes se valoriza, é uma das poucas moedas do mundo que às vezes retorna para um nível anterior. Não temos certeza de que é uma tendência. Mas com quase US $ 400 bilhões em reservas, não entendo por que (o governo) não intervém “, disse José Ignacio de Mendiguren, ex-secretário da UIA e deputado pelo Frente Renovador.

As reservas do Banco Central do Brasil representam mais de 21% do PIB. Mas esta semana o dólar era cotado a 4,20 reais. Só no fim de semana, a intervenção do governo levou a apreciar a moeda até 3,97 unidades por dólar.

“O Central deixou flutuar a moeda em plena corrida cambial e a desvalorização já é superior a 70% a respeito do ano anterior. Brasil optou por deixar a apreciação cambial, de magnitude semelhante a que a Argentina detém atualmente, com um choque de desvalorização incrível “, disse o economista da Econométrica, Ramiro Castiñeira. “Com os olhos argentinos é difícil entender a decisão de trilhar o caminho do choque, sendo que o Brasil era capaz de fazer algo mais pausado perante o estoque importante das reservas. Ao contrário do Brasil, na Argentina, muitas vezes esvazia o Banco Central para não desvalorizar “, acrescentou.

Isto traz o risco de que o maior parceiro do Mercosul tente direcionar a sua produção para o mercado local. “O risco existe. China está agora sob controle, mas esta situação pode tornar o Brasil a nova China “, disse sobre a necessidade de proteger o mercado local o diretor-executivo da Fundação Proteger, Ariel Schale, que representa um dos sectores sensíveis, os têxteis. Também lembrou que não existem quotas ou acordos sectoriais com o país vizinho, exceto no caso de denim, o tecido do jeans.

Entre os setores mais afetados no intercâmbio bilateral, além de automotivos tem plásticos, produtos químicos, pneus, alimentos, laticínios, carnes, farinhas, que contribuem para os problemas das economias regionais para “chegar a dezembro, em fase terminal” segundo o proprietário da Copal, o coordenador que grupos de alimentos, Daniel Funes de Rioja.

“Este ano nós também temos problemas no complexo de frutas e vegetais, em carros, através de todos os setores”, disse o advogado da UIA. Mercados protegidos  A perda de competitividade também atinge sectores protegidos da concorrência externa. Argentina e Brasil têm áreas especiais (Tierra del Fuego e Manaus) para montagem ou fabricação de eletrônicos. Com o mercado local blindado às importações, os preços nestas categorias cresceram mais do que o Brasil, o que aumenta o custo de acesso à tecnologia.

Assim, enquanto os preços dos celulares, tablets e consolas de jogos são em média 46% mais caros no Brasil do que nos Estados Unidos, na Argentina custam 201% a mais. “Hoje, fica clara uma maior competitividade internacional do Brasil nos preços”, disse Pablo Frutos, Gerente de Business Intelligence IntegraGo. “Há muitos fatores que explicam a diferença. Não tudo é resolvido por uma desvalorização “, acrescentou.

A UIA, com o discurso a favor das PME

Na nova liderança da União Industrial Argentina (UIA) dominam as grandes (Arcor, Copal, coordenadora alimentária, e Techint nos três primeiros lugares), mas a mensagem que o novo presidente, Adrian Kaufmann procura transmitir, é a de uma entidade que integra as PME. Assim, sua primeira aparição oficial na frente da entidade nesta quinta-feira foi em ProTextil, um sector onde existe uma maior penetração das pequenas e médias empresas. “70% do tecido industrial é constituída por PME, daí a sua importância”, disse a Perfil para a conferência têxtil.

Alberto Sellaro, empresário da indústria e membro da UIA, conseguiu a presença da central fabril na reunião que teve Daniel Scioli como o único candidato a presidente que aceitou o convite.

Dois dias antes, com o dólar no Brasil sobre a barreira dos 4 reais, lembrou que 60% dos produtos de valor agregado do mercado brasileiro tem como mercado a Argentina, um aviso sobre os riscos para o mercado interno para o sector industrial local. “A recessão com inflação no Brasil lembra a Argentina dos ’80s” analisou Kaufmann, que evitou falar de desvalorização para reconstruir a competitividade e garantiu que não há medidas individuais. Assim, ele pediu o plano de 19 pontos que a UIA introduziu aos candidatos para restaurar a atividade.

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2 comentários

  1. Quando eu era criança, a

    Quando eu era criança, a Argentina era considerada rica e desenvolvida e o Brasil não passava de um patinho pobre e feio comparado à sua vizinha. Agora que as coisas se inverteram, suponho que muitas crianças argentinas crescem com a impressão que eu tinha: a inevitabilidade da pobreza nacional como “destino manifesto”. Também devo supor que muitas brasileirinhos estão aprendendo que nosso país é bem mais rico que o de “los hermanos”. Orgulho e desprezo são duas faces de uma mesma moeda. A roda da fortuna gira, mas procurar o equilíbrio no centro dela é coisa muito difícil.

  2. O REAL TEM CONTINUAR A DESVALORIZAR

     Precisamos nos tornar mais competitivos, por exemplo a indústria automobilistica instalada no Brasil tem capacidade de produzir 5,6 milhões de veículos ano e não temos como consumir tudo isto no mercado interno, precisamos exportar, para isto é necessário desvalorizar o real sem medo de ser feliz!!!

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