INSS, gestão e planilha

Coluna Econômica – 22/11/2006 +

As metas do “choque de gestão” do INSS, apresentado na semana passada ao presidente Lula, não foram calculadas de acordo com o padrão Gimabiagi de mensuração do prazer solitário – aquele que é forjado entre ele e sua planilha.

No ano passado -conforme já informei aqui—o Ministério da Previdência iniciou um programa de qualidade no INSS. O programa, comandado pelo Ministro da Previdência Social Nelson Machado, trabalhou inicialmente com recursos próprios do órgão. Secretário Executivo do Ministério. Carlos Eduardo Gabas me escreve explicando que foram utilizadas ferramentas que sempre estiveram disponíveis na casa, mas nunca antes haviam sido utilizadas. “Não existe mágica, nem milagre, é apenas ‘arroz com feijão’ bem preparado”, explica ele. Servidor concursado desde 1985, Gabas diz nunca ter participado antes de um trabalho desse porte, apesar de ser um trabalho óbvio.

Junto com os técnicos da Previdência, participaram dez técnicos de fora, sete do INDG de Belo Horizonte, três de uma empresa israelense especializada em segurança bancária. O INSS é, antes de tudo, um banco que recolhe contribuições e distribui benefícios, por isso necessita ter a segurança de uma instituição bancária, explica Vicente Falcone, mentor do projeto.

Com apenas um mês de trabalho, os consultores encontraram um mar de absurdos, como era, aliás, previsível encontrar em uma organização gigantesca que, antes, nunca tinha passado por um sistema de gestão.

Os cálculos de economia de R$ 50 bilhões em três anos foram efetuados tendo como base a amostragem colhida nessa experiência, e levados ao presidente da República por Falcone e pelo empresário Jorge Gerdau.

A proposta enviada a Lula visa atacar os problemas da Previdência em duas pontas:

1. Reduzir sonegação.

2. Reduzir benefícios mal concedidos.

Para fazer de forma definitiva, e consertar o sistema, estima-se um trabalho de quatro anos, que passe pela reestruturação do INSS, de todos os processos, pelo treinamento das pessoas, pela identificação dos pontos críticos de interação dos funcionários com os sistemas informatizados – no qual pessoas possam retirar ou introduzir informações.

Haverá ganhos na implantação, se o Ministério se valer de outros insumos disponíveis no próprio governo. Por exemplo, os sistemas de conta corrente do Banco do Brasil poderão ser perfeitamente adaptados para controlar os movimentos de benefícios do INSS.

No ano passado, já houve um enorme ganho de produtividade com o início dos trabalhos no Ministério. Inclusive com a decisão de se profissionalizar definitivamente o órgão, de acabar com os cargos comissionados e com as indicações políticas. Agora, se poderá dar o salto final, acabando de implantar os novos processos.

Como lembra Falconi, “os cabeças de planilha só pensam no equilíbrio fiscal a partir de aumento da idade de aposentadoria e do não aumento o salário mínimo. A única saída que conseguem enxergar é mandar a conta para pessoas que trabalharam trinta, quarenta anos para o bem do país”.

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