Lockdown, endividamento público e comida na mesa do brasileiro, por Rafael Tauil

Deste modo, se não há dinheiro em caixa, é mais do que necessário o endividamento público a nível nacional, estadual e municipal. Não é preciso ser doutor em economia para saber disto.

Agência Brasil

Lockdown, endividamento público e comida na mesa do brasileiro

por Rafael Tauil

Por diferentes vezes me manifestei através do Facebook pela defesa de um lockdown nacional e, na impossibilidade deste, de um lockdown estadual ou municipal. Hoje a taxa de ocupação de leitos de UTI no estado de São Paulo chegou a 89%, ou seja, estamos realmente à beira de um colapso. Muitos outros estados têm situação semelhante. Teremos sorte se essas taxas não subirem a partir desta semana, o que daria início a uma fase de caos e desespero para os paulistas e para boa parte dos brasileiros.

De toda forma, quando defendi o lockdown, não me esqueci em nenhum momento das dificuldades pelas quais vêm passando os pequenos e médios comerciantes e prestadores de serviço, que dependem de seus negócios para sustentar suas famílias. Sei que um lockdown total, restringindo até mesmo as atividades consideradas essenciais, seria benéfico do ponto de vista da saúde pública, mas extremamente nocivo aos indivíduos que vivem de suas modestas fontes de renda.

Gostaria, portanto, de lembrar aos governantes que este lockdown, que tanto martelei, deveria ser seguido de medidas de fomento à economia. A união, o estado e o município têm a obrigação de financiar ações capazes de proteger as pessoas das classes médias e pobres, que dependem de seu negócio para sobreviver. Não adianta nada reduzir a taxa de ocupação de leitos de hospital se houver gente morrendo de fome.

Deste modo, se não há dinheiro em caixa, é mais do que necessário o endividamento público a nível nacional, estadual e municipal. Não é preciso ser doutor em economia para saber disto. Estamos cansados da velha ladainha, que nega comida ao povo brasileiro. Estima-se que o endividamento público nacional estará perto de 86% do PIB ao final do ano, segundo levantamento do Itaú-Unibanco. Que atinja os 90% e depois ajustamos as contas. Se não há dinheiro, que se assuma a posição de estadista, desocupada há tanto tempo, em busca da negociação da dívida.

A união, os estados, os municípios e a elite empresarial têm a obrigação de colocar comida na mesa dos brasileiros, de criar empregos, de oferecer crédito facilitado com juros mais baixos às famílias, entre outras ações capazes de conter a crise humanitária de fome e empobrecimento pela qual estamos passando. Estamos em guerra e é necessário que o governo aja de acordo com o tamanho dos desafios que se apresentam. O lockdown é necessário e, além disto é imperativo o fomento à economia por parte do estado.

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