Ministros em campanha

A visão do Ministro da Fazenda Guido Mantega – em sua palestra no Seminário da Escola de Economia da FGV-SP — é diferente do ex-presidente do BNDES Guido Mantega. Elogiou as virtudes da política monetária e fiscal. Sustentou que o câmbio é fixado pelo mercado e que o Banco Central faz o possível para intervir, constituindo reservas cambiais. Avisou que o aumento da confiança no Brasil vai tornar o câmbio cada vez mais apreciado.

Ele sabe que quando cai o risco Brasil, se a taxa básica de juros não cai, o resultado automático é o da apreciação do câmbio.

Em sua apresentação, usou o manual da campanha (que serve para situação e oposição): relacionou dez pontos a favor da política econômica, apresentou um futuro radioso. E não mencionou nenhum ponto negativo da política econômica. Descartou a idéia de planos de desenvolvimento.

Quanto à decisão de permitir o registro de capital estrangeiro não considerado capital externo, valeu-se do mesmo expediente. Disse que facilitaria o controle, que regularizaria uma situação cinzenta há tempos, que permitiria a saída de dólares. Mas e a lógica macro-econômica da medida? O Ministro passou ao largo. O mais provável é que os dólares saiam como remessa de lucros e retornem como investimento externo – obrigando a constituir mais reservas ainda.

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