Na UTI, mas com saúde – 2

Do sábio recluso, com quem converso sempre, a respeito das comparações entre as economias da Turquia e do Brasil

Nassif

Se na economia introduzirmos as categorias de história e geografia, a Turquia é incomparável com o Brasil e tentar estabelecer paralelos só serve como exercício de sala de aula. Nada, absolutamente nada, tem ambos os paises em comum. Mas se é para ficar só em números as dúvidas só aumentam: como a Turquia pode crescer 9,5% no ano passado, tendo um déficit comercial de US$45 bilhões, um déficit em conta corrente de US$25 bilhões, uma inflação de 8,2%, mas com reservas internacionais quase iguais à nossas, eles com US$56 bilhões e nós com US$59 bilhões?

Se nada bate, nada se correlaciona, o que interessa, nesse xadrez, o superávit primário deles em comparação com o nosso?

É tão irrelevante que nem se cita esse dado nos publicações internacionais de economia, quando se comparam paises. Para um monetarista dogmático como Pastore isso é, todavia, o único dado importante. Mas no caos geopolítico e econômico que é a Turquia, com grande massa de curdos dentro e vizinhos tipo Rússia e Iraque fora, certamente tem a relevância do resultado do campeonato turco de futebol.

Economia é bem mais complicada do que superávit primário em um pais encruzilhada do mundo, como é a Turquia.

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