Nada além de mais Nelson Barbosa, por Rui Daher

Não deixam de ser estimulantes as declarações do ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, sobre o caminho que o governo pretende percorrer na economia, em médio e longo prazos.

Em se tratando de Barbosa, não se poderia esperar nada diferente. Suas planilhas são menos ortodoxas, embora como apresentadas, na matéria do GGN, ainda planilhas. (https://jornalggn.com.br/noticia/ministro-nelson-barbosa-explica-ao-ggn-a-logica-do-ajuste). 

Já em Dilma 1, suas posições eram explicitamente contrárias aos equívocos que deram no que temos para hoje.

Além da dúvida certeira e broxante, deixada por Luís Nassif como observação final, sobre a essencialidade do tempo, seria interessante saber se o programa não conflita com o que pensam o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a presidente Dilma, e as torcidas do Flamengo e do Corinthians, que hoje palpitam nas economia e política brasileiras, fazendo-as parecer birutas de aeroportos com ventos erráticos.

Será que assim irá acontecer enquanto “correr a barca, preta, pretinha”? Se tudo assim certinho, não seria recomendável um “assim vou lhe chamar, assim você vai ser”?

A postura de isolamento recente nas decisões de governo me faz lembrar Fernando Collor pedindo para que não o deixássemos só. No quê?

Será que as perdas de bom senso e consenso dos últimos meses foram recuperadas? O que dizer, então, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CartaCapital, edição 869, pg. 32), criado por Lula, estar em vias de extinção, como estiveram as baleias, justamente num momento como este?

Querem reforço maior para ajudar a reconstrução da base política do governo do que fazer os combalidos donos da grana apoiarem o programa, desde que anunciado por completo pela presidente, o vice e os principais ministros, exatamente como exposto pelo Planejamento ao GGN.

Desculpem-me a descrença. Não é o que temos visto, nem acredito termos a menor possibilidade de ver.

Seria uma reação à altura, uma resposta explícita às forças oposicionistas acantonadas nos Legislativo e Judiciário, e que as folhas e telas cotidianas fizeram permear pela sociedade.

Planos e planilhas de Barbosa não têm sido assim mostrados, o que justifica as críticas recentes de inação que temos lido aqui e alhures.

Embora saiba-se da pequena economia que significa a redução do número de ministérios, ela vale fortunas em recuperação de credibilidade perante a sociedade. Mas para valer. Pouco irá mudar 39 ou 22, a não ser o bem-estar de partidos e políticos que, na hora do vamos ver, ma(o)rtificam o Executivo.

Também, continuar com a cantilena de que “o ajuste só não está sendo mais rápido porque a economia mundial cresce pouco”, é reafirmar que, a depender disso, ele será ainda mais lento.

Não cola mais. O ajuste deve ser eminentemente interno, a equipe econômica sabe disso e só ainda não o fez porque só teve coragem de abrir o saco de maldades contra emprego e renda de assalariados, os que pouco piam, mas votam.

Ah, outra: segundo Nelson Barbosa, o “governo irá conversar”. Já arrumou interlocutor?

Torço, mas sem nenhuma fé.

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