Não é possível ignorar os danos causados por Google e Facebook, por Jonathan Taplin

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Foto: Franco Bouly/Flickr

Jornal GGN – Em artigo para o New York Times, o autor norte-americano Jonathan Taplin fala sobre os monopólios exercidos por empresas de tecnologia, como o Google e o Facebook. Ele afirma que voltamos ao início do século passado e concorda com a tese de Louis Brandeis, assessor do presidente dos EUA Woodrow Wilson, que acreditava que a formação de grandes centros de poder privado era sempre perigosa para a democracia. 

 
Para Taplin, é necessário decidir se Facebook e o Google precisam de regulamentação ou se iremos continuar fingindo que eles não são danosas para a democracia e para a nossa privacidade. Ele afirma que tais empresas estão impedindo a inovação em larga escala, citando a fqueda brutal no faturamento de negócios de mídia e também estudo que aponta o aumento da desigualdade econômica causado pelos retornos sobre o capital, no caso de empresas que tem enfrentam pouca concorrência limitada.
 
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Da Folha
 
 
JONATHAN TAPLIN
ESPECIAL PARA O “NEW YORK TIMES”
 
Em apenas dez anos, a lista das cinco maiores companhias mundiais pelo critério de capitalização de mercado mudou completamente, exceto por um nome: o da Microsoft. ExxonMobil, General Electric, Citigroup e Shell deram lugar a Apple, Alphabet (a controladora do Google), Amazon e Facebook.
 
São todas empresas de tecnologia, e cada qual domina seu canto do mercado. O Google tem 88% de participação no mercado de publicidade vinculada a buscas, o Facebook (e suas subsidiárias Instagram, WhatsApp e Messenger) detém 77% do tráfego nas redes sociais, e a Amazon controla 74% do mercado de livros eletrônicos. Em termos econômicos clássicos, as três empresas são monopólios.
 
Voltamos ao começo do século 20, quando argumentos sobre a “maldição da grandeza” eram defendidos por Louis Brandeis, assessor jurídico do presidente norte-americano Woodrow Wilson.
 
Ele queria eliminar os monopólios porque (segundo seu biógrafo, Martin Urofsky), “em uma sociedade democrática, a existência de grandes centros de poder privado é perigosa para a vitalidade continuada de um povo livre”.
 
Basta olhar para a conduta dos grandes bancos na crise de 2008 e para o papel desempenhado pelo Facebook e Google no negócio de “notícias falsas” para sabermos que Brandeis estava certo.
 
Embora Brandeis costumasse defender o desmonte das empresas de porte muito grande, ele abria exceção para monopólios naturais, como os da telefonia e ferrovias, onde fazia sentido ter uma ou algumas poucas empresas no controle de um setor.
 
Teremos de decidir, em breve, se Google, Facebook e Amazon são a espécie de monopólio natural que precisa ser regulamentado ou se permitiremos que as coisas fiquem como estão, fingindo que eles não causam danos à nossa privacidade e à democracia.
 
É impossível negar que Facebook, Google e Amazon bloquearam a inovação em larga escala. Enquanto os lucros delas dispararam, o faturamento de negócios de mídia como jornais e música caíram em 70% de 2000 para cá. Mais de metade dos trabalhadores do setor de jornais foi demitida, entre 2001 e 2016.
 
Não são só os jornais que sofrem. Em 2015, dois assessores econômicos de Barack Obama, Peter Orszag e Jason Furman, publicaram estudo no qual argumentavam que a ascensão dos “retornos supranormais” sobre o capital, no caso de empresas que enfrentam concorrência limitada, estava levando a uma alta na desigualdade econômica.
 
Não tenho ilusões de que, dada a presença de magnatas libertários da tecnologia no círculo mais próximo de conselheiros do presidente Donald Trump, a regulamentação da internet possa vir a ser prioridade. É provável que tenhamos de esperar quatro anos e, quando o momento enfim chegar, é provável que os monopólios se tenham tornado tão dominantes que a única saída será dissolvê-los.
 
Wilson estava certo ao dizer, em 1913, que, “se o monopólio persistir, sempre estará no leme do governo”.
 
Tradução de PAULO MIGLIACCI
 
JONATHAN TAPLIN é diretor emérito do Annenberg Innovation Lab, na Universidade do Sul da Califórnia, e autor de “Move Fast and Break Things: How Google, Facebook and Amazon Cornered Culture and Undermined Democracy” [aja rápido e quebre coisas: como Google, Facebook e Amazon encurralaram a cultura e solaparam a democracia]. 

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6 comentários

  1. No Brasil, os mídias combateram tanto o Franklin Martins

    que buscava ajudar a regulamentar o setor. Nas mãos privadas não funcionam sempre. Um exemplo brasileiro e na área midiática é o famigerado Conar – conselho brasileiro de auto regulamentação publicitária que praticamente desde sua fundação tem dedos, mãos, braços, pés e a cabeça torta da rede globo por trás.

    Lembrando-nos sempre que o fator repetitivo em todo declínio-queda-extermínio de sistemas/culturas/civilizações/economias é a CONCENTRAÇÃO de poder/riqueza nas mãos de poucos. Isto é mais que matemático, é histórico.

  2. não….

    No Brasil, que sempre quer andar para a frente olhando para trás, ainda batemos no atraso de meio século cujo simbolo foi a RGT, quando o novo ovo da serpente é a internet e empresas monopolizadoras como cita o artigo. Se prejudiciais nos seus países de origem, imagine aqui onde somos pasto para tantos interesses externos, protegidos por uma caricatura intitulada como Governo Brasileiro? 

  3. Que absurdo. A falha atacando

    Que absurdo. A falha atacando a liberdade de imprensa? Comunistas, bolivarianos, querem instalar uma ditadura no mundo.

    Esses piguentos, coitados, não sabem com quem estão mexendo.

  4. Negócios e democrácia !?!?!???!?!?

            Em parte está certo, o google é um dos piores buscadores que existem, o fato deles venderem publicidade nas páginas eles acabam geram resultados das páginas que possuem seus anuncios, incríveis conteúdos que eram fácilmente encontrado antigamente pelo buscador eles não são mais exibidos, apesar dessas páginas ainda existirem, inúmeros conteúdos ricos e de valor técnico de inúmeras áreas geralmente não aparecem mais em suas buscas, tudo está relacionado as vendas, aquela estorinha de pageranking e tags de referencia de conteúdo são simplesmente falsos, é claro que um site ou outro sem a publicidade do google ainda persistem, mas a google está sendo processada na europa por gerar buscas apenas em paginas que possuem seus anúncios.

           O fato de os jornais não estarem vendendo, isso independe do google, na realidade o google gera uma oportunidade aos jornalistas realizarem seus trabalhos independentemente de um grande jornal, para quem quer ser servo de algum veículo de comunicação que se autoproclama imprensa, este sim está preocupado, esses meios de comunicação eles não são imprensa, são empresas de comunicação que informa aquilo que eles querem manipular, seja a bolsa de valores, seja a imagem de um político ou as falsas pesquisas científicas patrocinadas, por empresas que querem vender algum produto, como cerveja, já li alguns artigos científicos dizendo que a cerveja faz bem a saúde, provavelmente patrocinada por essas empresas, e vendidos pelos york times da vida, e agente vai vivendo construíndo o fantástico mundo da fantasia .

          Googe e facetruck são armas políticas, isto está muito claro, fico me perguntando quantas mensagens negativas de Dilma chegaram aos usuários do facetruck enquanto que de outros políticos  não eram vínculadas de maneira fácil na rede, o próprio you truck já foi constatado números de visualizações que não correspondiam, certa vez no you truck tinha um vídeo de um anônimo que havia sido postado naquele dia e já tinham 1milhão de visualizações, estava na cara que aquele vídeo tinha algum propósito e foi pago para que o número de visualizações estivessem naquele número, agora fico imaginando um anunciante pagando por publicidade cuja visualização foi gerado por um robot, será que esse robot vai comprar algum produto ?

           Adam Smith quando pensou em um mundo liberal ele nunca fez menção que o liberalismo e o capitalismo seria levado adiante por monopólios, na realidade ele sempre imaginou uma economia constituida por empresas de médio porte, imagine o sistema operacional Rwindows deixando de funcionar e a empresa quebrando ? Tudo pará e os prejuízos gigantescos para as empresas que fazem uso do Rwindows, agora imaginem uma centena de sistemas operacionaís, uma parcela pequena será prejudicada e não haverá problema em trocar o sistema de uma indústria; os jornaís foram grandes geradores ( homogeinar ) de opnião na sociedade, depois rádio, tv e agora a rede, tudo igualzinho como antigamente.

  5. Não sei se ele está correto

    Pode ser que precisem de regulamentação , mas pelos motivos corretos . 

    Dizer que são danosos por que fizeram o faturamento da grande mídia despencar , não é argumento. Pelo contrário , em relação à grande mídia pela primeira vez na história , graças a GOOGLE , FACEBOOK  , etc , vemos o poder de manipulação dos grandes barões evaporar. 

    É preciso tomar cuidado com os interesses em jogo , e muitos vem defender a “democracia” quando na verdade estão defendendo velhos oligarcas . 

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