GVT entra em São Paulo

Do Estadão

31 de julho de 2010 | 0h 00

GVT estreia no mercado paulista com telefonia fixa e banda larga

Planos. Controlada pela francesa Vivendi, empresa elevou expectativa de investimento de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,5 bilhão, solicitou licença de TV paga via satélite para a Anatel e prepara-se para lançar serviços na capital de São Paulo no próximo ano

Renato Cruz – O Estado de S.Paulo

“O cenário competitivo ficou mais complicado e mais desafiador para todos nós”, afirmou Amos Genish, presidente da GVT, referindo-se aos grandes negócios anunciados esta semana no setor de telecomunicações. “Com este cenário, precisamos acelerar nossos planos de alcançar uma presença nacional.”

Controlada pela francesa Vivendi, a GVT tem planos ambiciosos. Semana passada, a empresa decidiu ampliar de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,5 bilhão seu plano de investimento do ano. Trata-se de um montante 128% maior que os R$ 658 milhões investidos no ano passado. A empresa está estreando em São Paulo e prepara o lançamento de sua TV paga.

A GVT nasceu como concorrente da Brasil Telecom, nas regiões Sul e Centro-Oeste. Em 2007, a companhia expandiu sua atuação para a área da Oi, empresa que absorveu a Brasil Telecom, e hoje está em Minas Gerais, Espírito Santo e Nordeste.

Amanhã, a empresa lança a campanha para divulgar sua chegada a Sorocaba e Jundiaí, no interior de São Paulo, como concorrente direta da Telefônica. “Chegaremos à capital durante 2011”, afirmou Genish. “Estamos na fase de projetos. Já conseguimos algumas licenças para instalar a rede, mas teremos mais um ano de obras até que a infraestrutura seja suficiente para lançar os serviços.”

Na quarta-feira, a Portugal Telecom anunciou a venda de sua fatia na Vivo para a Telefônica, por 7,5 bilhões, e a compra de 22,4% da Oi, por 3,7 bilhões. Com isso, essas rivais da GVT ficam mais fortes. A Telefônica integrará a Vivo à Telesp, concessionária de telefonia fixa de São Paulo, tornando-se o maior grupo de telecomunicações do País. E a Oi receberá um reforço de caixa e um sócio com experiência de operação.

“O consumidor não vai escolher os produtos pelo tamanho da empresa”, disse Genish. “Já nascemos numa área de concorrência e temos um modelo vencedor.” A GVT investiu R$ 40 milhões para lançar nas duas cidades telefonia e banda larga com velocidade de até 100 megabits por segundo. A rede da GVT cobre 30% das cidades, e tem capacidade de 38 mil acessos de banda larga e de voz.

Lady Gaga. A Vivendi é dona da Universal Music, e a GVT quer tirar vantagem disso, para que seu serviço de banda larga não seja somente uma “conexão burra” (dumb pipe, em inglês). “Vamos lançar um serviço inovador em outubro”, afirmou Genish. “Nosso cliente de banda larga terá acesso gratuito a áudio e vídeos, incluindo shows ao vivo.”

A GVT planeja patrocinar dois shows de artistas da Universal no Brasil em 2011, um no fim de março no Rio e outro em setembro ou outubro em São Paulo, para comemorar a sua entrada na capital desses Estados. “Ainda não está fechado, mas queremos que o primeiro show seja com a Lady Gaga”, disse. A chegada ao Estado do Rio deve ser ainda este ano, primeiro em Niterói.

Com a compra da fatia dos portugueses na Vivo pela Telefônica, e a intenção (ainda não confirmada oficialmente) de o empresário mexicano Carlos Slim integrar a Claro e a Embratel, muitos analistas têm apontado a falta de uma operação móvel à GVT.

Segundo o presidente da empresa, essa não é a sua grande preocupação hoje. “Nossa prioridade é a TV paga”, disse Genish. “Os pacotes no mercado são de telefonia, banda larga e TV por assinatura. O Brasil tem a menor densidade de TV paga da América Latina, e esse mercado precisa mudar imediatamente.”

A GVT cansou de esperar a mudança na lei que impede empresas de TV a cabo de ter controle estrangeiro, e resolveu pedir à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) uma licença de TV via satélite (DTH, na sigla em inglês), para a qual não existe impedimento.

“Vamos lançar no ano que vem uma solução híbrida, de satélite e IPTV (televisão via banda larga), num só aparelho”, disse Genish. Ele promete um serviço interativo, em que as pessoas possam assistir a toda programação que passou nos últimos 30 dias no momento em que quiser e acessar serviços como YouTube, Facebook e Orkut no aparelho de TV.

O lançamento do serviço depende da disponibilidade de capacidade de satélite, que não existe hoje. “Aguardamos o lançamento de novos satélites, o que deve acontecer em junho ou julho de 2011”, afirmou Genish. “Já começamos a negociar os pacotes de programação e, se a legislação mudar antes disso, lançamos direto com a tecnologia de IPTV.”

CVM. A compra da GVT pela Vivendi está sendo investigada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo Genish, a discussão diz respeito a informações sobre opções que o grupo francês comprou. “A Vivendi tem até 15 de agosto para responder à CVM, e estamos muito seguros de que tudo foi feito dentro da lei.” 

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