Nem todo mundo perde na recessão, por André Barrocal

Da Carta Capital

 
Desemprego é o maior desde 2007, mas lucro do Bradesco é o segundo maior da história. Fator ‘juro’ explica
 
por André Barrocal

“Na recessão, todo mundo perde”, disse o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social com Dilma Rousseff e alguns ministros nesta quinta-feira 28. A julgar por dois números divulgados horas antes, a declaração do banqueiro-sociólogo escolhido pessoalmente por Dilma como um dos oradores da reunião é mais retórica do que uma expressão da realidade.

No ano passado, o Bradesco teve lucro de 17 bilhões de reais. Foi o segundo maior lucro bancário já registrado no País, de acordo com uma consultoria especializada na análise de balanços de empresas de capital aberto, a Economática.

desemprego também terminou 2015 em nível alto. A taxa oficial do País, medida pelo IBGE, chegou a 6,9% em dezembro, a maior desde 2007. Foi a primeira vez que o IBGE identificou uma redução do número total de pessoas com emprego formal no setor privado de um ano para o outro desde que começou a fazer esta pesquisa.

O gordo lucro bancário e o avanço do desemprego ocorreram em um mesmo cenário. Um ano em que a economia encolheu perto de 3%, segundo algumas estimativas – o resultado oficial sai só em março. Sinal de que nem todo mundo perde na recessão.

O sistema financeiro não precisa de expansão da economia para ganhar dinheiro, ao menos no Brasil. Em 2014, o Itaú teve lucro de 20 bilhões de reais, o maior já visto no País, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) estagnava (cresceu 0,1%).

Altas taxas de juros fixadas pelo Banco Central (BC) e pagas pelo Tesouro Nacional na rolagem da dívida pública bastam para garantir riqueza ao sistema financeiro.

Em 2014, o BC subiu seu juro Selic de 10% para 11,75% e em 2015, para 14,25%. Uma taxa que não significa nada para o cidadão comum, mais familiarizado com a usura do cheque especial (287% em 2015, maior média em 21 anos) e do cartão de crédito (431% na média de 2015, recorde histórico). Mas que rende dividendos polpudos aos bancos que negociam com a dívida pública.

Em seu balanço do ano passado, o Bradesco apontou o fator “juros” como explicação principal para o lucro de 17 bilhões.

A elevação na taxa de juros é também uma das principais causas do aumento da dívida pública e do déficit público em 2015, conforme dados divulgados nesta sexta-feira 29 pelo BC.

A dívida líquida, que desconta valores que o Estado tem a receber, pulou para 36% do PIB (era 2,9 pontos menor em 2014). Já a bruta, que ignora o que o Estado tem a receber, subiu de 57% para 66%. O déficit público de 0,57% do PIB em 2014 virou um de 1,88% no ano passado.

 

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10 comentários

  1. É  a mesma coisa que escrever

    É  a mesma coisa que escrever : A inflação é EXCELENTE.

            E explico.

         Vc tem vários aluguéis que aufere,número fictício, 100 000 reais .Ou menos,tanto faz.

           Seus filhos são  criados independentes  vc  e vive com a esposa. A inflação que vc consome e paga contas, não chega  a 300 reais.

        Mas seus aluguéis aumentam 1 100 reais.

           A inflaçaõ pra vc é uma delícia,

              Falando nisso, vcs viram quanto aumentou o IGPM ( que mede o aluguel ) no mês passado ?

                E assim é com aplicações financeiras.

                Eu sonho ANTES de dormir. É um sonho metamofórico.

                Nesse sonho eu apareço,invisível,matando todos os banqueiros,agiotas e rentistas do páis.

                 E esse ”sonho” é recorrente.

         

     

  2.  
    Não fosse o Conselhão,

     

    Não fosse o Conselhão, jamais tomariamos conhecimento que os Banqueiros perdem, com a inflação e os juros da Celic na estratrofera. Que maravilha! Em?

    Orlando

  3. Uma das razões do ABSURDO

    Uma das razões do ABSURDO lucro do Bradesco e dos demais bancos é que o BANCO CENTRAL PAGA JUROS SELIC SOBRE OS DEPOSITOS COMPULSORIOS, nenhum Banco Central do -planeta paga juros sobre o recolhimento compulsorio.E porque paga? Ninguem sabe. Se é COMPULSORIO não precisa pagar juros, porque esse dinheiro é dos depositantes dos bancos e sobre esses depositos os BANCOS NÃO PAGAM JUROS ao seu cliente.

    • Explique melhor

      Explique melhor André:

      Segundo o Quadro Resumo do Banco Central sobre Recolhimento Compulsório, o BC informa os seguintes tipos de recolhimento e a remuneração do valor recolhido:

      Recursos à vista: não há remuneração

      Garantias realizadas: não há remuneração

      Enxaixe de poupança: de TR + 3% a.a. a TR + 6,17% a.a.

      Recursos a prazo: Selic

      Exigibilidade adicional sobre depósitos: Selic

      Direcionamento de poupança: de 80% (TR + 0,5% ao mês) a 80% (TR + 70% meta selic a.a.)

      Direcionamento de microfinanças: não há remuneração.

      Portanto, depósitos à vista que o cliente não recebe juros não remuneram os bancos no compulsório.

      Os depósitos à prazo que o cliente recebe juros são remunerados pelo BC.

      A justificativa do BC para o pagamento dos juros sobre alguns depósitos compulsórios é: “A remuneração dos depósitos compulsórios reduz o custo de captação dos bancos, implicando menores taxas de juros cobradas nas operações ativas”.

      Veja:

      http://www.bcb.gov.br/htms/novaPaginaSPB/Resumo_das_normas_dos_compuls%C3%B3rios.pdf

      http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/FAQ%2012-Dep%C3%B3sitos%20Compuls%C3%B3rios.pdf

  4. Até porque, se todos

    Até porque, se todos perdessem não existiria.

    Raciocínio lógico.

    Num mundo capitalista, alguém perde para outros ganharem.

    Só que a proporção está muito desigual.

    A proporção mundial de riqueza de 62 pessoas para 3,6 bilhões de pessoas é uma aberração.

  5. não pagar mais juros sobre

    não pagar mais juros sobre empréstimos compulsórios é uma ótima solução inicial, 

    como já disse o andré algumas vezs por aqui quando pinta esse assunto,,.

    outra questão ionteressante é sobre a hegemonia economica 

    e até política da  banca…

    bem, com esses lucros exorbitantes, só pode ser obviamente pelo dinheiro….

    mas nem só : com isso.hegemoniza pelo “convencimento” publicitário, comprando

    espaços no jn e em toda programação da globo e da grande mídia….

    a maioria adora ver publividade dos vencedores e nem percebe

    que está sendo lesada no exato momento em que pensou nisso……

    se tivesse a sacada do h.l.menckem talvez essa maioria  pensasse

    dez vez antes de aplaudir r esses bravos dominadores

    e concentradores

    e espoliadores de nossas riquezas….

    melhor que assaltar, é criar um banco – teria dito mencken,

    isso nos inícios do ´século passado….

    hoje seria cooptado por um desses bancos privados….

    ou melhor, seria membro ativo do wall street…

  6. A República “Agiota-Financista-Banqueira” Federal do Brasil

    Os bancos sob as bençãos do Banco Central mamam nas têtas da nação até a última gota. É uma maravilha essa agiotagem oficial…

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