Números importantes da conjuntura desmentem a “grande crise”, por Clemente Ganz Lúcio

Artigo do Brasil Debate

Por Clemente Ganz Lúcio*

Lippy e Hardy é uma série de desenho animado da década de 1960, produzida por Hanna-Barbera. Lippy era um leão otimista, que andava com o amigo Hardy, uma hiena pessimista.

Diante das aventuras de Lippy, Hardy dizia: “Eu sabia que não ia dar certo… Oh, dia, oh, céus, oh, azar…”. Em períodos especiais da vida democrática, como os processos eleitorais, essas duas figuras adquirem vida e Hardy ganha muita evidência, o que faz parte do jogo.

Ganham destaque, há algum tempo, dados e declarações que procuram demonstrar que há no Brasil grande crise e descontrole da economia: o País está em recessão (técnica!), a inflação, descontrolada, o desemprego chegou, o déficit comercial subiu etc.

A vida não anda fácil no mundo e no Brasil, é verdade. A partir de 2007/2008, as economias desenvolvidas provocaram a mais grave crise do capitalismo desde 1929.

“A grande recessão”, segundo economistas, trouxe aos países desenvolvidos alto desemprego, arrocho salarial, perda de direitos e da proteção social como remédio para a crise.

A atividade econômica caiu nos países em desenvolvimento e a China passou a mostrar seu poder econômico.

Com políticas anticíclicas, o Brasil permaneceu em pé, garantindo empregos, preservando salários e políticas sociais, bem como protegendo e incentivando a atividade produtiva. É muito difícil enfrentar essa crise. Há acertos e erros que fazem parte do risco de quem governa e decide diante de tantas incertezas.

O Brasil enfrenta inúmeros desafios de curto prazo: a pressão dos preços internacionais de alimentos; a severa seca, a mais grave dos últimos 60 anos, que comprometeu a safra agrícola, elevando preços de insumos, alimentos e energia elétrica; a Copa do Mundo, que reduziu a quantidade de dias úteis, com impacto sobre a atividade econômica; a desvalorização do Real (R$ 1,6 para R$ 2,3 por dólar), que ajuda a proteger a indústria, mas tem impactos sobre preços;

E ainda a queda na receita fiscal do governo; a redução na venda de manufaturados para a Argentina; a China ganhando espaço comercial na América Latina e no nosso mercado interno; a enorme pressão dos rentistas pelo aumento dos juros, entre outros.

Apesar disso, os números da atual conjuntura evidenciam que ainda estamos em pé, senão vejamos:

• No primeiro semestre de 2014, houve aumento salarial em 93% das Convenções Coletivas,com ganhos reais entre 1% e 3%;
• O preço da cesta básica caiu nas 18 capitais pesquisadas pelo DIEESE, entre julho e agosto (-7,69% a -0,48%).
• O Índice do Custo de Vida do DIEESE, na cidade de São Paulo, variou 0,68% em julho e 0,02% em agosto, arrefecendo.
• O mercado de trabalho formal criou mais de 100 mil postos de trabalho em agosto.
• O comércio calcula que serão criadas mais de 135 mil vagas no final do ano.
• O BC estimou a variação positiva do PIB para julho em 1,5% e indicou trajetória de queda da inflação.
• A atividade produtiva da indústria cresceu 0,7% em julho.

A ciência dos números é insubstituível para dar qualidade ao debate público e apoiar um olhar criterioso sobre a dinâmica da realidade. O desafio é correlacionar as informações para produzir o conhecimento e compreender o movimento do real.

* Clemente Ganz Lúcio é sociólogo, diretor técnico do DIEESE, membro do CDES – Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social

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4 comentários

  1. E aí a Marina

    Aí a Marina fica furiosa de ver o país assim, e decide que se ganhar vai promover um arrocho dos diabos, pra economia quebrar.

    Aí quando o país quebrar ela vem à TV pra dizer triunfante: “eu não disse que o país ia mal?”…

  2. Corrupção

    Se não fosse a corrupção que correu solta a Dilma se elegeria no primeiro turno.

    As pesquisa apontam alto indice de aprovação do governo e baixa disposição de voto.

    A ganancia quase acaba com a pretensão de poder do PT

     

  3. ———- Segundo turnoO

    ———- Segundo turno
    O levantamento divulgado nesta sexta indica que, em um eventual segundo turno entre Dilma e Marina, a candidata do PT tem 47% das intenções de voto e a do PSB, 43%. Segundo o Datafolha, “embora persista o empate técnico no limite da margem de erro, há maior probabilidade de Dilma estar à frente de Marina neste cenário”. Na semana passada, Marina tinha 46% e Dilma, 44%.—–

    Dilma tem 40%, Marina, 27%, e Aécio, 18%, aponta pesquisa Datafolha
    Em simulação de segundo turno, Dilma tem 47% e Marina, 43%.
    Instituto ouviu 11.474 eleitores nos dias 25 e 26 de setembro.
    Do G1, em São Paulo—26/09/2014 19p4 – Atualizado em 26/09/2014 19p7

    Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (26) aponta os seguintes percentuais de intenção de voto na corrida para a Presidência da República:
    – Dilma Rousseff (PT): 40%
    – Marina Silva (PSB): 27%
    – Aécio Neves (PSDB): 18%
    – Pastor Everaldo (PSC): 1%
    – Luciana Genro (PSOL): 1%
    – Eduardo Jorge (PV): 1%
    – Zé Maria (PSTU): 0%*
    – Rui Costa Pimenta (PCO): 0%*
    – Eymael (PSDC): 0%*
    – Levy Fidelix (PRTB): 0%*
    – Mauro Iasi (PCB): 0%*
    – Branco/nulo/nenhum: 5%
    – Não sabe: 6%
    * Cada um dos cinco indicados com 0% não atingiu, individualmente, 1% das intenções de voto; somados, eles têm 1%.
    No levantamento anterior do instituto, divulgado no dia 19, Dilma tinha 37%, Marina, 30%, e Aécio, 17%.
    A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo”.—

    —- Segundo turno
    O levantamento divulgado nesta sexta indica que, em um eventual segundo turno entre Dilma e Marina, a candidata do PT tem 47% das intenções de voto e a do PSB, 43%. Segundo o Datafolha, “embora persista o empate técnico no limite da margem de erro, há maior probabilidade de Dilma estar à frente de Marina neste cenário”. Na semana passada, Marina tinha 46% e Dilma, 44%.

    Na simulação de segundo turno entre Dilma e Aécio, a petista vence por 50% a 39% (49% a 39% na semana anterior).
    O Datafolha ouviu 11.474 eleitores em 402 municípios nos dias 25 e 26 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. Isso significa que, se forem realizados 100 levantamentos, em 95 deles os resultados estariam dentro da margem de erro de dois pontos prevista. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00782/2014.

    Espontânea
    Na modalidade espontânea da pesquisa (em que o pesquisador somente pergunta ao entrevistado em quem ele pretende votar, sem apresentar a lista de candidatos), os resultados são os seguintes:
    – Dilma Rousseff  : 33%
    – Marina Silva: 21%
    – Aécio Neves: 14%
    – Outras respostas: 2%
    – Em branco/nulo/nenhum: 5%
    – Não sabe: 25%

    Rejeição
    A presidente Dilma tem a maior taxa de rejeição (percentual dos que disseram que não votam em um candidato de jeito nenhum). Nesse item da pesquisa, os entrevistados puderam escolher mais de um nome.
    – Dilma Rousseff: 31%
    – Marina Silva: 23%
    – Pastor Everaldo: 22%
    – Aécio Neves: 20%
    – Zé Maria: 17%
    – Levy Fidelix: 17%
    – Eymael: 16%
    – Luciana Genro: 15%
    – Rui Costa Pimenta: 14%
    – Eduardo Jorge: 13%
    – Mauro Iasi: 13%—-

    url:
    http://g1.globo.com/politica/eleicoes/2014/noticia/2014/09/dilma-tem-40-marina-27-e-aecio-18-aponta-pesquisa-datafolha.html

  4. belo post,
    bela

    belo post,

    bela comparação.

    tem a comparação tb com dr jekil e mr hyde.

    o dr famoso transforma-se num

    monstrinho que mata mulheres pela noite.

    múltiplas personalidades, uma  que promete o bem para os bons de sua laia 

    mas tudo se

    imbrica finalmente no mal.

    alguma lembrança deste personagem

    de stevenson na política brasileira atual

    além das lendas amazonicas?

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