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O acordo Oi-Portugal Telecom

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Do Estadão

Portugal Telecom fecha acordo para comprar participação na Oi 

Grupo português deve pagar cerca de 3,7 bilhões por uma fatia de 23% da empresa brasileira; negócio deve ser oficializado hoje

A “supertele nacional” está prestes a se tornar luso-brasileira. A Portugal Telecom fechou um acordo para comprar uma participação de 23% na brasileira Oi por aproximadamente 3,75 bilhões. Segundo fontes de mercado, o negócio, que tem o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deve ser oficializado hoje, se tudo correr bem.

A venda ocorre depois de o governo ter adotado um discurso nacionalista para mudar a legislação e permitir que a Oi comprasse a Brasil Telecom, em 2008. Os bancos estatais chegaram a colocar R$ 6,9 bilhões na operação, para proteger a operadora da concorrência dos espanhóis da Telefónica e dos mexicanos da América Móvil, dona da Embratel e da Claro. Menos de dois anos depois, a empresa já começa a se desnacionalizar.

O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, estava ontem no Rio de Janeiro para finalizar o acordo. O BES é o maior acionista individual da PT, com 7,99%. O conselho de administração da PT se reúne hoje em Lisboa, e deve avaliar a compra da participação na Oi e a venda dos 30% que a empresa tem na Vivo para a Telefónica. Os dois movimentos devem ser simultâneos. A expectativa é que o acordo seja anunciado depois dessa reunião.

A Oi e a PT preferiram não comentar o assunto. A Telefónica chegou a oferecer 7,15 bilhões pelos 30% da PT na Vivo. Apesar de a oferta ter sido aprovada pela maioria dos acionistas da empresa, o governo português vetou a venda, usando sua golden share (ação com direitos especiais).

O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, justificou que a presença no Brasil era estratégica para a PT e para o seu país. Depois disso, procurou articular com o governo brasileiro uma saída para a situação. O acordo com a Oi foi resultado dessa articulação política. Lula chegou a defender publicamente a permanência da operadora portuguesa no Brasil, em visita a Portugal em maio.

Ágio. O valor de mercado da Oi atingiu ontem R$ 13,47 bilhões, o que equivale a 5,86 bilhões. Dessa forma, a PT estaria pagando um ágio de 178% pela sua participação na Oi.

O investimento da PT chega num momento em que a Oi enfrenta uma situação difícil. Seu valor de mercado caiu 42% desde 24 de abril de 2008, um dia antes do anúncio da compra da Brasil Telecom, quando a empresa valia R$ 23,3 bilhões.

Com uma dívida líquida de R$ 21,3 bilhões no primeiro trimestre, a Oi foi obrigada a pisar no freio no que diz respeito aos seus investimentos. A companhia planeja investir de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões neste ano, comparados a uma estimativa de R$ 5 bilhões a R$ 6 bilhões em 2009.

A princípio, os controladores da Oi – Andrade Gutierrez e La Fonte (do empresário Carlos Jereissati) – ficaram receosos de ter de compartilhar o controle da companhia com novos sócios. Juntos, Andrade Gutierrez e La Fonte têm somente 38,65% do capital da Telemar Participações, dona da Oi, e só conseguem ter o controle da empresa porque sua fatia se soma aos 11,49% do Fundo Atlântico, dos funcionários da Oi. Os 49,86% restantes pertencem ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a fundos de pensão de estatais.

Com a intervenção do governo, conseguiram acertar uma maneira coordenada para que a PT entrasse no capital da empresa, sem colocar em risco a sua posição de controle.

A posição da Portugal Telecom, durante as negociações, era de que não se contentaria em ser um simples investidor. Mesmo minoritária, a empresa queria ter alguma influência na administração. O Brasil é essencial para a companhia, já que mais da metade de seu faturamento vem do País.

PARA ENTENDER
Telefónica quer integrar operações

A Telefónica uniu suas operações móveis brasileiras com as da PT no fim de 2002, para formar a maior operadora celular do País. Foi criada a Brasilcel, em que as empresas têm participações iguais, para controlar 60% da Vivo.
Os conflitos surgidos desse comando compartilhado surgiram logo em seguida, o que fez com que a Telefónica buscasse a compra da participação dos portugueses. Em maio deste ano, a empresa espanhola ofereceu 5,7 bilhões pela fatia dos portugueses na Vivo.
Uma campanha dos executivos portugueses com investidores internacionais levou os espanhóis a elevar a oferta por duas vezes, chegando a ? 7,15 bilhões. Segundo fontes do mercado, durante as negociações, que acabaram sem resultado, essa proposta chegou a 7,5 bilhões.
A Telefónica quer integrar a Vivo à Telesp, concessionária de telefonia fixa de São Paulo. Com isso, conseguiria se beneficiar de sinergias de 2,8 bilhões, conforme cálculos da própria empresa. 

Por João V.

Segundo a conferência de imprensa que decorreu há pouco por parte da direcção da Portugal Telecom (PT) a participação desta no capital da Vivo (29%) foi vendida à Telefónica por 7,5 bilhões de euros, após o que a PT adquire 22,4% da OI por 3,75 bilhões de euros.

Esta entrada da PT na OI tem, por sua vez, alguns pressupostos relevantes.

Em primeiro lugar esta percentagem indica que o controlo da OI permanece em mãos brasileiras, respondendo, assim, à vontade da presidência brasileira. Em segundo lugar ficou acordado que dois terços do dinheiro da compra da participação da PT na OI, cerca de 2,5 bilhões de euros, ficam em caixa, portanto, esses dois terços não são dispersos por accionistas em forma de dividendos, mas tornam-se um factor de investimento para a OI. Isto indica que esta entrada da PT não é uma entrada meramente financeira, mas uma operação de capitalização da OI com vista ao no crescimento e desenvolvimento de suas operações e produtos.

Em conjugação com isto, reforçado em parte pela proibição acordada da PT não vender qualquer parte da sua participação na OI por cinco anos, o interesse mencionado pela administração da PT na aquisição dos 22,4% da OI é dito de natureza empresarial, ou seja, de longo prazo, onde a aquisição de valor para a PT corre a par e passo com o desenvolvimento empresarial da OI e não, portanto, um interesse especulativo que vise tão simplesmente a venda de sua participação à primeira oportunidade de mais valias consideráveis. O que se espera, então, é que a PT seja uma parceira empresarial da OI dentro das possibilidades e capacidades que os 22,4% lhe conferem.

Em terceiro lugar, e por fim, esta entrada da PT na OI fez-se sem qualquer hostilidade, ou seja, salve melhores informações, teve o acordo de bom grado quer da maioria da administração da OI, quer do governo brasileiro, que, por sua vez, têm em vista, respectivamente, o interesse restrito da empresa e o interesse geral do país.

Claro que num mercado com alguma competitividade, como é o das telecomunições no Brasil, estes três pontos que mencionei não resultam necessariamente numa empresa competente e lucrativa. Isto, antes como agora, depende do comportamento da empresa no mercado cuja verificação só o futuro poderá fazer. 

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