O amadorismo dos novos aplicadores da bolsa explicava quem comprava o que os estrangeiros vendiam, por Rogério Maestri

Agora o que levou estas famílias a deixarem suas crianças operarem as reservas das famílias enfiando-as na bolsa de valores em alta que já era insustentável?

O amadorismo dos novos aplicadores da bolsa explicava quem comprava o que os estrangeiros vendiam

por Rogério Maestri

Por muito tempo as pessoas que entendem um pouco de economia não entendiam como a economia brasileira mostrando claros sinais de total fragilidade a bolsa de valores conseguia até poucos meses atrás continuar a crescer mostrando máximos sem a mínima correlação com a realidade econômica.

Quando estoura a pandemia do coronavírus, e começam as bolsas internacionais a caírem, primeiro as chinesas depois as europeias e por fim as norte-americanas, fica desvendado a total incompatibilidade dos valores das empresas com seus valores na bolsa, mas mesmo assim, precisou que a bolsa norte-americana despencasse para que a Bovespa despencasse junto.

Porém muitos perguntam, nos primeiros sinais claros que o coronavirus ia corroer uma economia com um grau de endividamento das empresas a tal ponto que segundo o próprio Banco Mundial ter publicado em dezembro do ano passado, com apoio e dados do FMI, que estava se criando um Tsunami de dívidas PRIVADAS e públicas simplesmente impagáveis. A palavra Tsunami não é uma figura de retórica minha é simplesmente a FIGURA DA CAPA do trabalho do Banco Mundial, para um mal entendedor várias linhas escritas deveriam bastar, mas infelizmente para uma enorme quantidade de crédulos de classe média que mais olhavam os gráficos de subida e decida da bolsa e de outras aplicações financeiras, confiando cegamente na análise dos famosos gráficos de Candlestick, criados em meados do século XVIII, nas antigas bolsas de arroz de Osaka, em que tanto os novos chegados como os “Faria Limers” utilizavam para as bolsas de valores e para até a evolução das moedas virtuais sem levar em conta que os princípios que levaram a criação destes gráficos eram COMPLETAMENTE DIFERENTES do que a operação num mercado totalmente monopolizado por algumas dezenas de megaespeculadores, mas isto já é outro assunto.

Pois bem, enquanto os grandes especuladores internacionais retiravam dia a dia grandes valores que atingem próximo de 100 bilhões de dólares em menos de seis meses, estes títulos, que estão na direção de virar pó, iam sendo comprados por CRIANÇAS (crianças mesmo ou adultos imaturos) com as economias das famílias de média e até alta classe média brasileira.

Agora o que levou estas famílias a deixarem suas crianças operarem as reservas das famílias enfiando-as na bolsa de valores em alta que já era insustentável?

A resposta é simples, são quatro ignorâncias que se sobrepõe mais a indução ao erro feito por estelionatários da informação. Quais são as “ignorâncias”? A econômica de base, o conhecimento do mercado, a política e finalmente a ignorância propriamente dita.

A primeira mais sofisticada, que é comum tanto aos operadores experientes como aos iniciantes. Todos os operadores não tem o mínimo conhecimento de macroeconomia e também de economia histórica, se perguntar a qualquer operador o que são e quais as bases dos Ciclos de Kondratiev ou a teoria das ondas longas, 99% vai olhar com cara de espanto e perguntar o que é isto, e talvez em macroeconomia e história da economia, talvez para um operador de mercado é um dos itens mais importantes que junto com o chamado Momento Minsky é a base da definição da época em que se deve sair do mercado e investir em plantações de bananas! Não estou exigindo que eles saibam a Lei da tendência à queda da taxa de lucro de Marx, pois mesmos alguns economistas que se dizem marxistas não sabem ou desprezam a lei que Marx reconheceu como a sua maior contribuição da economia moderna. A maior parte dos “Faria Limers” mais cultos e estudados provém de cursinhos de administração de empresas de universidades privadas de terceira linha e facilitando EAD, sem contar dos economistas formados em grandes centros que fizeram tudo para esquecer o que apreenderam.

A falta de conhecimento do mercado a médio e a longo prazo, é outro tipo de ignorância, pois não há a memória de eventos semelhantes que ocorreram no passado, não digo que tenham que saber detalhes do  Crack de 29 pois na verdade os mecanismos de parada de negociações quando cai muito num só dia, foram criados para evitar suicídios e falências em um só dia, tornando os suicídios mais diluídos ao longo de uma ou duas semanas e as falências também, logo a dinâmica não é exatamente a mesma, é semelhante mas com nuances.

A ignorância política também se sobrepõe as anteriores, num destes sites que tem cotações de moedas, bolsas, criptomoedas e mais outras informações primárias das financias capitalistas, comecei a seguir já no ano retrasado para estudar o comportamento das criptomoedas, quando já tinha conhecido o suficiente deste mercado, passei a olhar as cotações da bolsa, porém o mais interessante foi acompanhar o fórum que há junto a cada tipo de investimento. A mediocridade e ignorância política de grande parte daqueles que seguiam o fórum era patente principalmente quando começavam as grandes oscilações, comentários do tipo “o mito vai dar um jeito nisto” e outras besteiras apareciam no meio do ano passado, porém nos últimos dias parece que grande parte dos “mitômanos” (o sentido da palavra não é o dicionarizado) desapareceram e muitos começam a se dar conta que foram enganados. Há também os que atribuem um fenômeno planetário aos políticos de Brasília (uma forma aguda de ignorância política e econômica).

Por fim, vem a ignorância propriamente dita, que é composta de duas partes, o pseudo conhecimento das gerações mais jovens da operação de aplicativos, que é muito semelhante há uns vinte anos quando vulgarizava o uso dos computadores, o jovem que sabia ligar e desligar o computador e abrir um site para ver pornografia, era considerado pelos pais como um grande conhecedor de informática, porém não sabia nem programar duas linhas em linguagens um pouco mais sofisticadas, me deparei com centenas destes casos em disciplina que lecionava numa escola de engenharia e os alunos não sabiam nem o que era um programa. Esta ignorância é cultivada de forma mais intensa hoje em dia com cursinhos básicos no YouTube de como operar no mercado financeiro sem sair de casa. Quando um mercado está em alta, até um macaco faz dinheiro, se colocarmos duas alavancas que em determinado macaco compra aleatoriamente uma ação tocando o dedo na tela e com isto ganhando uma banana, se ele for treinado para decidir a chance dele ganhar bananas na alavanca de comprar é imensa, só que ele vicia na alavanca e vai continuar comprando mesmo que o mercado entre em baixa.

Mas para motivar todo este pessoal, deve ter seus animadores de torcida que só dão belas notícias e aí que entram os discursos das redes de sucesso promovidos por um grupo de estelionatários de alto nível composto de “analistas econômicos” das grandes redes de informação televisiva e escrita, por gestores de fundos de aplicação em títulos de risco e de mais uma série de pseudo experts em bolsa de valores, de aplicação financeiras e mais uma corja de vigaristas.

Em resumo, até que procurei dar alguns conselhos no momento que lia o fórum, mas havia uma concorrência desleal, eu dando conselhos numa direção e os animadores de torcida dando sugestões exatamente ao contrário e com isso foram-se as economias próprias, da mamãe, do vovô e até das tias velhas, pois o Zezinho sabia tudo de como ganhar na bolsa!

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