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O BB e a competição bancária

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Coluna Econômica

Ontem, em entrevista coletiva, a diretoria do Banco do Brasil apresentou o novo posicionamento estratégico do banco. Antes da coletiva, abordei em detalhes no meu Blog (www.luisnassif.com.br).

Alguns pontos importantes a serem destacados.

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Quando sobreveio a crise mundial, houve um estancamento imediato do crédito. Primeiro, pelo secamento das fontes externas de captação. Depois, pelo receio dos bancos de uma possível explosão de inadimplência.

Como controlador dos bancos públicos, o governo ordenou que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal colocassem o pé no acelerador.

Houve enorme grita de alguns analistas econômicos, prenunciando perda de valor do BB (que tem capital em bolsa), falando de ingerência política indevida.

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OsrOs resultados alcançados demonstraram o contrário.

O BB acelerou a oferta de crédito e sua participação no mercado saltou de 18,5% para 20% de todo o crédito oferecido – um saldo monumental em tão pouco tempo. A inadimplência continuou em patamares inferiores aos da média do mercado.

Sorte? Não propriamente. Em vez de se fiar nas análises dos departamentos econômicos do mercado – ou da mídia – o banco decidiu analisar seu próprio cadastro de clientes, pegando no pulso da economia real.

Ele tem a maior folha de salários (de clientes) do sistema, o maior número de empresas privadas de todos os tamanhos e setores e um departamento de crédito que, desde os anos 90, aprimorou as análises setoriais.

Além disso, tem a maior rede bancária do país.

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Constatou que, fora o pânico midiático, a economia real continuava em ordem, os setores funcionando. O único insumo que faltava era justamente crédito.

Do ano passado para cá, todo sistema bancário caiu de cabeça na concessão de crédito, para recuperar o espaço perdido para o BB.

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No fundo, repete-se o mesmo processo que acomete muitos setores, quando ocorre uma acomodação entre os participantes.

A competição ocorre quando um participante do jogo percebe que pode ganhar mercado reduzindo seus preços. No caso do sistema bancário, a alta taxa de juros e o preço elevado das tarifas desestimulavam a competição. Todos ganhavam mais se, em vez de competir, mantivessem tarifas elevadas e direcionassem os recursos para títulos públicos – em vez de emprestar.

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Dois fenômenos recentes ajudarão a destravar a competição. O primeiro, a redução da taxa Selic – interrompida de forma incompreensível pelo Banco Central, mas que deve retomar sua trajetória de queda. Selic alta afeta de duas maneiras o crédito. Primeiro, torna mais atraente os títulos públicos – rentabilidade alta, risco baixo. Depois, encarece a captação de recursos. Para emprestar na ponta – compensando a elevação da taxa de captação e o spread – o banco cobra caro, aumentando o risco de inadimplência.

O segundo ponto é a entrada de um público potencial imenso no mercado, os “sem-banco” que começam a entrar no mercado de consumo e, por consequência, no mercado de crédito.

Ao decidir competir pesadamente no mercado, o BB ajudou o sistema bancário como um todo a entrar de cabeça na competição. 

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