O bombardeio do Líbano

do leitor André Araújo

O Brasil tem tal força integradora multicultural que dissolve todas as nacionalidades e raças (com exceção de uma). A diáspora libanesa no Brasil, a maior entre todas, desligou-se de tal forma do país de origem que não se ouve aqui, nem por formalidade, qualquer manifestação pela preservação do Líbano frente aos desproporcionais e injustificáveis ataques de Israel a alvos civis dentro do território libanês, alvos que não tem qualquer relação com os ditos ataques do Hezbollah e que visam unicamente espalhar o terror sobre a população civil libanesa, uma tática tìpicamente nazista.

Os brasileiros de origem libanesa, se contados por terem pelo menos um lado libanês (como eu) atingem 16 milhões. De sobrenome libanês as melhores estimativas dão como 7 a 8 milhões. É uma população extremamente representativa, mas que não está presente nos conselhos da diáspora, congregada em torno da União Libanesa Mundial com sede no México, onde há só um desconhecido brasileiro.

Talvez seja essa uma força e uma fraqueza do Líbano. Os libaneses se integram tão bem que esquecem as raízes, especialmente no Brasil.

De qualquer forma é estranhável o alheamento por completo dos clubes e associações libaneses no momento que o país de seus ancestrais está cercado, bloqueado e sob bombardeado, com mortos exclusivamente civis e dentre esses grande numero de mulheres e crianças, um massacre estúpido e sem sentido a que o mundo aparentemente assiste impassível.

A diáspora libanesa nos EUA, a segunda em número após a do Brasil, está fazendo muito barulho por lá, embora em absoluta desvantagem frente à esmagadora força dos judeus na sociedade americana, grande em números (mais de 6 milhões) e especialmente em influência e mais do que tudo, uma diáspora judaica ultra-radical pró-Israel sem nenhum balanceamento.

De qualquer modo os libaneses-americanos são valentes lutadores e tentam fazer o seu papel.

No Brasil? Nada.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora