O controle áereo e a aviação civil

Enviado por: Miguel Lampert

Prezado Nassif,

Sugiro que seu trabalho enfoque o anacronismo que é a militarização da formação e atividade dos Controladores de Vôo, os quais, sob todos os sapectos, têm tanta responsabilidade na segurança do funcionamento do “sistema aéreo” quanto os pilotos de aeronaves. Como ficou demonstrado no inquérito do acidente com o Boeing da GOL.

O fato é que, lá pela década de 30, o Exército (a FAB ainda não existia)decidiu bloquear aos Sargentos o acesso à “glamurosa” atividade de pilotar aviões”. A estes seria reservada apenas as atividades periféricas especializas como as de mecânicos, fotógrafos, radiotelegrafistas, enfermeiros, artilheiros e….Controladores de Tráfego Aéreo.

Estes viriam a compor o quadro de sargentos formados na Escola de Especialistas da Aeronáutica de Guaratinguetá. Ao passo que o Pilotos seriam formados, primeiro no Campo do Afonsos depois na Academia de Pirassununga.

Puro provincianismo elitista, uma vez que no exécito frances, no qual se espelhou a Aviação Militar brasileira em seus primórdios, havia sergentos pilotos, e penso que existam até hoje.

O fato é que os componentes das duas primeiras turmas de Sargentos pilotos formadas no Brasil foram encorajados a deixar a tropa o que, efetivamente fizeram, para compor a primeira leva de pilotos a operar os aviões da nascente aviação comercial do Brasil.

Passaram-se os anos, a aviação comercial cresceu e formou o seu próprio mercado de trabalho. Companhias como a antiga Panair e a moribunda Varig passaram a disputar os melhores pilotos e a remunerá-los em consonâcia com o mercado e com o custo das aeronaves que operavam.

Obviamente, o mesmo não aconteceu com os pilotos militares. A missão destes é outra e nem é possível dizer que exista (fora do circuito mrcenário internacional) um “mercado” para pilotos de caça ou de bombardeiros. Assim sendo, o nível de remuneração (e de experiência) de um Coronel antigo, “bem voado”, é muito inferior ao de um “Comandante” de linha internacional.

Chegamos finalmente á pergunta crucial: E os sargentos “especialistas” em Controle de Tráfego Aéreo, como é que ficam?

Seriam estes profissionais os responsáveis pela “Integridade do Território Nacional”, argumento que embasa a permanência desta atividade sob o comando da Força Aérea Brasileira?

Não podem ser remunerados como “Coroneis”, posto que são Sargentos. Tão pouco reivindicar salários compatíveis com a responsabilidade e o desgaste de sua atividade, dedicada à aviação civil, posto que estão sujeitos aos regulamentos militares?

Para encerrar, caro Nassif, parece ter chegado a hora de entregar ANAC as suas responsabilidades legais, e tirar esta atividade debaixo das asas dos aviões da FAB.

Grato pela oportunidade de manifestar minha opinião.

Sds
Miguel Lampert

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora