O desastre aéreo

Francamente não entendi a postura da Embraer, nesse episódio de demissão de 20% de sua folha de salários.

A crise é braba, um dos setores mais afetados é a aviação. Como a Embraer trabalha com encomendas de longo prazo, é mais fácil prever os próximos anos. E a tormenta dve ter vindo pesada, para uma atitude tão drástica.

O que causa espécie é o fato de não ter buscado novas alternativas. Essa atitude drástica traz um conjunto enorme de perdas adicionais para a empresa.

Perde mão de obra especializada, difícil de preparar – apesar dos engenheiros terem sido poupados. Mais importante que isso, compromete uma relação com a comunidade e com os funcionários que foi construída ao longo de décadas.

Ontem, a televisão entrevistava alguns desses demitidos. Ainda atarantados, pessoas com trinta anos de Embraer faziam questão de elogiar a empresa, dizer que a Embraer fazia parte de sua vida, do orgulho que era trabalhar na empresa. Como toda pessoa que se sente traída, o próximo sentimento a aflorar será o de raiva.

Em muitos lugares, se procuraram soluções intermediárias, como suspensão temporária do contrato de serviço. Poderia haver um programa de realocação dos funcionários, a possibilidade de orientá-los a montar pequenas empresas de prestação de serviço. A própria Embraer tem um trabalho exemplar com a prefeitura de São José dos Campos e com a comunidade.

Em si, o episódio já choca, por ser o maior caso de demissão coletiva da moderna história das empresas brasileiras, talvez equiparável apenas ao da CSN ou outras empresas privatizadas nos anos 90. A seco, choca mais ainda.

Vou tentar conversar com a empresa durante o dia para entender suas razões.

Por Ricardo

Olá,

O contraponto aqui é que dia desses desembarcou em Montreal um grupo de 50 engenheiros que trabalhavam na Embraer para trabalhar na rival Bombardier. O assédio iniciou em meados do ano passado e repetiu manobra idêntica feita um ano e meio antes. O motivo desta vez é o desenvolvimento de um jato regional chamado CSeries, do qual a Lufthansa já colocou um pedido de 30 com opção para mais 30.

Curioso que é justamente a aviação regional um dos ramos da aviação que mais sofrem com a atual retração do mercado. Prova que o futuro é mais intensamente rosa quanto mais se olha a frente.

É intrigante o timing com que esta indústria trabalha. Não tem nem um mes que na mesma Bombardier mais de 1.300 pessoas foram demitidas. Na Boeing se fala em corte de 10.000 postos de trabalho. A Airbus acaba de anunciar um corte na produção da linha A320.

Turbulência pesada a frente. Que este “vôo” seja breve.

Por duvidoso

A empresa deixou a máscara cair.

A crise e o câmbio desvalorizado contribuíram em muito para estas demissões, porém, acho que não foram as únicas causas.

Os últimos balanços já mostravam quedas nas margens operacionais e na receita líquida. O mercado já tinha percebido que a empresa não conseguiria dar o retorno esperado. As ações já tinham caído, antes da crise, mais de 30%.

Faltou conversas e negociações com outros setores envolvidos. A reação da empresa foi, num momento delicado, seca e unilateral.

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