O fosso que separa a classe média “tradicional” e a “nova”

Por ArthurTaguti

Comentário ao post “Ainda estamos aguardando o verdadeiro “gigante” acordar

Frederick Montero, por falha minha, confesso, deveria ter estabelecido uma premissa no meu texto. A classe média a que me refiro no texto é a dita “tradicional”. Assim sendo, não considero como classe média a composta pelo contingente de pessoas pobres que tiveram acréscimo de renda considerável no governo Lula.

Compartilho da opinião de Márcio Pochmann, que talvez seja o intelectual que mais tem propriedade para falar sobre o assunto. Ele estatui: “Não tem classe nova, muito menos média. O que se tem é uma ampliação da classe trabalhadora. […] São ocupações [vinculadas à terceirização, ao trabalho temporário, à prestação de serviços as famílias, à construção civil] e rendas [remunerações em torno de 1,5 salário] típicas da classe trabalhadora. […] Seja pelo nível de rendimento, seja pelo tipo de ocupação, seja pelo perfil e atributos pessoais, o grosso da população emergente não se encaixa em critérios sérios e objetivos que possam ser claramente identificados como classe média.””

Nesse contexto, é possível sim isolar nossa classe média dita “tradicional” da parcela de indivíduos mais pobres da sociedade, composta inclusive pela classe média “nova”. Este último substrato não foi a face mais visível dos protestos ocorridos no Brasil, como atestado pelo atual Presidente do Ipea.

Existe ainda um fosso que separam as duas classes médias, tanto material, quanto ideológico. A tradicional, majoritariamente se move pelo desejo de ascensão social, pelo sonho/expectativa de se tornar elite.

Não figura entre seus maiores desejos viver em uma sociedade em que a tal da nova classe média a alcança nos quesitos renda e oportunidades. Tanto assim o é que o anti-lulismo e o anti-petismo que pulula na classe média tradicional é um típico movimento de reação às políticas redistributivas praticadas sob Lula. 

Quem é que nunca ouviu reclamações de que agora os aeroportos estão cheio de pobres? Ou que nordestino é que elege o PT porque recebe Bolsa Família?

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