O fracasso da gestão Guedes e Roberto Campos Neto, por Luis Nassif

Hoje em dia, a única estratégia de recuperação da economia é inócua. Consiste em tentar derrubar as taxas de juros longas para destravar investimentos. E como derrubar as taxas de juros longas? Exclusivamente através do aumento da taxa Selic.

Agência Brasil

Os dados do IPCA-15, que acabaram de ser divulgados, comprovam a extraordinária incompetência da política econômica de Paulo Guedes. Guedes é incapaz de pensar a economia sistemicamente. Ou seja, entender as influências recíprocas entre os diversos eventos econômicos.

Hoje em dia, a única estratégia de recuperação da economia é inócua. Consiste em tentar derrubar as taxas de juros longas para destravar investimentos. E como derrubar as taxas de juros longas? Exclusivamente através do aumento da taxa Selic. Supostamente, o aumento da Selic derrubaria a inflação e derrubando a inflação atual os investidores irão acreditar que a inflação futura irá cair, derrubando as taxas de juros futuras.

Aqui, o gráfico da taxa de juros futura explodindo depois da elevação da Selic.

Conforme você pode conferir na Coluna Econômica, a elevação da Selic foi um erro tático grave do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central)

No caso, foi um erro tático. Mas consequência óbvia dos erros estratégicos da política econômica. Qual era a lógica?

  1. Deixar tudo livre, preços, câmbio, comércio exterior.
  2. Não tomar nenhuma medida de reativação da economia.
  3. Sem nenhuma reação da Economia, com o fim das expectativas de crescimento da economia e o aumento da pandemia, o dólar explodiu, ao mesmo tempo em que explodiam as cotações internacionais de commodities. Em geral, quando há aumento das receitas externas de commodities, o câmbio cai pelo aumento da oferta de dólares. Agora, o real continuou desvalorizando, um fato inédito mostrando a extraordinária incapacidade da Economia e Banco Central de tratar situações extraordinárias com medidas práticas.
  4. O aumento das commodities impactou os preços. Houve um aumento intenso no IPCA. Sorte de Guedes que a mídia deixou de acompanhar o IGP-M (Índice  Geral de Preços do Mercado), indexador de vários contratos e que literalmente explodiu.

Os índices de preços

Vamos ver, primeiro, os dados do IPCA-15 (prévia do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado).

A primeira tabela mostra as variações nominais de preços. A segunda, o impacto dessas variações no índice final.

O IPCA-15 teve aumento de 0,93% em março e de 5,52% em 12 meses.

As maiores altas nominais foram dos grupos de Alimentação e Bebidas (+14,53%), Artigos de Residência (+7,67%) e Transportes (+6,18%).

Quando se analisa o impacto dos grupos no resultado final, dos 5,52% de alta do IPCA-15, 3,05% foram de Alimentação e Bebidas e 1,23% de Transportes.

Agora, analise os ítens de alimentação que mais pesaram no grupo Alimentação e Bebidas. Só a Carne respondeu por 0,90% do IPCA-15 anual; Óleos e Gorduras por 0,26%; frutas, 0,27%.

Carne e Óleos foram diretamente impactados pela dobradinha câmbio-cotações internacionais.

Analise, agora, a questão dos Transportes.

No acumulado de 12 meses, Transportes respondeu por 0,06% do IPCA anual, sendo que 0,14% foi representado pelo subgrupo de combustíveis de veículos. Quando se analisa o mês de março de 2021 isoladamente, percebe-se que daqueles 0,14%, 0,11% foram exclusivamente no último mês de março.

Os demais índices

Não é apenas isso. O IPCA se tornou praticamente o único índice a merecer atenção da mídia, por ser utilizado no cálculo do IPCA. O IPCA é impactado pelo câmbio, mas as altas são diluídas por outros grupos,

Outros índices, como o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), medida pela Fundação Getúlio Vargas, capta de forma mais clara os efeitos do câmbio, especialmente seu impacto nos preços do atacado.

Esse índice serve para corrigir contratos de empresas prestadoras de serviço de diversas categorias, como educação e planos de saúde e contratos de aluguel.

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