O jogo especulativo da Folha

A CVM não pode deixar passar em branco. É evidente o jogo especulativo que a Folha está fazendo com as ações da Petrobras. A intenção suspeita é desvalorizar os papéis da empresa, à véspera de um IPO (lançamento de ações no mercado).

A lógica é simples:

1. O valor das ações dependerá da maneira como a empresa for capitalizada. A União capitalizará a Petrobras passando-lhe reservas de petróleo. Quanto maior o valor do petróleo incorporado, maior será a diluição do capital privado – e, portanto, menor o valor das ações da empresa.

2. A Folha entrevista um personagem – Haroldo Lima, diretor geral da ANP (Agência Nacional de Petróleo) – sem nenhuma ingerência no processo. A ANP não tem atribuição de precificar o valor do petróleo, para efeito de capitalização; não tem nenhuma participação no sistema de decisão nem da empresa nem do governo; e a posição expressada é claramente ideológica. Pode até ser que o preço do barril, para efeito de capitalização, seja maior. Mas Lima não terá a menor ingerência nem é fonte para esse tipo de informação.

4. No entanto, mereceu mais uma vez manchete principal do jornal.

Da Folha

“Brasil ficará mais dono da Petrobras”

Diretor da Agência Nacional do Petróleo quer preço das reservas “o mais alto possível”, antes de capitalização

Quanto maior o valor das reservas, mais ações a União poderá adquirir da empresa, o que prejudica minoritário

VALDO CRUZ
DE BRASÍLIA

O diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Haroldo Lima, defende que o governo saia “mais dono” da Petrobras após a capitalização da empresa e que o preço das reservas de petróleo que a União usará na operação seja o “mais alto” possível, porque é “bom para os brasileiros”.
Lima avalia como “baixo” um preço entre US$ 5 e US$ 6 para o barril de petróleo das reservas que a União cederá à estatal como sua parte no aumento de capital -esse valor é citado por analistas de mercado e criticado internamente pelo governo.
Em entrevista à Folha, ele disse que nem minoritários nem Petrobras podem querer “ganhar” à custa da União pressionando por um preço que não seja “vantagem” para os brasileiros. A ANP contratou a Gaffney, Cline & Associates para avaliar o volume e o valor dos 5 bilhões de barris de petróleo que a União dará à Petrobras na capitalização da empresa. Quanto maior o valor, mais ações poderá adquirir.
Apesar de a consultoria considerar o prazo “estreito”, prometeu entregar no final do mês o laudo a ser usado nas negociações entre o governo e a estatal para definir o preço do barril. Leia trechos da entrevista.

Folha – Quando fica pronta a certificação das reservas e do preço dos barris de petróleo que a União usará na capitalização da Petrobras? Haroldo Lima – Fizemos um cronograma com a certificadora, que foi revisto há poucos dias, e foi reconfirmado para o final de agosto. Não há atraso previsto. Pode ser que aconteça, mas até o presente instante a previsão é de cumprir o prazo.

Até o final deste mês saem tanto o cálculo das reservas como do preço dos barris?
A certificação é do cálculo volumétrico e uma apreciação de valor. As avaliações estão sendo feitas nos campos de Franco e de Libra [na região do pré-sal]. A lei da capitalização prevê a cessão onerosa à Petrobras de 5 bilhões de barris de petróleo. Se puder ser medido somente em Franco, será uma vantagem para a União.

Qual a estimativa?
Ainda não temos o número fechado. Estimamos 4,5 bilhões de barris em Franco, antes da certificação.

No mercado se fala num preço do barril de petróleo entre US$ 5 e US$ 6.
Fica difícil para dizer. A certificação está sendo feita e um dos pontos mais controvertidos é a questão do valor. Eu acho que um preço entre US$ 5 e US$ 6 está baixo. É uma opinião pessoal minha.

Quanto maior o preço do barril, melhor para a União?
Daí achar que um barril baixo, entre US$ 5 e US$ 6, não é vantagem para a União, para os brasileiros. Um barril mais alto é bom para os brasileiros. Claro que não podem aumentar de forma aleatória, irrealista. Também não podemos baixar e prejudicar o Brasil.

Qual a sua expectativa com a capitalização? Que o país fique mais dono ou menos dono da Petrobras?
Espero que o Brasil fique mais dono da Petrobras. Toda vez que nós discutíamos isso na antiga comissão, a que discutiu o novo marco regulatório do petróleo, dizia que nós estávamos projetando muitos favorecimentos à Petrobras, como a cessão de 5 bilhões de barris, a condição de operadora única.
Tudo isso se justificava, posto que nós poderíamos sair mais donos da Petrobras. 

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