O novo ritmo do crescimento

Coluna Econômica

A avaliação mais detalhada dos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre produção industrial comprova que não havia razão para o terrorismo do Banco Central e do mercado acerca do aquecimento da economia – e que levou à alta da taxa Selic.

Depois de um primeiro trimestre aquecido, em abril houve recuo de 0,8% e em maio não se registrou crescimento. Dos 27 setores pesquisados, houve aumento de 16 e recuo em 11.

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TTodo ciclo de crescimento se dá assim. Primeiro, há a ocupação gradativa da capacidade instalada existente. À medida que vai se ocupando o espaço, as indústrias planejam novos investimentos. Se sentem que o crescimento será constante, compram novas máquinas e a economia ingressa em outro ciclo produtivo.

A grande crítica ao BC é que sempre que se chega a esse ponto, há um aumento na taxa de juros que aborta o crescimento, impedindo a conclusão do ciclo.

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Segundo análises do IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial), no corte por categoria de uso, houve crescimento em três dos quatro segmentos da indústria.

Em expansão há  14 meses, bens de capital registrou a maior taxa de crescimento (1,2%) pelo terceiro mês consecutivo. O aquecimento desse setor significa justamente aumento da capacidade instalada da indústria.

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Já os setores consumidores de máquinas – o de bens intermediários e de bens de consumo duráveis – aumentaram 0,1%. Enquanto o segmento bens de consumo semiduráveis e não-duráveis caiu 0,9%, somando 2,2% de queda no bimestre.

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A conclusão óbvia é que a indústria não crescerá mais no ritmo observado no primeiro trimestre, no qual houve mera recuperação do ritmo de produção provocado pela recomposição dos estoques e pela antecipação de compras de bens com isenção de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) – cuja isenção caiu em abril.

Continuará o crescimento, mas em ritmo perfeitamente suportável. E não se pode falar que essa queda refletiu a alta da Selic, pois os efeitos dos juros levam no mínimo seis meses para aparecer.

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O grande risco da economia continua sendo as contas externas. O superávit comercial tem caído sistematicamente, devido à recuperação da economia interna às taxas cambiais desfavoráveis.

Agora, surgem no ar sinais de uma terceira onda recessiva na economia mundial, devido aos ajustes fiscais empreendidos pelos países da Zona do Euro – afetando exportações do ano todo.

E aí se entra na “herança maldita” de Lula, para contrabalançar as várias heranças benditas. A recessão mundial levará todos os países a ampliarem os esforços exportadores. Já está em curso um processo pernicioso de desvalorização das moedas nacionais em todo o mundo.

A conta acabará  recaindo inevitavelmente sobre o Brasil, na forma de aumento cada vez maior das importações e dificuldade cada vez maior de ampliar as exportações.

As reservas cambiais impedirão oscilações imediatas no câmbio. 2011 não será o mesmo que foi 2000 – onde houve o ajuste cambial que FHC se recusou a fazer no ano anterior. Mas trará dificuldades.

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