O que está por trás das manifestações no Chile

Precariedade do emprego e desigualdade social puxaram agitação civil vista nos últimos dias

Jornal GGN – O reajuste de 3% na tarifa do metrô de Santiago foi o estopim para uma série de protestos no Chile ao longo dos últimos dias, mas também a comprovação de que muitos cidadãos se sentem esquecidos pelas autoridades em um contexto de desigualdade social e precariedade do emprego.

Para pesquisadores consultados pelo jornal britânico Financial Times – em artigo publicado no jornal Valor Econômico – , as manifestações deixaram claro o mal-estar social existente e a percepção de que uma grande parte da população chilena se viu deixada para trás pelas autoridades e não aproveitou o grande crescimento econômico vivenciado pelo país nas últimas décadas.

Além disso, os pesquisadores pontuam que as manifestações chilenas foram espontâneas e descentralizadas, o que terminou por não impedir as forças de segurança de utilizarem a violência para contenção.

Com uma oposição fortalecida e a falta de maioria no Congresso, o governo de centro-direita de Sebastián Piñera não conseguiu adotar muitas das reformas pró-mercado que gostaria, e tudo indica que os obstáculos devem aumentar.

Consultado pelo jornal britânico, o cientista político Patricio Navia, da New York University, traçou paralelos com o quadro atual chileno e o que ocorreu com a Venezuela 30 anos atrás quando os protestos gerados pelo aumento nos combustíveis (parte de um plano de austeridade do FMI – Fundo Monetário Internacional) abriram caminho para a ascensão de Hugo Chávez.

Assim como a Venezuela de três décadas atrás, o pesquisador diz que a economia chilena é a mais estável da América Latina, mas que sofre com a alta desigualdade, grande dependência de uma só commodity e “uma classe política corrupta cada vez mais distanciada”.

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