O que pensa Dilma Rousseff – 1

Do Último Segundo

Coluna Econômica 18/02/2010

Afinal, o que pensa a provável candidata à presidência, Dilma Roussef? Nesta quinta-feira será lançado um livro com o texto completo de uma entrevista com ela, feita por Emir Sader, Marco Aurélio Garcia e Jorge Mattoso.

O nome do livro é “Brasil, entre o passado e o futuro”. Parte pequena da entrevista foi antecipada pela “Folha”esta semana.

A entrevista completa permite uma visão consolidada dos novos princípios de política econômica, papel do Estado, papel da Cultura, meio ambiente e outras teses que amadureceram ao longo dos últimos anos.

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Na primeira parte da entrevista, é solicitado à Dilma que defina as diferenças entre o governo Lula e seus antecessores.

Dilma resume em quatro movimentos estruturais: crescimento da economia com estabilidade, expansão do mercado interno, reinserção internacional do país e redefinição das prioridades do gasto público.

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No primeiro movimento, foi fundamental a política monetária, com metas de inflação, a redução gradativa dos juros e a acumulação de reservas cambiais pelo Banco Central, diz ela.

No segundo movimento, a expansão do mercado interno foi garantida pela distribuição de renda, tanto pessoal como regional, e pela expansão do crédito. Houve também a contribuição da universalização dos serviços públicos (com programas tipo Luz Para Todos), salário mínimo acima da inflação, aposentadoria rural e Bolsa Família, permitindo acelerar a mobilidade social.

O terceiro movimento, o da reinserção internacional, permitiu ao país se projetar como liderança efetiva, regional e mundial, como país exportador e destino de investimentos externos. Há que se discutir melhor essa reinserção que, em cima de um real caro, prejudicou enormemente a geração interna de riqueza e de emprego.

Mas, no campo diplomático, permitiu ao país relações privilegiadas com a América Latina, a África, o Oriente Médio e a Ásia, diz ela.

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O quarto movimento – no qual o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) teve papel central – consistiu na redefinição das prioridades do gasto público, uma maior ênfase no investimento e nas políticas sociais e uma parceria estratégica com o setor privado e os estados e municípios.

Foi por aí que se desenhou o novo modelo de articulação federativa no país, um dos grandes obstáculos à gestão pública eficiente.

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Como todos esses movimentos se refletiram sobre os diversos Brasil? Beneficiaram especialmente os mais pobres, diz Dilma, com 22 milhões de pessoas sendo resgatadas do nível da miséria. Também surgiu uma nova classe média, que passou a contar com 31 milhões de novos consumidores.

No campo, fortaleceu-se a agricultura familiar, segmento importante na geração de alimentos e distribuição de renda. Ao mesmo tempo, com a política de crédito abriu-se espaço para os segmentos exportadores do agronegócio.

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Nos próximos dias, vamos conferir as ideias daqui para frente, qual a posição frente ao setor privado, ao novo papel do Estado, à ecologia.

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