O recuo de 1,0% observado no total da indústria entre maio e junho teve perfil generalizado de queda.

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Pesquisa Industrial Mensal Produção Física – Brasil.

O recuo de 1,0% observado no total da indústria entre maio e junho teve perfil generalizado de queda, alcançando vinte dos vinte e sete ramos pesquisados e todas as categorias de uso.

03 de agosto de 2010

Em junho, produção industrial caiu 1,0%

 

Em junho de 2010, a produção industrial recuou 1,0% frente a maio, na série livre de influências sazonais. Foi a terceira taxa negativa consecutiva, acumulando assim perda (-2,0%) nos três meses do período (abril, maio e junho). Em relação a igual mês de 2009 houve expansão de 11,1%, a menor marca desde os 5,3% assinalados em novembro do ano passado. Com isso, o acumulado no ano (16,2%) ficou abaixo do registrado nos últimos meses. Os índices para o segundo trimestre de 2010 foram positivos tanto frente a igual período de 2009 (14,3%), quanto em relação ao trimestre imediatamente anterior (1,4%) – série com ajuste sazonal. O acumulado nos últimos doze meses (6,5%), acentuou o ritmo de crescimento frente a maio (4,5%), permanecendo com a trajetória ascendente iniciada em outubro do ano passado.

O recuo de 1,0% observado no total da indústria entre maio e junho teve perfil generalizado de queda, alcançando vinte dos vinte e sete ramos pesquisados e todas as categorias de uso.

Entre os setores, o principal impacto negativo sobre a média global veio de outros produtos químicos (-4,4%), vindo a seguir máquinas para escritório e equipamentos de informática (-11,6%), alimentos (-1,6%), produtos de metal (-5,2%), material eletrônico e equipamentos de comunicações (-4,9%), farmacêutica (-3,4%) e veículos automotores (-1,1%). Entre as sete atividades que avançaram a produção, refino de petróleo e produção de álcool (2,6%), edição e impressão (2,9%) e bebidas (2,6%) exerceram as influências positivas mais relevantes.

No corte por categorias de uso, ainda na comparação com o mês anterior, a queda mais acentuada foi observada em bens de consumo duráveis (-3,2%) após ficar praticamente estável nos últimos três meses: 0,1% em março e abril e –0,1% em maio.

O segmento de bens de capital, ao recuar 2,1%, também mostrou redução acima da média global (-1,0%), e assinalou o primeiro resultado negativo desde março de 2009.

Os setores produtores de bens de consumo semi e não duráveis (-0,8%) e de bens intermediários (-0,7%) também apontaram índices negativos, com o primeiro setor acumulando perda de 3,0% em três meses de queda, e o segundo interrompendo sequência de três taxas positivas, período em que avançou 2,2%.

Média móvel trimestral recua 0,7%

Com os resultados negativos nos últimos três meses, o desempenho de junho confirma a redução no ritmo da atividade industrial, com o índice de média móvel trimestral recuando (-0,7%) na passagem de maio para junho e interrompendo a trajetória de crescimento presente há quinze meses. Essa inversão de sinal também foi observada em bens intermediários (-0,1%) que também reverteu quinze meses de taxas positivas. Nas demais categorias de uso, bens de consumo duráveis (-1,1%) e bens de consumo semi e não duráveis (-1,0%) registraram as quedas mais acentuadas, enquanto bens de capital (0,2%), único com resultado positivo em junho, exibiu o ganho menos intenso desde maio de 2009.

Em relação ao mesmo mês de 2009, a indústria cresceu 11,1%

Na comparação junho 10/ junho 09, a produção industrial mostrou expansão de 11,1%, com a maior parte (22) dos vinte e sete setores apontando taxas positivas. Os impactos positivos mais relevantes sobre a média global vieram de veículos automotores (22,3%) e de máquinas e equipamentos (38,6%), influenciados em grande parte pelo crescimento em aproximadamente 80% dos produtos investigados, com destaque para caminhão-trator e caminhões, no primeiro ramo, e aparelhos carregadoras-transportadoras, congeladores para uso industrial, motoniveladores, empilhadeiras e tratores agrícolas, no segundo. Vale citar também os avanços observados em metalurgia básica (26,5%), alimentos (7,9%), bebidas (21,4%), produtos de metal (23,2%) e borracha e plástico (16,5%), impulsionados principalmente pelos itens lingotes, blocos e tarugos de aços especiais; açúcar cristal e sucos concentrados de laranja; cervejas, chope e refrigerantes; parafusos, pinos e porcas de ferro/aço; e pneus para caminhões e ônibus. Entre as atividades que assinalaram recuo na produção, as que exerceram as maiores contribuições negativas sobre a indústria geral foram: farmacêutica (-7,5%), fumo (-10,4%) e outros equipamentos de transporte (-3,6%). Nestes ramos, os produtos com maior influência foram medicamentos, fumo processado e aviões, respectivamente.

Ainda na comparação com junho de 2009, os índices por categorias de uso confirmam o padrão de crescimento observado ao longo deste ano, com evidente liderança de bens de capital (26,8%), com ritmo bem acima da média industrial (11,1%), seguido por bens intermediários (12,1%), que também apontou taxa positiva de dois dígitos. As demais categorias de uso cresceram abaixo do resultado global da indústria: bens de consumo duráveis (6,8%) e bens de consumo semi e não duráveis (6,2%).

No primeiro segmento, com exceção de bens de capital para energia elétrica (-17,1%), todos os seus grupamentos mostraram taxas positivas, com bens de capital para transporte (30,6%) assinalando a principal influência, seguido por bens de capital para construção (153,8%), para uso misto (18,7%), para fins industriais (31,8%) e agrícolas (93,9%). Ainda acima da média da indústria, a produção de bens intermediários cresceu 12,1% frente a igual mês do ano anterior sustentada pelos avanços em todos os seus subsetores, com destaque para os produtos associados às atividades de metalurgia básica (26,5%), veículos automotores (29,3%), indústrias extrativas (8,6%), borracha e plástico (16,8%), produtos de metal (26,1%) e alimentos (12,5%). Vale ainda ressaltar os índices positivos de dois dígitos vindos de insumos típicos da construção civil (14,7%), que marca o seu oitavo resultado positivo consecutivo, e de embalagens (14,4%).

Com crescimento abaixo da média da indústria, bens de consumo duráveis (6,8%) permaneceu pressionado positivamente pela maior fabricação de eletrodomésticos (20,5%), especialmente da “linha marrom” (59,8%), já que os da “linha branca” recuaram 1,6%. Com expansão mais moderada figuram ainda os itens telefones celulares (6,5%), automóveis (2,1%) e motocicletas (1,4%). Ainda no índice mensal, o setor de bens de consumo semi e não duráveis (6,2%) assinalou o avanço menos intenso entre as categorias de uso, mas com todos os seus subsetores apontando taxas positivas: alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (9,8%), que exerceu a principal influência sobre o setor, vindo a seguir semiduráveis (10,2%), outros não duráveis (1,9%) e carburantes (3,5%). Nesses grupamentos sobressaíram, respectivamente, os itens: cervejas, chope e sucos concentrados de laranja; calçados de couro e calças compridas; revistas; e álcool.

No corte trimestral, observa-se que o setor industrial, ao crescer 14,3%, sustenta resultados positivos há três trimestres consecutivos, mas com redução no ritmo de crescimento frente ao primeiro trimestre do ano (18,2%), ambas as comparações contra igual período do ano anterior. Entre as categorias de uso, somente bens de capital, que passou de 25,9% no primeiro trimestre para 33,1% no segundo, não mostrou diminuição na magnitude da expansão. Nas demais categorias de uso, bens de consumo duráveis (de 28,4% para 14,0%) foi o que apontou a maior desaceleração no ritmo de crescimento entre os dois períodos, seguido por bens intermediários (de 19,7% para 15,3%) e bens de bens de consumo semi e não duráveis (de 8,9% para 6,2%).

No indicador acumulado do primeiro semestre do ano, a taxa global foi de 16,2%, resultado mais elevado desde o início da série histórica, reflexo, sobretudo, da baixa base de comparação decorrente dos efeitos da crise econômica internacional no final de 2008. Com isso, observa-se predomínio de taxas positivas, que atingiram todas as categorias de uso, 68 dos 76 subsetores, 25 das vinte e sete atividades e 76% dos produtos investigados. Entre os setores, a maior contribuição positiva permaneceu vindo de veículos automotores (32,3%), sustentado em grande parte pelo avanço na produção de aproximadamente 96% dos produtos pesquisados. Ainda nessa comparação, também sobressaíram os desempenhos de máquinas e equipamentos (41,9%), metalurgia básica (31,9%), outros produtos químicos (18,4), produtos de metal (35,8%), indústrias extrativas (16,2%) e borracha e plástico (22,4%).

Em termos de produtos, os destaques nesses ramos foram: automóveis, caminhão-trator e caminhões; aparelhos carregadoras-transportadoras, refrigeradores, fornos microondas e compressores; lingotes, blocos e tarugos de aços ao carbono e de aços especiais e bobinas a frio de aços ao carbono; herbicidas e tintas e vernizes para construção; partes e peças para bens de capital; minérios de ferro; e pneus e peças e acessórios de borracha e plástico para indústria automobilística. Por outro lado, somente outros equipamentos de transporte (-6,8%) e fumo (-11,2%) registraram quedas no fechamento do primeiro semestre do ano.

Entre as categorias de uso, o perfil dos resultados para os primeiros seis meses do ano confirmou o maior dinamismo vindo do setor produtor de bens de capital (29,6%), seguido por bens de consumo duráveis (20,6%) e bens intermediários (17,4%), todos com expansão de dois dígitos e acima da média nacional (16,2%). O segmento de bens de consumo semi e não duráveis, com avanço de 7,5%, apresentou a expansão mais moderada entre as categorias de uso.

Em síntese, o resultado de junho reforça os sinais de redução no ritmo da atividade fabril, que marca o terceiro mês consecutivo de queda frente ao mês anterior na série ajustada sazonalmente. No índice de média móvel trimestral, o recuo (- 0,7%) observado em junho interrompeu a evolução positiva deste indicador presente desde março do ano passado, período em que acumulou expansão de 22,1%. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, ainda na série com ajuste sazonal, a produção industrial cresce há cinco períodos consecutivos, mas apresenta diminuição no ritmo de crescimento, ao passar de 4,1% no último trimestre do ano passado e 3,0% no primeiro deste ano para 1,4% no segundo trimestre de 2010. Entre as categorias de uso, somente bens de capital, que passou de 4,3% no primeiro trimestre de 2010 para 4,8% no segundo, assinalou aceleração entre os dois períodos. Nos demais segmentos, a produção de bens intermediários (de 3,8% para 1,2%) perdeu ritmo, mas permaneceu com resultado positivo, enquanto os setores de bens de consumo duráveis (de 2,7% para – 0,8%) e de bens de consumo semi e não duráveis (de 3,4% para –0,8%) reverteram a sequência de taxas positivas que vinham assinalando desde o ano passado.

Nos confrontos contra iguais períodos de 2009, os resultados permaneceram positivos e atingiram a maioria dos segmentos industriais investigados, mas com redução na intensidade do crescimento frente aos índices do início do ano, refletindo não só a elevação da base de comparação, mas também a diminuição do ritmo produtivo dos últimos três meses. Com isso, o confronto contra igual trimestre do ano anterior mostrou expansão menos intensa na passagem do primeiro (18,2%) para o segundo trimestre de 2010 (14,3%).

 

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