O resultado do IPCA em 2010

Da Agência Brasil

Inflação oficial fecha o ano em 5,91%, maior taxa desde 2004

Thais Leitão
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, fechou o ano de 2010 em 5,91%. A taxa, divulgada hoje (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é a mais elevada desde 2004, quando o índice alcançou 7,6%. O resultado também ficou acima do centro da meta de inflação do governo para o ano, de 4,5%.

A principal pressão, de acordo com o IBGE, partiu dos alimentos, que ficaram, em média, 10,39% mais caros, contribuindo com 2,34 pontos percentuais na formação do IPCA de 2010, o que representa 40% do índice.

Em dezembro, o IPCA diminuiu em relação a novembro, e ficou em 0,63%, depois de ter registrado 0,83%. Em dezembro de 2009, o índice alcançou 0,37%.

Edição: Juliana Andrade 

Por Roberto São Paulo-SP 2011

http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?i…

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/Índice Nacional de Preços ao Consumidor e Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, 07 de janeiro de 2011

IPCA de dezembro fica em 0,63% e fecha 2010 em 5,91%

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve variação de 0,63% em dezembro de 2010 e ficou 0,20 ponto percentual abaixo da taxa de novembro (0,83%). Em dezembro de 2009, o índice havia ficado em 0,37%. Com esse resultado, o IPCA fechou o ano de 2010 em 5,91%, 1,60 ponto percentual acima da taxa de 2009 (4,31%), puxado pelo aumento dos preços dos alimentos.

O resultado do ano de 2010 mostra que o IPCA voltou a subir, chegando ao nível de 2008, quando havia ficado em 5,90%, conforme os resultados a seguir:

A alta de um ano para o outro é atribuída aos alimentos, que ficaram, em média, 10,39% mais caros, contribuindo com 2,34 pontos percentuais na formação do IPCA de 2010, o que representa 40% do índice.

Todas as regiões pesquisadas apresentaram aceleração na taxa de crescimento do grupo alimentação e bebidas de um ano para o outro, com destaque para Curitiba, que registrou a maior alta (13,14%). No outro extremo, a menor variação dos alimentos foi verificada emPorto Alegre (7,53%).

Donos da farta parcela de 23,31% do orçamento das famílias do IPCA, os alimentos, tiveram a maior variação de grupo do ano, além do maior impacto, como mostra a tabela a seguir.

O consumidor passou a pagar mais caro especialmente pelos feijões, cujos preços chegaram a subir 51,49% no ano. Mas, levando em conta a importância no orçamento das famílias, a despesa que mais pesou foi a com a compra de carnes. O preço do quilo aumentou 29,64%, em média, liderando a lista dos principais impactos ou contribuições para o IPCA do ano (0,64 ponto percentual). Com influência da alta dos alimentos, também ficou mais caro consumir refeições fora de casa, que aumentaram 10,62% e ficaram com o segundo maior impacto no IPCA do ano (0,46 ponto percentual).

Os produtos não alimentícios fecharam 2010 em 4,61%, pouco abaixo dos 4,65% de 2009. Coube ao item empregados domésticos (11,82%) a principal contribuição nesse grande grupo e a terceira no IPCA como um todo (0,40 ponto percentual).

Com os empregados e outros serviços como cabeleireiro (8,16%) subindo de preços, o grupo das despesas pessoais teve alta de 7,37%, resultado próximo ao dos artigos devestuário (7,52%). Em seguida veio o grupo educação (6,22%) tendo em vista principalmente o aumento de 6,64% nas mensalidades escolares.

Aumentos nos valores dos aluguéis (7,42%) e condomínio (7,11%) pressionaram as despesas com habitação (5,00%), enquanto os planos de saúde (6,86%) se destacaram em saúde e cuidados Pessoais (5,07%). Artigos de residência (3,53%), transportes(2,41%) e comunicação (0,88%) foram os grupos de despesas com menores variações em 2010.

Ainda entre os não alimentícios, os principais itens em quedas no ano de 2010 foram TV, som e informática (-12,25%), emplacamento e licença (-9,51%), seguro voluntário (-3,53%), automóvel usado (-2,01%) e automóvel novo (-1,03%).

Quanto às regiões pesquisadas, o maior resultado foi registrado em Belém (6,86%), em virtude principalmente da variação da energia elétrica (17,58%) e dos alimentos (10,38%).Recife (4,63%) apresentou a menor taxa sobretudo em razão da queda na energia elétrica (-9,16%) e nos preços do gás de botijão (-8,98%).

Em dezembro alimentos foram responsáveis pela desaceleração do IPCA

O grupo alimentação e bebidas foi o responsável pela desaceleração do IPCA entre novembro e dezembro, tendo passado de 2,22% para 1,32%, de um mês para o outro. Produtos que haviam impactado novembro com altas expressivas tiveram resultados mais moderados no mês seguinte.

Foi o caso das carnes, que, da variação de 10,67% de novembro passaram para 2,25 % em dezembro, e, assim, cederam lugar ao item refeição em restaurante como principal contribuição ao IPCA do mês. Os preços da refeição subiram 1,98% em dezembro (frente a 1,40% em novembro) e contribuíram com 0,09 ponto percentual na formação do IPCA do mês.

Mesmo em menor ritmo de crescimento, o grupo alimentação e bebidas teve 0,31 ponto percentual de contribuição, o que corresponde a 49% do IPCA de dezembro.

Alguns itens continuaram mostrando taxas crescentes, com destaque para o açúcar refinado (de 6,52% em novembro para 7,02% em dezembro), o frango inteiro (de 3,35% para 4,81%), o frango em pedaços (de 1,36% para 3,44%) e lanche (de 1,24 para 2,02%).

Por outro lado, entre as quedas, o destaque foi o feijão carioca, que passou de -6,64% em novembro para -16,45% em dezembro, ficando com a mais baixa contribuição do mês, -0,05 ponto percentual. Outros alimentos também ficaram mais baratos de um mês para o outro, como a batata-inglesa (7,30% para -11,96%), o feijão preto (de 2,11% para -1,93%) e o feijão mulatinho (de -1,21% para -5,83%).

Entre os produtos não alimentícios, a taxa de 0,42% ficou bem próxima dos 0,41% de novembro.

No grupo transportes (de 0,13% para 0,29%) vários itens importantes apresentaram crescimento de novembro para dezembro, destacando-se as passagens aéreas (de -1,26% para 7,61%). Outros destaques foram ônibus interestadual (de 0,00% para 0,16%), automóveis novos (de -0,21% para 0,13%), conserto de automóvel (de -0,02% para 0,84%), pedágio (de 0,09% para 0,30%) e etanol (de 2,97% para 3,70%).

Os grupos vestuário (de 1,25% para 1,34%), saúde e cuidados pessoais (de 0,36% para 0,39%) e artigos de residência (de -0,12% para 0,10%) também tiveram variações maiores em dezembro do que em novembro.

Em habitação (de 0,57% em novembro para 0,49% em dezembro), o menor resultado de um mês para o outro é explicado basicamente pela variação mais moderada dos aluguéis residenciais (de 1,05% para 0,73%) e da energia elétrica (de 0,48% para 0,02%). Já entre as despesas pessoais (de 0,74% para 0,57%), o menor aumento em dezembro foi puxado pelo item empregado doméstico (de 1,34% para 0,72%).

A tabela seguir apresenta os resultados por grupo.

Dentre os índices regionais, Recife (1,07%) apresentou o maior resultado, com os alimentos aumentando 1,79%. Belo Horizonte (0,35%) ficou com o índice mais baixo, também em razão da taxa dos alimentos (0,17%), a menor entre as regiões pesquisadas.

O IPCA é calculado pelo IBGE desde 1980, se refere às famílias com rendimento monetário de 01 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte, e abrange nove regiões metropolitanas do país, além do município de Goiânia e de Brasília. Para cálculo do índice do mês foram comparados os preços coletados de 30 de novembro a 28 de dezembro (referência) com os preços vigentes de 29 de outubro a 29 de novembro (base).

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