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O último erro do Banco Central

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Coluna Econômica

A menos de dois meses das eleições, o Banco Central de Lula cometeu seu derradeiro e mais grave erro de avaliação. No segundo trimestre, havia sinais claros de que a economia não prosseguiria no punch do primeiro trimestre.

Mesmo assim, o Relatório de Inflação do Banco Central trouxe um panorama assustador, que convalidou alta de juros para, nas últimas semanas, terminar em um recuo dramático, encerrando uma era de interpretações mecânicas e incorretas na política monetária.

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PelPelo sistema de “metas inflacionárias”, as autoridades monetárias trabalham com previsões sobre a inflação. Essas previsões servem de parâmetro para definir as taxas de juros básicas da economia. Se se considera que as previsões superam a meta estabelecida, aumentam-se os juros; caso contrário, diminuem-se.

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Com o último fracasso, o BC termina o governo Lula em uma posição maior de fragilidade do que no início. O presidente Henrique Meirelles praticamente sumiu da mídia. Há um questionamento cada vez maior da equipe de economistas do Departamento Econômico e dos responsáveis pelo Relatório de Inflação.

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O primeiro problema do modelo foi a subordinação mecânica aos modelos importados – um comportamento que chamei de “cabeças de planilha”. Cada país é uma realidade diferente, com fatores diversos influenciando a inflação. No Brasil a inflação é influenciada por alimentos, preços administrados, mudanças cambiais, fatores sazonais.

Há uma falsa informação de que o Copom é um colegiado, onde as decisões são tomadas conjuntamente. Não existe simetria da informação – isto é, todos os membros com o mesmo nível de informação. São um ou dois diretores que dispõem de um conhecimento técnico e economistas que definem as análises que acabam dominantes nas reuniões.

Nas discussões internas dos departamentos econômicos do banco, não há espaço para o contraditório, para linhas de pensamento diferentes. Presos a modelos importados, os economistas do BC não conseguem trabalhar com as peculiaridades da inflação brasileira. Além disso, há um processo entrópico de buscar informações. Não se conversa com donos de supermercados, siderúrgicas, sequer com os principais executivos de bancos. No fundo, é um grupo fechado, de 300 pessoas no máximo, definindo as expectativas em relação à inflação e influenciando o comportamento do Copom.

Pior: não são punidos se erram a taxa de juros para cima; só para baixo.

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Além disso, nos últimos anos, teve-se a má sorte de um presidente de BC com ambições políticas que precisava gerar fatos jornalísticos a todo momento. Essa ânsia acabou provocando uma banalização da discussão monetária, uma supervalorização de detalhes da política monetária, ajudando a reforçar os dogmas do mercado.

O resultado foi o BC praticando uma taxa Selic sempre alguns pontos a mais do que o necessário, consumindo gastos do orçamento, segurando o crescimento 

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