Os cabeças de planilha e as metas de superávit

Não há limites para o grau de irracionalidade do debate econômico brasileiro.

O governo reduziu a meta de superávit fiscal primário de 1,1% para 0,15% do PIB este ano. Foi uma decisão racional pelo relevante fato de que a queda da economia, acentuada pelo ajuste fiscal e pela política monetária, produziu uma queda de arrecadação muito maior do que os cortes fiscais empreendidos.

Não haveria forma racional de compensar a perda de receita com mais cortes, pois mais cortes produziriam mais recessão e mais perda de receita.

Essa falácia do ajuste fiscal neutro já foi banido até do pensamento binário das agências de risco. Hoje se sabe que a partir de determinado nível de corte nas despesas, produz-se uma queda de arrecadação mais que proporcional ao valor economizado.

Está aí a Grécia para confirmar agora, a Argentina de Cavallo para confirmar o passado e, em nível menos drástico, o Brasil de Joaquim Levy.

O mercado já tinha assimilado essa queda da meta.

***

Daí não se entende o terrorismo que se sucedeu ao anúncio.

A colunista Mirian Leitão recorreu a um estudo do Banco Itaú para mostrar a nova progressão da relação dívida bruta / PIB com a mudança da meta e concluir que “reduzir a meta parece ter sido um tiro no pé do governo. O Ministro Joaquim Levy era contrário à ideia”. Ora, Levy sabia que a meta não seria alcançada. Pretendia mantê-la unicamente para ganhar poder de barganha com o Congresso.

Se aumentar ou reduzir meta é apenas uma questão de vontade – sem as limitações impostas pela realidade – então que se aumente a meta para 5% do PIB. A planilha aceita tudo e o pensamento monofásico endossa.

Dias antes do anúncio da redução da meta fiscal, a própria equipe do Itaú já revira suas projeções de superávit primário para 0,5% do PIB este ano em função da queda da atividade econômica e “principalmente no consumo e no mercado de trabalho, em que a carga tributária no Brasil é maios concentrada”.

***

Conclusões óbvias:

  1. A meta do superávit primário foi reduzida simplesmente porque não seria alcançada, dado o grau de recessão da economia.

  2. Mesmo que fosse alcançada, não reduziria a dinâmica de crescimento da dívida bruta, porque ela é turbinada pelos juros do Banco Central. Segundo o mesmo estudo do Itaú, só se conseguiria estabilizar a relação dívida bruta / PIB com um superávit primário de 5%, sem aumento da recessão e da queda de receita fiscal. Ou seja, uma conta impossível de fechar.

  3. Segundo o Itaú, mesmo na hipótese impossível de manter as metas de superávit (1,1% em 2015 e 2% de 2016 em diante) a divida bruta aumentaria mais de 6 pontos percentuais do PIB nos próximos anos.

***

Fazenda e Banco Central montaram uma roleta russa com 4 balas no tambor de 5 balas.

Sua aposta é que somando queda do PIB com ajuste fiscal com Selic descomunal, a inflação cairá tão rapidamente que permitirá, em um ponto qualquer do futuro, baixar rapidamente a Selic e, com a baixa, sinalizar a volta do investimento.

Em um ponto qualquer do futuro, a relação dívida/PIB alimentará significativamente em função da queda do PIB e da arrecadação. E os cabeças de planilha dirão que a culpa é do Congresso que não permitiu superávits fiscais impossíveis de serem alcançados.

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48 comentários

  1. A situação atual foi criada

    A situação atual foi criada exclusivamente pelo governo que é defendido por esse blog há alguns anos… E os outros são “monofásicos” e “cabeças de planilha”. Ok…

      • Difícil entender o que se passa…

        …mas vou dar meu palpite. Não há governo que dê jeito na economia quando os ataques especulativos encontram aliados de peso num País do porte do nosso PiG.

        Não temos meios de defesa, ou damos ou descemos.

        Fico pensando cá com meus botões se fosse o Aécio nosso presidente, o que mudaria em termos práticos?

        Talvez por uns tempos ele contasse com o beneplácito da midiazona, mas logo encontraria pela frente juízes e procuradores petistas – sim, eles existem… Então seria ele que teria que dar ou descer.

        Dilma até que tentou dar logo de uma vez, foi aos States falar com o big boss Obama, mas que apito ele toca lá, tb? Parece que o mundo está à deriva, não temos quem coordene coisa alguma.

        A reserva moral do mundo parece estar com o Papa Francisco, mas ele não é brasileiro e começo a temer por sua vida.

        Se na Grécia, com um referendo de 61%, o governo teve que dar, imagina aqui, onde o governo é fraco e desarticulado.

        A solução é entregar o pré-sal, não vejo outra saída. 

        • O que a “midiazona” quer é

          O que a “midiazona” quer é justo alguém com o perfil de Aécio; que faz o que ela quer e que, por ser “o governo”, acaba levando sozinho a culpa por tudo que dá errado por fazer o que a midiazona quer. O  interesse da especulação, sócia da midiazona, é ter governos fragilíssimos justo para que façam o que eles bem querer, e depois se virem com os prejuízos.

          Sobre o pre-sal… e quem lhe disse que se deteriam no pre-sal?

      • Nassif, ele disse que foram

        Nassif, ele disse que a situação foi criada pelo Governo que o Blog apoia. Erros de gestão econômica cometidos pelo Ministro da Fazenda que é do Governo, portanto culpa sim do Governo. E este blog, apesar de criticar suas medidas econômicas claramente sempre apoiou o Governo Dilma Roussef, e continua apoiando por mais que uma vez ou outra o “critique”, portanto o comentarista Ozzy não mentiu. 

        • Mentiu, sim, e você também. O

          Mentiu, sim, e você também. O fato de combater o golpe não significa que apoie Dilma. Pelo menos desde junho de 2013 tornei-se um crítico dos seus erros e da sua desinformação, especialmente depois que o episódio Pasadena revelou sua estreiteza. E a apoiei, sim, pois a alternativa seria pior. E esperei que tivesse aprendido com as eleições. Mas até agora não mostrou ter aprendido.

          • Belissimo Nassif!Compartilho

            Belissimo Nassif!

            Compartilho com você tal constatação.a alternativa é pior,pode chamar de simplismo meu, mas os iguais se assemelham. pelo nivel dos comentários dos que não aceitaram a derrota.num post elucidativo e didatico como esse.da para perceber que as intenções não são de contribuir para construção de nada,apenas viverem na eterna amargura.

            Eles são tão estreitos quanto Dilma.Não sabem a diferença entre um debate sério e uma guerrinha de insultos no facebook.

          • Excelente

            Acho excelente a imparcialidade deste blog, e lhe dou os Parabéns por isto, Sr. Nasif. Este blog é um contraponto aos blogs de esquerda e de direita, ambos só mostram um dos lados da questão.

            Jornalismo assim, que critica com imparcialidade é raríssimo hoje em dia.

             

    • Voce obviamente não acompanha

      Voce obviamente não acompanha os posts do Nassif,.

      Muito pelo contrario do que você afirma; o Nassif tem sido um critico honesto nos últimos anos de como a economia estava indo para o lado errado, e ainda propunha caminhos alternativos vez ou outra.

      Basta uma busca rapida aqui no blog para comprovar que ou está falando sobre algo que não sabe ou está agindo de má fé. Foram inumeros posts e vídeos comentando o erro da taxa cambial por exemplo.

      E olhe que eu nem sempre concordo com o Nassif…. tampouco tenho procuração para defende-lo, mas temos de ser justos e buscar se informar antes de fazer críticas infundadas.

      Aproveitando a postagem: Nassif essa novidade (para mim) de que você entrou na lista negra da fazenda é de doer heim? Quer dizer que não aceitam críticas construtivas? Não aceitam um debate produtivo? Esse tipo de informação é um desalento para quem ainda tem esperenças!

       

      • Também encafifei com essa tal

        Também encafifei com essa tal lista negra. Que significa isso ? Que pode acontecer ( ou deixar de acontecer ) com quem está na lista negra ? Que razões, além de criticar o ministro da fazenda de plantão, podem arrastar uma criatura para a lista negra ? Alguma coisa está muito estranha .

      • Sim. Informações e

        Sim. Informações e entrevistas bloqueadas. Do mesmo modo com o Banco Central.

        Nem o Malan, de quem fui crítico acerbo, comportou-se assim.

  2. Relax, em 2016 a palavra crise finalmente sairá do noticiário

    E será substituída pela palavra “recessão”, na razão de 2 a 3% de PIB negativo, e um desemprego de 2 dígitos. E, finalmente, os cabelos da Leilane Neubarth pegarão fogo. 

  3. Eu assisti à entrevista do Levyano com a Leitoa…

    Achei muito interessante, ainda que não houvera contado, a quantidade de vezes em que esse rematado idiota usou a expressão “ainda não entenderam”, referindo-se ao tecido empresarial do país (com cujo ovo no próprio da galinha contam), com respeito à “confiança” com que contavam, dessa classe, após tomarem as “medidas de ajuste” que, segundo Levy, eram exigidas pelo próprio mercado, nas bocas miúdas da eleição exitosa…

    Deve ser disléxico, o desgraçado e quem o apoia:

    QUEM NÃO ENTENDEU FOI ELE, E NEM ENTENDE AGORA!

    Eu não sou economista, mas mesmo assim, a inicio de junho (por não ir mais atrás), já dizia:

    A economia real não se move a golpes de tacape!

    O que se verá na sequência dessa trajetória suicida é a depressão da atividade econômica, a deterioração das contas públicas, o aumento ou criação de impostos e, como reação de defesa do tecido social, o rápido crescimento da economia informal e o retorno da inflação galopante e do desemprego, como nos tempos do Sarney, de triste memória.

    Já começo a torcer pela perda rápida do “investiment grade”… 

    Bem… já começamos a perder o “investiment grade” e também o controle da carroça.

    Agarrem-se bem, senhores!

    Agora vem as curvas!

    • Pode ser José, mas a tarefa
      Pode ser José, mas a tarefa do Levy e do Barbosa é bem complicada.

      A situação é dificil. Qual seria a alternativa ? O que vejo de principal erro agora, quem comete é o BC, que poderia segurar um pouco a mão nos juros.

      A fazenda e o planejamento poderiam cortar mais gastos fixos ou correntes, mas sabemos que isso é praticamente impossível de se fazer em Governos.

      • Pois é, Daniel
        Uma das alternativas possíveis seria, com outra “força política” (não necessariamente outra ideologia, que pouco importa), não haver aumentado os juros e utilizar esse “presente” que o Tombini deu aos rentistas em OBRAS PÚBLICAS e em FINANCIAMENTO DA PRODUÇÃO DE CICLO NACIONAL FECHADO, como por exemplo, a CONSTRUÇÃO CIVIL, a PEQUENA E MEDIA EMPRESA, a EDUCAÇÃO DE NÍVEL TÉCNICO e várias outras linhas de ação que não dependam de pressionar a Balança Comercial, que ultimamente não nos tem ajudado.

        Adicionalmente, abandonar de vez a ideia da pureza do “câmbio flutuante” (há uma guerra de divisas lá fora) e passar a praticar uma política monetária multi-plano, ao invés desse “samba de uma nota só” do COPOM.

        Aliás, podia economizar uns trocados e dar um belo “pé na bunda” nesses safados todos, que gostam de doar o sangue do país em troca de alguns “agrados”; Se alguém de fato está a merecer alguma devassa de sentido parecido à Lava Jato, é o Banco Central e o seu “bunker” de aloprados.

        Dá a impressão de que tem algo de muito serio e muito podre, na forma como os assuntos monetários do país estão sendo encaminhados.

        • Mas é justamente isso que o

          Mas é justamente isso que o Governo não quer.

          Ele está trocando investimentos e empregos por menos inflação. Pelo menos supostamente.

  4. O que significa ter entrado

    O que significa ter entrado na lista negra da Fazenda?

    Não sou economista. Sei que o projeto do governo não mostra que vai dar certo. Qual poderia ser a solução menos traumática pro país começar a crescer, mesmo que em níveis baixos?

     

     

  5. Enfrentar

    Há algum tempo eu sugeri num post que Dilma enfrentasse o Tombini e o obrigasse a abaixar os juros. Um comentarista me chamou de “burro”, pois Dilma não podia demitir o Presidente do Banco Central, nem pressiona-lo a abaixar os juros, sem que o “mercado” crie uma represália contra o país em 48 horas.

    Tá bom. Mas agora surgem só duas opções. A primeira que é Dilma enfrentar o Tombini, e enfrentar todas as consequencias que resultariam daí, até mesmo guerra civil, se preciso fosse, pois governar é para os fortes, e para se libertar de uma escravidão é preciso pulso, e coragem para pagar um preço; a segunda opção, é continuar pagando os juros que o mercado quer, e amanhã estaremos com uma divida publica impagavel, estaremos como a grecia, com o FMI nas nossas portas mandando no país, desemprego gigantesco, recessão, cortes de direitos sociais, convulsão social, apagões generalisados, inflação crescente, e finalmente o pior, talvez a oposição voltando ao poder, infelizmente e fazendo ajustes mais severos ainda.

    O mercado, ao exigir juros cada vez maiores abocanha 40% de nosso PIB em arrecadação. Isto é uma extorsão, uma espécie de terrorismo. Negociar com chantagistas, ou terroristas, é como alimentar feras selvagens, se você der um pouco eles vão querer mais; se der mais, eles vão querer mais ainda, e quando a comida acabar, vão comer quem os alimentou.

    Se levantar e enfrentar as feras especuladoras. E venha o que tiver de vir. Garanto que a popularidade de Dilma subirá pelo menos para trinta por cento se fizer isto ( 30% são os eleitores de esquerda no país).

    Bastaria baixar alguns pontos na Selic para resolver toda a crise nacional. Mas isto seria exigir coragem demais de uma presidente que é acostumada a empurrar as crises com a barriga até onde der.

  6. os trolls acordaram cedo hoje

    Os trolls acordaram cedo hoje, estao euforicos porque se 2006 nao tiveram coragem e deixaram sangrar, agora vao tentar o tudo por tudo.  Mesmo com 6.9 de desemprego eles ja sonham com 12 ate dezembro. Dolar a 3.30 balança comercial vai buscando superavit. A Inflaçao ja deu mostras que esta perdendo folego, sugiro os trolls acima a acompanharem os meses anteriores. E o Nassif bate e assopra, sera que vamos ter que chamar o Ciro Gomes para explicar ali atras para ele de novo?

    • Não tem como a inflação

      Não tem como a inflação diminuir este ano , muita moeda foi “criada” para ser absorvida (monetizada)  em tão pouco tempo.

      Pense numa Itaipu transbordando e tem que abrir as comportas de forma gradual sem que inunde rio abaixo e sem que rompa a repressa.

  7. Estou tentando achar um estudo

    mais detalhado que mostre porque o governo teve que fazer esse aperto recessivo tão drástico. E porque ele fez com um certo terrorismo.

    A demanda interna , mesmo que um pouco enfraquecida , prinipalmente pela questão dos juros absurdamente altos(spreads bancários) e da retenção do crédito ainda existe. Mas acho que o fato dessa perspectiva de consumo estar cada vez pior(não é o real e sim a perspectiva) , os empresários estão tirando o pé do investimento.

    Não sei porque o Governo não muda esse discurso e atitude recessiva logo , pois ainda dá tempo de alinhar e acelerar nosso bonde.

    Dolar alto , bom para empresas exportadoras e mercado interno ainda consumindo , precisando apenas de um pouco de confiança no futuro próximo. O que está faltando é um pouco de criatividade para esses cabeças de planilha do Governo.

  8. Talvez o erro atual do

    Talvez o erro atual do Governo esteja no BC, que poderia estar mais moderado nos juros.

    O problema é que a inflação está em 9% turbinada pelos aumentos necessários que o Governo Dilma represou por anos, prejudicando vários setores como o de petréleo e o sucro alcooleiro.

    Não é fácil a situação e ainda somado a crise política, a lava jato, a coisa fica pior ainda.

    Fazer críticas simplórias como se a solução fosse fácil não é o caminho até porque obviamente a solução é difícil e incerta.

    A meu ver o Governo deveria fazer medidas micro de melhoria do ambiente economico, principalmente para micro e pequenas empresas. E também alguma tentativa de simplificação tributária, sem mais aumentos, pelo menos no momento.

    A parte macro não tem muito jeito, haverá aumentos da relação dívida/PIB, isso é certo.

    Torçamos para que as coisas em breve melhorem.

     

    • A solução demanda ousadia e criatividade
      O problema é ideológico, daria p/fazer muita coisa mesmo no âmbito do Executivo, sem interferência do Congresso. O problema é que a turma adora uma burocracia. Isso até começou no início do FHC, mas agora alcançou níveis alarmantes.

      Dá p/cortar muita coisa, apesar do despesas vinculadas, mas tem que mudar a forma de raciocínio. O desperdício no nível federal é imenso, mas quando se olha estados e Municípios você encontrará máquinas de queimar dinheiro todo dia, de segunda a segunda.

      Eu estava marcado para um curso em SP, avisei com três semanas de antecedência. O pessoal só comprou a passagem alguns dias antes, quando o preço certamente é mais alto. Isso em um órgão federal sem problemas de desvio. Imaginem onde há uso indevido.

      O questão brasileira é gestão, a primeira administração Dilma foi um desastre de proporções épicas. E para piorar criaram essa lenda (na qual eu cai em 2010) de que ele é gerentona, o que a essa altura do campeonato só um maluco acredita.

      Dentro da nossa mentalidade de conduzir o gasto público não há solução possível. Mesmo que a situação não estivesse tão grave, a carga tributária chegou no limite. O momento é de cortar despesas de custeio. Tem como fazer isso, e sem mexer no salário do funcionalismo. Se vinculassem a remuneração dos gestores a um corte de gastos específico, te garanto que 10% do orçamento anual (no mínimo) é “cortável”, sem grandes traumas.

      Infelizmente para a esquerda a grande questão do Brasil é a ineficiência do Estado. Isso não é papo de neoliberal, mas sim de quem convive com o problema há mais de 20 anos.

      Em relação à turma que questiona o aumento dos juros, não há como manter juros estáveis se a inflação está explodindo.

      • No geral concordo contigo.

        No geral concordo contigo. Mas seria bem difícil aprovar essas mudanças, esse cortes de gastos em um curto prazo, voce não concorda ?

        Nâo tenho essa experiencia de serviço público mas já ouvi falar de como funciona. Em Prefeituras sei que o ralo é enorme, mas resolver é bem complicado.

        O Mansueto, que é bom economista, tem uma tese de que há espaço para cortes de custeio, mas seria essa a solução de longo prazo, isso não resolve tudo.

         

    • Daniel, o nível de

      Daniel, o nível de desconfiança do mercado com este governo é muito alto, por razões óbvias, assim como a dificuldade dos empresários em enxergar um cenário positivo a médio prazo. Quero dizer que acho que dificilmente medidas micro surtirão algum efeito relevante no atual cenário macro. É claro que precisamos de uma reforma tributária, que já devia ter saído há muito tempo, mas o buraco agora é mais embaixo. Ou o governo mostra firmeza na redução de despesas, cortando na própria carne inclusive, e sinaliza ao mercado comprometimento com o superávit fiscal e com a inflação, “duela a quem duela”, ou vai perder o grau de investimento, e os juros continuarão subindo pra conter a fuga de capital, a escassez de crédito e o câmbio explodindo com grande impacto na inflação. Essa afrouxada na meta, por mais realista que tenha sido, só contribui para a incredulidade geral, visto que a única saída para o país está em tomar medidas que vão contra os dogmas e “mindset” de quem o comanda atualmente. Soma-se a isso a crise política, perda de apoio no congresso e os escândalos de corrupção envolvendo o partido do Governo, temos realmente um cenário bem difícil de falar em solução.

      • Ré: Daniel

        A resposta do Cristiano ao Daniel é exatamente o velho mantra de sempre. Até parece que copiou e colou de pareceres e palpites de economistas ( a triste ciência) . Para repetir essa papagaiada não é preciso nenhum esforço, basta seguir a pitonisa Miriam Leitão, a profetisa do caos. O que se precisa agora é coragem, determinação e criatividade, para escapar das armadilhas colocadas pela banca nacional e estrangeira. Mas essas virtudes estão em falta no atual governo.

  9. “Daí não se entende o

    “Daí não se entende o terrorismo que se sucedeu ao anúncio.”

    Essa frase é uma figura de retórica, né Nassif? É claro que voce entendeu, se eu que sou leigo entendi. O terrorismo midiático é a principal arma do rentismo para manter o governo preso na armadilha dos juros altos.

    Não foi assim que a presidenta Dilma perdeu a queda de braço com os bancos, quando para espanto e alegria nossa, resolveu partir para cima dos spreads? Isso só se resolve com política e comunicação, o que nossa presidenta se recusa a fazer.

    Daí não me resta outra opção que não mandar a dona Leitão tomar no Itaú.

    PS: O estudo do Itaú deve levar em conta a possibilidade da Dilma cair e empossarem o amigo do garoto propaganda do banco dos Setúbal, o Huk. A nora do seu Olavo estava lá pedindo o impeachment na Paulista. “Patrioticamente” segunda uma dondoca, que estava num camarote com a Angélica. Ou isso tudo se passou no desfile da Sapucaí? 

  10. selicnemcosquinhafazmaisnaInflaçãoMaisarrombaogastoFiscal
    OSMAMADORESDEJUROSNUMCAFICARÃOSATISFEITOS.
    DESDENHEESSEPOVOPORFAVOR.
    BOTARASOCIEDADEBRASILEIRAPRATRABALHARPROSRENTISTASÉCOMO:
    QUERERQUEORABOABANEOCACHORRO.

  11. “Crise” provocada !!!!

    Meus Caros, 

     

     Ao meu enteder esta crise foi provocada. O governo precisava debelar a inflação que continuava insistente acima do centro (e até da) meta de inflação e tinha as tarifas que foram represadas justamente para aliviar a inflação o máximo de tempo possivel. Daí, como se fosse um carro que você convive com um defeito por um tempo e depois quando se acumulam outros defeitos você enfim o estaciona em uma oficina para fazer a revisão. É custuso, às vezes demora, mas é necessário e benéfico. 

     

    Nós Brasileiros (não sei se é um fenomeno mundial, inerente à condição humana) adoramos uma novela midiática com moçinho, bandido e suspense, Exemplo: caso Eloá, Nardoni, Crise hidirca e ajuste fiscal. Nós olhamos o agora como se fosse o ultimo minuto da humanidade e esta urgencia nos inibe de ter um olhar macro, por cima. Para mim Os Grandes Homens sempre olham pro futuro, falam e respiram projetos e por isso temos que sair de visão limitada e obtusa e na qual a mídia vive e explora como marionetes que somos…

     

      Se olharmos para as noticias politico/economicas de 2009 teriamos muitas razões para o pessimismo (o PIB deste ano foi de -0,3%) logo no ano sguinte o País recuperou-se (PIB 2010 7,5 % !!!) e ninguem mais lembra de 2009…

     

     O objetivo hoje é a baixa da inflação, quando a mesma estiver “no nivel” voltarão as politicas de incentivo, crédito e investimento, simples assim… Duvida? vamos aguardar… Talvez em 2016, 2017 não no0s lembraremos mais do que foi discutido aqui nesta época.. 

     

     Enquando alguns choram eu vou vendendo meus lenços…

  12. Desajuste
    Desse “ajuste” neoliberal, digo, fiscal, só restou o desajuste social. Dilma só tem uma saída. Esquecê-lo, voltar atrás e cumprir as promessas de campanha.

  13. Reflexões de um cenário econômico brasileiro conturbado

    Ontem mesmo o relatório econômico diário da Fiesp dava que o mundo já diminuiu 1,2% sua economia nestes 12 últimos meses. É uma média da produção mundial, mas a situação não me parece com perspectiva de melhora, pois o índice de navegação do mar Báltico, que cota frete marítimos vem despencando ladeira abaixo e não mostra sinais de que irá se recuperar. Assim, fico com a impressão que manter uma taxa de crescimento do superávit brasileiro numa economia fortemente recessiva mundial, que atinge de maneira contundente os principais parceiros comerciais do Brasil, USA , Europa e China é, no mínimo, acreditar em milagres. Como estes são difíceis de acontecer, fica claro que o mercado já precificou a queda na meta do superavit, por força da conjuntura mundial.

    Por outro lado, a banca está desesperada atrás de dinheiro e não se contém em tentar de todas as formas aumentar os Juros Reais que cobra dos brasileiros, seja aumentando as já pornográficas taxas praticadas por aqui, ou forçando a barra na outra ponta diminuindo a inflação, isto fora as outras receitas com remessas de lucros e pagamentos com rubricas suspeitosíssimas e remanejamento de títulos e dívidas fajutos como os que estavam no Unibanco /AIG, o desespero por dinheiro é tanto que não importa a pressão e as consequências desta pressão sobre o povo e a nação brasileira ou grega, ou italiana mesmo francesa.

    O Brasil se defende como pode destes abutres, com a situação internacional piorando, aqui se torna a bola da vez.

    Romper está lógica assassina e ruinosa para o povo e o País exige um pacto que una forças aqui dentro, que é o reverso da estratégia deles de dividir e conquistar (espoliar), cabe aos três poderes nacionais a tarefa de com inteligência e habilidade forjar este pacto, que enfrentando a mídia deles coloque o Brasil novamente em uma condição de embate e pronto para um contra-ataque a estes vampiros que sugam o sangue , o suor e as riquezas do Brasil.

    • Índia reduzira poderes do seu Banco Central e a taxa de juros

      A revolta contra o arrocho da banca é mundial, mas ela está no desespero, pois a tecnologia do blockchain retira todo o seu poder. Vão para ações cada vez mais temerárias e o Brasil, por sua importância é o alvo principal.

       

      India moves to reduce central bank powers on
      interest rates

      India’s government has signalled it will remove control of interest rates from the central bank, in a
      controversial plan that has been attacked by some economists and bankers as a threat to
      independent monetary policy but welcomed by others as an overdue modernisation.

      The finance ministry proposal is the latest salvo in a long struggle between successive governments
      and central bank chiefs over the need to boost economic growth on the one hand and the urgency of
      curbing India’s consistently high inflation on the other.
      The 188­page draft Indian Financial Code — produced over the past
      four years by the financial sector legislative reforms commission and
      modified by the government after public feedback — envisages a
      seven­person monetary policy committee, with four members
      appointed by the central government and three from the Reserve Bank
      of India.

      Under the present system, the RBI governor — Raghuram Rajan, the
      former International Monetary Fund chief economist — is appointed
      by the government and is ultimately answerable to the finance
      minister of the day. In practice, however, he controls monetary policy
      and has veto power over the existing advisory committee of RBI
      members and outside appointees that sets rates.

      Indian central bank governors, including Mr Rajan, frequently face pressure from business and
      government to cut rates, even when the rate of inflation suggests the need for tight monetary policy.

      Critics say the provision for a government majority in the MPC, if implemented, would undermine
      the RBI’s de facto control over rates.
      “I don’t think that is the right approach,” Chakravarthi Rangarajan, a former RBI governor, told
      CNBC­TV18. “I believe that the majority of the members must be from the RBI.” In a research note
      on Friday, Nomura described the draft code’s wording on monetary policy as “a significant dilution
      of the RBI’s powers”.
      Some experts welcomed the draft code, including the provision for an MPC, and said it could even
      enhance the central bank’s influence over monetary policy given the absolute legal power over the
      RBI currently enjoyed by the finance ministry.
      “Anyone who says the Indian Financial Code is taking power away from the governor is crazy . . . We
      should absolutely not make a fetish about having a powerful governor,” said Ajay Shah, professor at
      the National Institute for Public Finance and Policy, the research institution.
      Prof Shah said the current system was opaque and open to abuse through negotiated deals between
      the RBI and the finance ministry, and he dismissed as “public relations” the suggestion that Mr
      Rajan was running a tighter monetary policy than the government wanted.
      Mr Rajan, he added, was doing the bidding of Prime Minister Narendra Modi in keeping the rupee
      strong and conducting the “most intensive exchange rate policy in the past 20 years”. Mr Shah said:
      “Raghu [Mr Rajan] is doing whatever the PM tells him to do.”
      Mr Rajan declined to comment on the draft financial code or the proposed MPC.
      Under Mr Rajan, the RBI has introduced inflation targeting, and signed a formal agreement with the
      government in February to aim for inflation below 6 per cent in January 2016 and about 4 per cent
      thereafter.
      The wording of the draft code illustrates the continued tension between the desire for growth and
      the need to curb India’s traditionally high inflation. “The objective of monetary policy is to achieve
      price stability while striking a balance with the objective of the Central Government to achieve
      growth,” it said.
      Under the proposed code, it would remain the responsibility of the RBI to ensure that inflation
      targets are met, even though central government members would have a majority of the votes on the
      MPC.

      “For the RBI to be accountable without having a majority in the MPC could eventually compromise
      the efficacy and credibility of the central bank, and hence we do not view this as a medium­term
      positive,” Nomura’s analysts said.
      Rajeev Malik, senior economist at broker CLSA, called the MPC proposal “disappointing” and said it
      appeared to reflect insecurity over monetary policy rather than the rumoured bad blood between
      members of the government and Mr Rajan.
      “Frankly one has to ask what use is an MPC which carries the risk of being dominated by
      government sympathisers rather than the thinking about the whole economy,” he said. “Indian
      politicians are quick to talk about India’s evolving global economic influence but, in some cases,
      have yet to upgrade their understanding of the benefits of independent monetary policy decisions.”
      The code is not final and the finance ministry has invited comments and suggestions that must be
      submitted by August 8.

  14. Os cabeças de bagre que não

    Os cabeças de bagre que não prestam veneração e não buscam consulta ao Oráculo Delfim e ao seu discípulo borgeano…

    Da Folha

    Confiança

    Antonio Delfim Netto

    Os economistas aprenderam que a “confiança” é a engrenagem fundamental no funcionamento da sociedade. É uma roda dentada: quando gira, põe em marcha todo o sistema; quando perde os dentes, o paralisa.

    Paradoxalmente, ela é difícil de definir, mas fácil de ver quando não existe!

    Por exemplo, quando os consumidores ficam mais cautelosos porque não têm “confiança” de que manterão seus empregos no futuro devido às incertezas sobre a política monetária. Quando os empresários liquidam seus estoques em lugar de manter ou ampliar o nível de sua produção porque não têm “confiança” no governo e nas suas promessas. Quando os banqueiros preferem comprar papéis do governo em lugar de financiar a produção porque não têm “confiança” no futuro do setor privado devido às dúvidas em relação aos objetivos da política social e econômica.

    Esses exemplos mostram que a “engrenagem” fundamental, a “roda dentada” que move todo o sistema, é a “confiança” que deve se estabelecer entre o setor privado e o Estado. O primeiro entendendo os problemas dramáticos do segundo e reconhecendo o fato de que o poder incumbente é o elemento regulador dos mercados para aumentar a competição num ambiente favorável aos negócios, e não aos “amigos negociantes”.

    O segundo, introjetando a sua finitude diante da perenidade do sistema, deve manobrar com inteligência e paciência para obter a cooperação do primeiro para a consecução dos seus objetivos.

    Desde Adam Smith isso é evidente. Ao contrário da dedução pedestre, não é apenas o interesse individual que leva ao interesse geral. Isso só ocorre quando há “confiança” de que o interesse individual obedece a um padrão de moralidade que levará ao interesse geral (o açougueiro não venderá carne de gato por carne de coelho, por exemplo). A falta de “confiança” entre os agentes impede o aproveitamento de inúmeras oportunidades de cooperação e eleva os custos de transação, reduzindo o crescimento econômico.

    Hoje, sabemos que uma razão fundamental para as enormes dificuldades de construir uma teoria monetária reside na própria essência da moeda. O que leva alguém a receber em troca de um objeto físico ou de um serviço uma quantidade de moeda? Nada além da “confiança”: a crença de que poderá trocá-la por outros bens físicos e serviços ou guardá-la como reserva de valor, o que altera profundamente o seu comportamento social, como mostrou Georg Simmel.

    Não é sem razão que há correlação positiva, e não relação de causalidade, entre o nível de confiança dos agentes sociais e econômicos no poder incumbente e o sucesso de suas políticas sociais e econômicas.

    ANTONIO DELFIM NETTO escreve às quartas-feiras nesta coluna.

     

    Os economistas aprenderam que a “confiança”… é o álibi do crime perfeito aplicado aos negócios da economia, refém/associado do sistema…(e como diz o coronel Nascimento: – o sistema é f.) na sua resultante final, faça sol ou faça chuva:

    se fato ou plano econômico resulta sucesso retumbante, está lá na resposta x³ > y = (-y.0)²  da complexa equação ou de uma receita da vovó para o bolo crescer bonito e poder ser distribuído para todos que contam:

     – a sociedade, o mercado e todo mundo que conta: confiaram!

    se, resulta fracasso retumbante, está lá na resposta-desculpa que dispensa as equações complexas e os apelos à vovó querida:

     – a sociedade, especialmente os pobres de espírito que não contam: não confiaram! ou desconfiaram…

    Por ocasião de mais um plano econômico da ditadura argentina, na mesma época do kaiser por aqui, o bruxo sábio Borges então comentou que pouco importa a complexidade, a genialidade, a inteligência econômica, a perfeição absoluta dos gênios da economia por trás ou pela frente dos planos econômicos na Argentina, por supuesto, se e somente se, os economistas e governantes criadores gestores operadores de tais planos econômicos não agirem integralmente civicamente com honestidade e responsabilidade, republicanas, acima de qualquer suspeita… em prol do bem estar da nação, especialmente dos pobres que se contam por cabeças das planilhas IBGEs, mas que, também gostam de bolo caseiro da vovó no café da manhã Sadia.

     

  15. Subir juros não está

    Subir juros não está funcionando para baixar inflação.

    Deveriam diminuir a SELIC. Os juros que deixarão de pagar deve cobrir esse superávit e sobrar. Se existem empresários aumentando preços por causa de SELIC baixa, o governo pode baixar a taxa de importação para os produtos que elevarem demais o preço. 

     

    • Inflação é a emissão de

      Inflação é a emissão de moeda.

      Juros são determinados pela preferência temporal do consumo, ou seja nivel de poupança nacional.

      O governo é o maior consumidor do país sua preferência temporal de consumo é determinado pela eleição, ele tem pressa em consumir, e pior ele se financia por meio da poupança interna e externa e pelo “imposto inflacionário”., 

      O governo influencia de diversas maneiras nos juros do país não apenas a SELIC.

       

  16. “superávit fiscal” já é um

    “superávit fiscal” já é um engodo na origem do termo.

    Ano passado o déficit foi foi de 350 bilhões, este ano deve chegar a 400 bilhões ou mais.

    A divida publica bruta (3608 bilhões r$) no Brasil é mensurada “diferente” do  resto do mundo, não leva em conta a divida total apenas em mâos do público, já começa ai a “contabilidade criativa”.

    O governo Dilma tem compromissos idelógicos e de projeto de poder, o que importa é estar no poder.

    O governo esta esperando é a que a sociedade absorva os efeitos da má gestão do estado para depois se autopromover em cima disso, “nuncaantesneste pais”.

     

     

  17. Aos economistas, falsos

    Aos economistas, falsos mestres e charlatões, aqui vai o meu protesto: Basta, basta, basta, canalhas!!!

    O país para fazer a gestão do crescimento não precisa dever nada a ninguém, especialmente o Brasil que tem as riquezas para transformar-se na concentração do valor .

    O segredo para fazer o investimento virar verdade é enchergar o presente à luz do futuro final, ministrando a conexão de tempo das obras.

    Mas violaram nossa integridade, o Levy lidera uma mafia de interesses no governo, dirigida pela ditadura do mercado financeiro, com seus colegas Tombini e Barbosa, nos fazendo enchergar tais coisas como se estivessem no passado.

    De tempos em tempos a função dessa mafia é ficar descontentes com a liderança de um governo; e procuram dar um fim na fase do crescimento, deixando para trás todos os ganhos de valorização do PIB. Se aplicam sobre uma nova perspectiva de vida mudando os sinais dos indicadores de atividades fins – parecem um motim juntamente com seus cumplices da mídia.

    Vocès mesmos do blog sabem que para acabar com esses sujeitos de mãos sujas, que serviram para sangrar o país, tudo que é necessário a mim é recordar do meio exterior, que basta para socorrer os necessitados do trabalho.

    Não tem autoridade – de todos fiel – que possa incluir nossos relacionamentos convictos para a própria consciência do país?… 

    É meu mister cumprir com o nosso cargo nos resultados sociais.

     

  18. Juros

    Mas é lógico que o PT não vai abaixar os Juros Selic. Veja bem, os detentores dos titulos da divida publica hoje são meia duzia de grandes bancos. São eles que pressionam o Copom pelo aumento da Selic.

    Só que nesta meia duzia de bancos, tem alguns que são financiadores das campanhas eleitorais do PT. Então o PT logicamente terá medo de dizer não aos seus financiadores, e em 2016, 2018. ficar sem financiamento de campanha.

    Sabemos que todo partido que tem expressiva votação teve uma camapanha eleitoral cara, e os financiadores desta campanha geralmente voltam depois para querer alguma coisa em troca.

    O medo do PT não seria de o “mercado” criar represálias contra o país, mas sim contra o financiamento da permanencia do PT no poder.

    Isto seria vender o futuro do país para permanecer no poder?

    Ou seja, são os mesmos vicios que afundaram o psdb, agora num partido de esquerda.

    • Para a esquerda, qual o problema de o PT aumentar os juros?

       

      Zé Guimarães (sábado, 25/07/2015 às 03:20),

      O problema de seguir o discurso da manada é que a manada que tem discurso mesmo é papagaio e papagaio não só não é manada como não sabe nunca o que está falando.

      Se você pensar um pouco vai constatar que o aumento do juro aumenta o gasto público e, portanto, os que querem aumento de gastos públicos não podem reclamar.

      Sua reclamação parece que é mais centrada no fato de o PT utilizar o aumento do juro para financiar a campanha do partido. Nós estamos no regime capitalista e democrático e o PT não tem nenhuma alternativa a isso. E o exemplo da candidatura de Paulo Antônio Skaf a governador de São Paulo que não quis fazer campanha para a candidatura da presidenta Dilma Rousseff mostrou ao partido que é melhor favorecer os banqueiros do que os nossos industriais.

      E sabendo que o PT está conseguindo melhorar a distribuição de renda no Brasil, a esquerda deve torcer para o partido manter-se no poder, utilizando os mecanismos que o sistema oferece. Talvez o aumento de juro seja um desses mecanismos. Até porque o juro alto reduz a inflação e a manada acha que inflação baixa é que é o bom. E claro que a direita vai ficando furibunda com as táticas que o PT usa para permanecer no poder. E tem mais é que se manifestar. Eu que sou da esquerda quero mais é ver a direita furibunda e se manifestando, mas só com palavras.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 25/07/2015

      • Não entendeu

        “Para a esquerda, qual o problema de o PT aumentar os juros?

        O Senhor não entendeu, Sr. Clever. Aumentando Juros, aumenta a dívida publica. Esta divida não pode aumentar infinitamente. Um dia, quando esta dívida bater um patamar, os credores vão exigir do governo o seu dinheiro de volta. E estes credores são os grandes bancos, dos quais o governo não pode simplesmente “dar um calote”

        São mais de 40% do PIB por ano pago em juros. Dava para caber quatro ajustes fiscais nele. Todos estes desempregados não importam para o Sr.? E se diz de esquerda.

        Quando a divida bater num patamar, e os bancos exigirem seu dinheiro, a sua distribuição de renda vai ir para o espaço. Cinquenta milhões de bolsa familia serão cancelados, e mais ajuste fiscal, mais desemprego.

        Aí ou o governo imprime dinheiro para honrar a sua folha de pagamento e isto significa a volta da inflação, ou deixa de pagar funcionários publicos, de prestar serviços, enfim, é o caos,

        Todo mundo é a favor de distribuição de renda, e não temos nada contra o financiamento de campanha do PT, desde que depois isto não vá custar 45% do PIB todo ano em pagamento de juros. O problema é o PT pagar o bolsa banqueiro, dos juros, e fazer ajuste fiscal nos desempregados.

        Ajuste fiscal no dos outros é refresco.

        E se fosse só isto tudo bem, mas por quanto tempo Dilma vai conseguir empurrar com a barriga o aumento da Dívida publica? A Grécia começou assim. Hoje a grécia corta quase todos os direitos sociais, aposentadorias, etc. Será que é isto que queremos para o Brasil?

         

        • É bom atentar-se para a dívida, mas ela não é o fim do mundo

           

          Ze Guimarães (sábado, 25/07/2015 às 20:59),

          Você enviou primeiro este comentário junto ao meu e depois enviou um segundo que eu escolhi por responder primeiro, fazendo de antemão um agradecimento por você ter dado atenção às minhas críticas. Renovo o meu agradecimento, mas não vou deixar de dizer que também aqui eu não concordo com sua crítica.

          Você optou por criticar o título do meu comentário. O título é apenas uma tentativa de resumir o conteúdo do comentário. Não sou conciso nem sucinto e em geral não consigo resumir no título o que eu disse em meu comentário. Para esclarecer o que eu quis dizer no título, isto é, no resumo do meu comentário, eu o transcrevo a seguir. Disse eu lá como título ao meu comentário:

          “Para a esquerda, qual o problema de o PT aumentar os juros?”

          O que eu quis dizer é que se o PT aumentar o juro, mas conseguir manter o poder e ao mesmo tempo melhorar a distribuição de renda, a esquerda deve ficar satisfeita. Deve ficar satisfeita com o fato de quem se mantém no poder nas últimas quatro campanhas presidenciais no Brasil seja um partido de esquerda e não um partido de direita e que esta manutenção no poder está sendo utilizada para melhorar a distribuição de renda que deve ser o objetivo maior da esquerda.

          Você não parece discordar disso e eu fico até satisfeito em saber que você, apesar de defender idéias da direita, pois quase tudo que você diz são ideias esposadas pela direita, quer uma melhora na distribuição de renda. O que você reclama é que o aumento do juro com o concomitante aumento dos gastos com a rolagem da dívida só vai servir para aumentar mais a dívida.

          Este aumento desenfreado da dívida não existe na economia real. Muitas vezes você aumenta as despesas e a receita não acompanha. Outras vezes é a receita que se eleva mais rapidamente. Então não vai existir essa sequência de a dívida aumentar indefinidamente em relação ao PIB. E mesmo que dívida pública cresça mais do que o PIB, há que se questionar o pior que você avizinha, pois para que o pior profetizado por você aconteça é necessário que haja a intenção de os banqueiros acabarem com esse processo de crescimento indefinido da dívida. Aliás você mesmo foi quem disse que os banqueiros “pressionam o Copom pelo aumento da Selic”. Assim se eles pressionarem para o governo pagar a dívida eles acabam ficando sem o ganha pão dele.

          Em minha avaliação você se preocupa muito com o ganho dos banqueiros e isso acaba levando-o a desconsiderar algumas questões importantes. Duas já mencionadas são o que se alcança em termos de distribuição de renda e o que ocorre de fato na economia em que após momentos de restrição na receita seguem outros em que a receita cresce em ritmo bem mais veloz do que a despesa.

          Um terceiro aspecto relativamente ao crescimento da dívida e que você desconsidera pode ser visto no seguinte artigo “Debt miracle: Why the country that borrowed the most industrialised first” de segunda-feira, 27/07/2015, de autoria de Jaume Ventura e Hans-Joachim Voth, e que pode ser encontrado no seguinte endereço:

          http://www.voxeu.org/article/debt-miracle-why-country-borrowed-most-industrialised-first

          O que se depreende desse artigo é que a dívida não pode ser vista apenas como sinal de fraqueza. Ou então que o aumento da dívida não sinaliza para uma piora da situação geral de um país. Não é por outra que vez ou outra Paul Krugman publica algum post alertando sobre esta questão. Há por exemplo o post dele de quarta-feira, 28/12/2011, intitulado “Debt Is (Mostly) Money We Owe to Ourselves” ou o post “Debt Is Money We Owe to Ourselves”, de sexta-feira, 06/02/2015. E sobre esse mesmo assunto da dívida pública, Marcio Pochmann se expressou de modo semelhante em entrevista concedida a Lu Aiko Otta, do Estadão de domingo, 03/02/2008. Diante da seguinte pergunta de Lu Aiko Otta, “Como se pisa no freio, já sabemos. Como se pisa no acelerador?”, ele assim respondeu:

          “Estamos vivendo um ciclo de expansão da economia fundado nos investimentos. Temos hoje uma poupança enorme. A dívida pública no Brasil é de 43%, 44% do PIB (Produto Interno Bruto). É dívida, mas é crédito”.

          Aliás, se não fosse o fato de Luis Nassif ter retirado da internet os posts da época de Projetobr, fazendo um desserviço à disseminação da informação, eu deixaria para você como uma oportunidade de ouro o link para o post “O problema é o BC” de domingo, 03/02/2008 às 23:58, no antigo blog de Luis Nassif Projetobr em que ele transcreve a entrevista de Marcio Pochmann, do IPEA, a Lu Aiko Otta. Nela há esta frase e muito mais e há também um rol muito extenso de bons comentários.

          E há ainda um quarto aspecto a considerar. A dívida bruta que representa este percentual elevado de 60% é composta em grande parte de dívida entre entes públicos ou entidades governamentais, ou seja, é dívida do governo para o governo.

          Clever Mendes de Oliveira

          BH, 27/07/2015

      • Nenhuma alternativa?

        “Nós estamos no regime capitalista e democrático e o PT não tem nenhuma alternativa a isso.” ( financiamento privado de campanha)

        Tem certeza disto? O PSOL não usa financiamento privado de campanha.

        ——————–

        “Até porque o juro alto reduz a inflação”

        De onde tirou isto? FHC teve os maiores juros da história e terminou seu mandato com a inflação de 12%. Inflação é causada por falta de produção e excesso de gastos do governo. Só que juros alto inibe a produção e aumenta gastos do governo. Ou seja o aumento da Selic aumenta a inflação a longo prazo.

        Lula teve os menores juros dos ultimos 20 anos e também a menor inflação. Este papo de que juros aumenta a inflação é desculpa de banqueiro para encher o bolso com o dinheiro publico através dos juros, enquanto que o governo faz malabarismos fiscais justamente porque está sem dinheiro.

        ——–

        “Se você pensar um pouco vai constatar que o aumento do juro aumenta o gasto público e, portanto, os que querem aumento de gastos públicos não podem reclamar.”

        Esta eu não entendi. Quem são estes que querem aumento dos gastos públicos? Teria gente tão sem noção neste país?

        Francamente

        • Valeu o retorno, mas para mim, suas idéias são equivocadas

           

          Ze Guimarães (Sábado, 25/07/2015 às 21:09),

          Antes de mais nada fico grato com a atenção dispensada às minhas críticas ao seu comentário.

          Na sua réplica você dá como alternativa ao proceder do PT, o não uso pelo PSOL do financiamento privado de campanha. Em parte você tem razão: não utilizar financiamento privado de campanha é uma alternativa, mas é uma alternativa apenas para partidos que desejam ficar na oposição representando apenas uma força embrionária. Não se trata de alternativa para um partido que almeja manter-se no poder.

          Quanto a sua crítica à minha afirmação de que o juro alto reduz inflação, sob a justificativa de que a inflação “é causada por falta de produção e excesso de gastos do governo” e que o juro alto “inibe a produção e aumenta gastos do governo”, eu gostaria de fazer alguns contrapontos.

          Primeiro lembro que não sou economista e, portanto, não há o compromisso técnico com as minhas afirmações econômicas. O que eu vivenciei, o que eu acho, e o que eu leio é o suficiente para eu apresentar minha opinião. Se um economista vir algum erro metodológico no que eu afirmo e achar pertinente corrigir-me não vejo mal nisso, ao contrário aceito de bom grado.

          Agora acho que suas críticas estão com um viés muito de direita. O problema não é tanto ser crítica de direita, mas de serem críticas inconsistentes ou equivocadas como em geral são as críticas de direita. A inflação em geral é causada por demanda crescente e por custos também em elevação e por produtividade estagnada. Aumento de salários não só aumenta a demanda como aumenta os custos, a menos que haja aumento de produtividade, e isso gera inflação.

          Os gastos públicos americanos são maiores que a receita e, no entanto, praticamente não há inflação. A inflação causada pela oferta pode ocorrer em razão de uma catástrofe ou de uma seca prolongada, mas não é algo que se mantenha. Só os empresários e os que se põem do lado deles é que pedem, como forma de aumentar a produção, para reduzir a carga tributária, que é o instrumento do governo realizar a melhora na distribuição de renda, e que culpam os gastos do governo como causa da inflação. É o que a direita americana vem alegando ultimamente, mas ameaçando com uma inflação que não há, mas que virá segundo a direita. E esquecem da época do governo de Ronald Reagan em que houve aumento assustador do déficit americano e a inflação manteve-se em queda.

          Há, é verdade, alguns questionamentos sobre os efeitos do juro sobre a inflação. Deixo aqui a indicação do post “A desastrosa política monetária, por Motta Araujo” de sábado, 02/05/2015 às 11:16, aqui no blog de Luis Nassif e com texto de autoria de Motta Araujo e que pode ser visto no seguinte endereço:

          https://jornalggn.com.br/noticia/a-desastrosa-politica-monetaria-por-motta-araujo

          Lá eu enviei um comentário domingo, 03/05/2015 às 13:23, para junto do comentário de Laura enviado domingo, 03/05/2015 às 06:24, em que faço menção a um artigo de Antonio Delfim Netto em que ele faz referência a esta tese antiga do aumento do juro como causa de inflação pelo viés do custo. O artigo de Antonio Delfim Netto, primeiramente publicado no jornal Valor Econômico de terça-feira, 29/03/2005, intitulado “Ressuscitado o efeito Patman?” pode ser visto no seguinte endereço:

          http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/450929/noticia.htm?sequence=1

          E em 2011, o economista de direita John H. Cochrane publicou um artigo em que ele defendia que o aumento do juro causa aumento da inflação pelo viés da expectativa como se pode ver no texto “Determinacy and Identification with Taylor Rules” publicado no Journal of Political Economy, Vol. 119, No. 3 (June 2011), pp 565-615, e que pode ser visto no seguinte endereço:

          http://faculty.chicagobooth.edu/john.cochrane/research/papers/cochrane_taylor_rule_JPE_660817.pdf

          Um pouco depois, houve dois posts breves no blog Economista-X que trataram desse artigo de John Cochrane. Um em defesa de John Cochrane de autoria de Rodrigo de Losso intitulado “Que Princípio de Taylor?” de terça-feira, 24/09/2013, e que pode ser visto no seguinte endereço:

          http://economistax.blogspot.com.br/2013/09/que-principio-de-taylor.html

          E o outro, mais crítico, de autoria de Carlos Eduardo Gonçalves e intitulado “Eu não li o paper do Cochrane (wonkish)” de segunda-feira, 23/09/2013, e que pode ser visto no seguinte endereço:

          http://economistax.blogspot.com.br/2013/09/eu-nao-li-o-paper-do-cochrane-wonkish.html

          Recentemente esse assunto foi retomado como se pode ver junto ao post “Why the Belief Function Matters” de terça-feira, 21/07/2015, no blog de Roger Farmer, e que pode ser visto no seguinte endereço:

          http://rogerfarmerblog.blogspot.com.br/2015/07/why-belief-function-matters.html

          Deixo o link para o post de Roger Farmer porque lá ele deixa vários links para os textos que retomaram a discussão do artigo de John Cochrane.

          Agora o que importa mesmo para o combate à inflação é o juro real. E aqui eu vou utilizar o argumento da direita, mas da direita que serviu ao governo de Lula quando tivemos segundo você “os menores juros dos últimos 20 anos”. Trata-se do artigo “Derruba, sim…” de quarta-feira, 02/03/2014, publicado no jornal Folha de S. Paulo e de autoria de Alexandre Schwartsman. No artigo, o economista apresenta um gráfico em que, considerando o período de 2006 a 2014, no Brasil, para se ter uma inflação de 3% precisa de um taxa real de juros de mais de 10% enquanto para se ter uma inflação de 6% precisa de uma taxa real de juro de menos de 4%. O artigo de Alexandre Schwartsman na Folha de S. Paulo foi reproduzido no blog dele no post “Derruba sim…” de terça-feira, 08/04/2014 e pode ser visto no seguinte endereço:

          http://maovisivel.blogspot.com.br/2014/04/derruba-sim.html

          O artigo “Derruba, sim…” foi uma crítica ao artigo de Yoshiaki Nakano “Juro alto não derruba inflação” publicado no Valor Econômico de terça-feira, 18/03/2014 às 08:16, e que foi reproduzido aqui no blog de Luis Nassif no post “Nakano: juro alto não derruba inflação” de terça-feira, 18/03/2014 às 08:16, podendo ser visto no seguinte endereço:

          https://jornalggn.com.br/noticia/nakano-juro-alto-nao-derruba-inflacao

          E o que torna mais equivocado o seu argumento é que nele você está com os olhos voltados para o passado. Se você for para o fim da primeira semana de agosto de 2016, quando já se souber qual terá sido a inflação medida pelo IBGE para o IPCA dos últimos 12 meses a encerrar em julho de 2016 e comparar com a inflação medida pelo IBGE para o IPCA dos últimos 12 meses, agora no início de agosto de 2015, você constatará uma inflação uns 3 pontos percentuais mais baixa em 2016 do que a de 2015.

          Quanto a sua pergunta sobre quem seriam aqueles “que querem o aumento dos gastos públicos”, eu transcrevo a seguir a nota de rodapé na página 3 do artigo “Os gastos públicos no Brasil são produtivos?” de autoria de José Oswaldo Cândido Júnior, publicado pelo IPEA em “Planejamento e políticas públicas”, nº 23 de junho de 2001. Na nota de rodapé José Oswaldo Cândido Júnior escreveu:

          “Antes de Wagner, Thomas Malthus defendeu, em 1820, a idéia de que era necessário aumentar os gastos públicos para estimular a demanda agregada e o crescimento econômico. A esse respeito ver T. Szmrecsányi (1982)”

          O artigo “Os gastos públicos no Brasil são produtivos?” pode ser visto no seguinte endereço:

          http://www.ipea.gov.br/ppp/index.php/PPP/article/viewFile/77/88

          É claro que você pode alegar que as idéias de Thomas Malthus são ultrapassadas. Pode ser, mas então por que será que quase todos os países ricos mantêm déficit público elevado? Talvez eles não conheçam os ensinamentos que você tem a oferecer.

          Clever Mendes de Oliveira

          BH, 27/07/2015

  19. Faltou nominar os cabeças de planilhas e vínculo com o déficit

     

    Luis Nassif,

    Vinha acompanhando seu raciocínio e concordando até que deparei com a frase:

    “Essa falácia do ajuste fiscal neutro já foi banido até do pensamento binário das agências de risco”.

    A questão é que você não deixou claro sobre o que constitui a falácia do ajuste fiscal neutro. Para o bom entendedor meia palavra basta. Provavelmente não é o meu caso. Não sei o que é ajuste fiscal neutro e consequentemente eu não saberia dizer o que é a falácia desse ajuste. Fica, entretanto, transparecendo ignorância minha, pois você dá a entender que esse ajuste fiscal neutro é de conhecimento tão amplo e tão corriqueiro que já foi inclusive banido do pensamento binário das agências de risco.

    De todo modo há uma tentativa de esclarecimento sobre o que se considera como falácia do ajuste fiscal. Para você:

    “Hoje se sabe que a partir de determinado nível de corte nas despesas, produz-se uma queda de arrecadação mais que proporcional ao valor economizado”.

    A falácia seria então acreditar que o corte de despesas não produz queda na arrecadação. Não sou economista, mas me parece que o multiplicador keynesiano faz parte da compreensão da economia há muito tempo. Falar como se só hoje se soubessem disso me parece um despautério.

    Toda esta questão do ajuste fiscal neutro e da sua falácia (falácia do ajuste do fiscal neutro, no entanto, não me importa muito. Há muita coisa que eu não sei, mas percebo que desconhecer muita coisa não me impede de ver que os argumentos sobre assuntos em que a minha ignorância é menor não estão bem apresentados. É o que eu vejo na sua frase seguinte quando você diz:

    “Está aí a Grécia para confirmar agora, a Argentina de Cavallo para confirmar o passado e, em nível menos drástico, o Brasil de Joaquim Levy”.

    Não posso levar a sério alguém que mistura a Grécia de hoje, a Argentina de Cavallo e o Brasil de Joaquim Levy. A Grécia é um Estado da Zona do Euro, a Argentina de Cavallo não era um Estado dos Estados Unidos e o Brasil de Joaquim Levy tem moeda livre.

    Logo em seguida você diz:

    “O mercado já tinha assimilado essa queda da meta”.

    Se este seu post “Os cabeças de planilha e as metas de superávit” de sexta-feira, 24/07/2015 às 18:37, tivesse se iniciado com a frase acima ele ficaria de bom tamanho. E de certo modo você incluía o mercado como uma parte da economia que tinha essa compreensão da realidade econômica de que a meta não seria alcançada. Essa informação seria importante para mim porque eu lia o post “Os cabeças de planilha e as metas de superávit” com dois objetivos: saber a que cabeças de planilha você se referia e saber que relação você queria apresentar entre os cabeças de planilha e as metas do superávit. Pelo menos ficou subentendido que não estavam no mercado os cabeças de planilha.

    E ai você se refere ao terrorismo que se sucedeu ao anúncio da redução das metas. E começa mencionando coluna de Mirian Leitão. Eu havia lido algo em alguma coluna dela e achei meio suspeita a frase dela que você transcreveu e que reproduzo a seguir:

    “reduzir a meta parece ter sido um tiro no pé do governo. O Ministro Joaquim Levy era contrário à ideia”.

    Fui confirmar a frase e ela aparece no artigo “Dívida pública pode chegar a 70% do PIB em 2017, diz banco” de quinta-feira, 23/07/2015 às 16:27, mas sendo dada como de autoria de Alvaro Gribel, como se pode ver no seguinte endereço:

    http://blogs.oglobo.globo.com/miriam-leitao/post/divida-publica-pode-chegar-de-70-do-pib-em-2017-diz-banco.html

    E a frase vem no final de texto solta e sem explicação. Quando a li a primeira vez sem me preocupar com a autoria achei que a Miriam Leitão estava querendo criar intriga no governo porque não me parecia que o ministro Joaquim Levy pudesse ser tão tapado para não considerar muito mais transparente reconhecer que a meta teria que ser reduzida.

    Você, surpreendentemente, veio em socorro do ministro Joaquim Levy e diz que ele “[p]retendia mantê-la unicamente para ganhar poder de barganha com o Congresso”.

    Em princípio vi com bons olhos essa sua afirmação, mas do jeito que as análises estão sendo feita fica também a impressão que de lado estão os colunistas de Miriam Leitão criando intriga dentro do governo e do outro lado, lado de fora, está você criando intriga entre Joaquim Levy e o Congresso.

    O que se observa é que um trecho de seu post em que você iria desmascarar os cabeças de planilha só serviu para apresentar a frase de Alvaro Gribel, e a sua justificativa para a frase que mais pareceu intriga contra o governo. E serviu também para deixar subentendido que só os tapados é que reivindicariam que não se fizesse o ajuste nas metas.

    Ai há um terceiro bloco de parágrafos em que você ressalta que o que ocorreu ao propor a redução da meta foi apenas uma operação lógica do governo. Faltou só completar que como a presidenta Dilma Rousseff não é política mas sim uma técnica não se poderia esperar outra medida do governo.

    E então entra um quarto e último bloco de parágrafos. Nele você faz uso de dois argumentos. No primeiro você apresenta a lógica da Fazenda e do Banco Central e que seria fazer o ajuste e aumentar a Selic bastante para se ter a redução da inflação para que no futuro se possa ter condições de reduzir juro e com isso aumentar investimento. Lógica que você considera como uma aposta em roleta russa com quatro balas em um tambor de cinco.

    No outro argumento você afirma que os cabeças de planilha vão alegar quando a relação dívida/PIB ficar mais gorda (na verdade seria maior mas como você digitou alimentará no lugar de aumentar eu faço uso desta analogia) que a culpa é do Congresso que não permitiu os superávits fiscais necessários.

    Este segundo argumento recomendava que o título do post fosse: “Os cabeças de planilha, o Congresso e as metas de superávit”. Pelo menos assim não se ficaria buscando que você nominasse os cabeça de planilha e nem se ficaria esperando alguma relação que você conhecia entre os cabeças de planilha e as metas de superávit. É bem verdade que tivesse você utilizado o título mais adequado, só haveria mesmo o último parágrafo do post “Os cabeças de planilha, o Congresso e as metas de superávit” a justificar a presença, os demais parágrafos seriam mera perfumaria que talvez mais bem adornassem, se se pode chamar o estilo deles de adorno, outros posts.

    Quanto ao seu primeiro argumento em que você apresenta a aposta da Fazenda e do Banco Central eu penso que ele peca pelo mesmo viés presente na afirmação que eu transcrevi acima em que você iguala desiguais. Transcrevo a frase novamente a seguir:

    “Está aí a Grécia para confirmar agora, a Argentina de Cavallo para confirmar o passado e, em nível menos drástico, o Brasil de Joaquim Levy”.

    Você não dá a mínima para as condições e circunstâncias em que os acontecimentos se dão. Em 1998, o Brasil fez um ajuste fiscal descomunal e em 1999, o Brasil aumentou a Selic de modo descomunal. Em 2001, o Brasil cresceu 4% e só não continuou crescendo porque o ministro do Planejamento do governo anterior não fez nada para evitar um apagão elétrico como de fato aconteceu em 2001 e que impediu o Brasil a continuar a crescer.

    Comparado com o que ocorreu em 1999, sem considerar ainda que em 1998, a inflação foi quase nula e também foi quase nulo o crescimento e mais importante, o desemprego era elevado, o aumento da Selic agora é pífio e não tem nada de descomunal.

    Agora pode ser que a equipe do governo conte que uma elevação maior da Selic agora tenha o condão de reduzir a inflação mais rapidamente e que mais à frente com a redução concomitante da Selic haverá a volta dos investimentos. Só que não creio que este é o ponto mais importante em relação ao ajuste e em relação as circunstâncias.

    Em relação às circunstâncias o que se deve imaginar é que com a desvalorização do real os ganhos maiores do setor exportador vai levar ao aumento dos investimentos, e o aumento do mercado para o setor industrial que concorre com os produtos importados também aumente os ganhos desse setor e isso leve a aumento dos investimentos.

    E em relação ao ajuste o que se conta é que em razão dos fortes gastos que o país teve que realizar para a economia não desandar em 2014, ano de eleição, houve um aumento exorbitante do déficit no Balanço de Pagamentos. Com o ajuste o governo conta que possa conter este déficit, o que parece que está acontecendo com a redução do déficit no setor de serviços e com o saldo na Balança Comercial. E além disso, o governo também conta que quando o juro americano subir o país não seja pego no contrapé.

    No fundo os cabeças de planilha que você não quis nominar são estes: os que não querem entender a estratégia do governo.

    Clever Mendes de Oliveira

    BH, 25/07/2015

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