Os caminhos da inovação

Do Último Segundo

Coluna Econômica 24/03/2010

Um dos grandes desafios brasileiros, para as próximas décadas, será o de levar os conceitos de inovação para as pequenas e médias empresas.

Por inovação entenda-se não apenas produtos inovadores, mas toda modificação no processo de produção ou de gestão que permita ganhos para a empresa e para os consumidores.

Por exemplo, mudar o sistema de vendas; ou descobrir um processo novo de administrar estoques, tudo se enquadra no conceito de inovação.

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No Brasil, apenas no final dos anos 90 teve início um movimento – ainda tímido – de estimular a criação de empresas inovadoras.

Os programas de governo até agora levados a cabo são tímidos, sem conseguir massificar os conceitos.

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Recentemente, a Confederação Nacional da Indústria resolveu chamar a si essa responsabilidade. Tomou como base a rede do movimento pela qualidade.

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A lógica brasileira é curiosa. Décadas atrás, para obrigar o pesquisador brasileiro a perseguir padrões internacionais, os sistemas de financiamento à pesquisa e de qualificação passaram a exigir a publicação de artigos indexados – nas grandes publicações internacionais.

Hoje em dia, o Brasil é responsável por 2,7% das publicações científicas do mundo.

Sem uma estrutura de inovação interna, esse conhecimento passou a ser aproveitados por competidores mais antenados – como os coreanos.

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Nos últimos anos, o sistema CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal de Nível Superior) está tentando introduzir novos elementos na avaliação dos pesquisadores. Um deles, é o de número de patentes que consegue.

Em geral, há muita ilusão em relação às patentes. Antes, eram vistas como garantia jurídica, o registro de uma ideia, obrigando o autor a repassar o conhecimento para todos, em troca da exclusividade para explorar a ideia durante determinado período. Como tal, tornou-se importante motor de inovação.

Nas últimas décadas, perdeu essa função. Hoje em dia, uma empresa brasileira levará dois anos para registrar uma patente no Brasil, outro tanto nos Estados Unidos, pagando de US$ 10 a 15 mil. Com a rapidez das inovações no país, os escritórios de registro concedem a patente, mas não a segurança jurídica. Hoje em dia há uma verdadeira indústria das ações judiciais, contestando patentes nos tribunais a um custo entre US$ 300 mil a US$ 500 mil.

Essas práticas tornam praticamente impossível a uma pequena ou média empresa o registro de patentes.

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Pior. Se o país não possui uma estrutura de apoio e desenvolvimento das inovações, o registro de patente é um tiro no pé. O autor precisa divulgar o processo de inovação. Em pouco tempo haverá um concorrente mais capacitado introduzindo alguns aprimoramentos incrementais, gerando novas patentes e se apossando da ideia.

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Por tudo isso, o processo de inovação é algo muito mais complexo do que meramente lançar ideias. Há a necessidade de um esforço público – em parcerias com as instituições privadas – visando criar o clima adequado. E aí passa pela parceria com a Universidade, pelas leis de incentivo, pelos financiamentos das fundações.

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