Os cenários tenebrosos para a pandemia e a economia, por Luis Nassif

A lógica de Bolsonaro continua sendo a de acentuar os problemas do isolamento, como maneira de desgastar os governadores. Ainda que à custa de milhares de mortes.

Pedro Guerreiro/Ag. Pará

A tragédia da pandemia está longe de terminar.

Na linha de frente de combate, os governadores tentam impor isolamento social, em um momento de ocupação total de UTIs por todo o país. Congresso, Supremo e sociedade civil tentam enquadrar Bolsonaro. Mas sua insensibilidade e ignorância superam qualquer avaliação. Ontem, em evento público, voltou a se declarar contra lockdowns, inclusive recorrendo a notícias falsas.

Se nada for feito, pode-se chegar ao início de maio com perto de 500 mil mortos.

Confira os dados levantados pelo GGN

Variável 1 – os gráficos que medem o crescimento da média diária semanal, em relação a 7 dias atrás. Confira que, diariamente, a curva se mantém na faixa dos 25% de crescimento semanal.

Variável 2 – a segunda tabela mostra o quadro de ontem, de variação da média em 7 dias. Há crescimento de óbitos em 21 estados.

Variável 3 – o patamar atual de óbitos, que bateu em 295.425 óbitos registrados até então.

Cenário – mantidos esses dados, a curva de óbitos será acrescida, a cada 7 dias, de um crescimento de 25% na média semanal. Mantido esse ritmo, no início de maio o número de óbitos terá batido os 500.000.

Some-se a esse quadro uma política econômica completamente pró-cíclica – isto é, acentuando o quadro recessivo. Do lado do Banco Central, aumentos extemporâneos da taxa Selic. Do lado do Ministério da Economia, a total incapacidade de adotar medidas de reativação da economia.

Atrasa-se a liberação da renda emergencial, que será de pequeno valor. Não há nenhum movimento visando segurar a alta do câmbio. Não existem políticas de apoio a pequenas e micro empresas, visando segurar o desemprego e garantir a sobrevida das empresas, inclusive para poder enfrentar as consequências do isolamento.

A lógica de Bolsonaro continua sendo a de acentuar os problemas do isolamento, como maneira de desgastar os governadores. Ainda que à custa de milhares de mortes.

Some-se aumento de custos de produção, desmonte de cadeias produtivas de setores relevantes, para se ter um ano muito pior do que o ano passado.

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