Os desafios da indústria química

Por André Inohara, da Dinheiro Vivo

A indústria química brasileira quer ser a quinta maior do mundo e gerar 1,5 milhão de empregos diretos e indiretos na cadeia produtiva até 2020. Essa meta foi traçada pela Abiquim (Associação Brasileira da Indústria Química), e passa pela criação de uma política industrial que estimule as exportações, fortaleça a cadeia produtiva nacional e gere renovação tecnológica.

“O mundo vai se mexer. Propomos que o Brasil não fique dependente de produtos importados. Somos a 9ª indústria química do mundo e queremos ser a 5ª”, disse o presidente do conselho diretor da Abiquim, Bernardo Gradin.

Para aumentar a produtividade da indústria, é preciso investir e melhorar a produtividade. Na primeira etapa da cadeia produtiva, formada pelas matérias-primas e insumos, a Abiquim considera fundamental garantir o fornecimento de nafta, insumo básico para a fabricação de plásticos, e gás. O mercado interno sofre um déficit de nafta em torno de 30% (que acaba sendo importado), bem como de gás natural. Por isso, é importante ampliar as usinas de refino e distribuição do produto.

Gradin lembra que o Oriente Médio, maior região produtora de petróleo do mundo, tem essas matérias-primas em abundância e políticas de incentivo para criar indústrias transformadoras de primeira e segunda geração.

O estímulo às exportações é outra prioridade. Para a Abiquim, o País tem que estimular mais as exportações por meio de políticas de incentivo e mais acordos comerciais, além da substituição de importações. Gradin voltou a lembrar que o Oriente Médio chega a subsidiar a produção química com isenção de impostos.

Além disso, o setor precisa da ajuda do governo para fortalecer a cadeia produtiva. Entre as sugestões listadas pela associação, está a participação ativa do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O setor carece, por exemplo, de linhas de financiamento para modernização do parque industrial e capital de giro para exportação.

Como parte da modernização do setor, é necessário investir em renovação tecnológica, por meio do domínio de mais processos industriais. Isso pode ser feito com parcerias entre universidades, indústria e governo, além de formação de clusters tecnológicos como o etanol.

Nesse contexto, a exploração dos recursos da camada pré-sal do litoral brasileiro devem ser incluídas. “Temos que combinar a política industrial com o pré-sal”, continuou Gradin. A indústria química defende que o petróleo gere valor, assinalou Gradin, referindo-se à ênfase na transformação dos derivados de petróleo.

Até o final do ano, a Abiquim pretende entregar ao governo a sua proposta de desenvolvimento do setor. “Ainda está em fase de esboço, mas deve ficar pronto até outubro”, disse Gradin.

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