Os fantasmas que restam na economia

Coluna Econômica 08/04/2010

Ainda não há motivo para comemorar a recuperação da economia mundial.

Nos Estados Unidos, pela primeira vez desde a crise houve aumento líquido dos postos de trabalho. Mas nada muito relevante.

Ontem, o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, afirmou que o desemprego, o fraco setor imobiliário e a dificuldade de empréstimo para os pequenos negócios são os principais obstáculos para a recuperação da economia norte-americana.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, a crise financeira diminuiu e o crescimento econômico provavelmente reduzirá o desemprego no país no próximo ano, mas os Estados Unidos enfrentam outros problemas, como a falta de um processo sustentado de recuperação no setor de habitação, um mercado imobiliário “turbulento” e um índice de contratações “muito fraco”.

Os comentários refletem as preocupações dos funcionários do Fed de que o mercado de trabalho e o crédito apertado devem limitar os gastos dos consumidores. Tais temores fizeram a entidade manter a disposição de juros baixos por um “período prolongado”.

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Para Bernanke, o maior desafio está no mercado de trabalho, que adicionou 162 mil vagas em março, com o desemprego em 9,7%. Já a inflação parece estar controlada, registrando taxa anual de 1,3% em fevereiro.

Além de enfrentar o ritmo pequeno de recuperação econômica, os Estados Unidos ainda têm um acerto de contas na área fiscal.

O governo americano estima que os déficits governamentais devem totalizar US$ 5,1 trilhões nos próximos cinco anos, e atingir um valor recorde de US$ 1,6 trilhão no encerramento do atual ano fiscal.

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Os EUA ainda têm a vantagem de dispor da moeda reserva da economia global e de potencial tecnológico e de consumo.

Mas o risco de bancarrota de países menores continua a assombrar o mercado mundial.

Ontem, os bancos gregos pediram permissão para acessar o que sobrou do pacote de ajuda governamental criado em 2008.

Segundo o jornal americano The New York Times, os investidores têm pressionado os bancos gregos desde o ano passado, quando ficou claro o tamanho da crise fiscal grega. O custo dos empréstimos disparou, depois da revelação de que o déficit orçamentário seria mais que o dobro do inicialmente previsto.

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A ajuda viria na forma de empréstimos e títulos do governo grego, que os bancos poderiam usar de garantia para as linhas de crédito do Banco Central Europeu (BCE).

Os bancos já fizeram uso de parte do financiamento do plano, mediante a emissão de ações preferenciais para o Estado em troca de injeções de capital. Mas a maior parte do pacote, principalmente as garantias estatais, não foi usada.

As entidades financeiras gregas afirmam repetidamente que não estão enfrentando problemas de liquidez, mas alguns estão tendo mais dificuldade para levantar fundos nos mercados de dinheiro, tornando-os mais dependentes do financiamento do Banco Central Europeu.

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No fundo, a discussão é sobre a responsabilização pela crise e sobre quem paga a conta. Houve imprudência dos países europeus, mas um jogo pesado por parte de grandes bancos credores, confiantes de que poderiam aumentar a aposta sem riscos.

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