Os filhos da Febem

Coluna Econômica – 21/02/2007

Coloco no meu Blog a coluna sobre a questão do menor. E recebo o seguinte comentário do leitor que assina JB

“Oi Nassif bom dia!

“Quando nasci fui abandonado pela minha mãe, pois meu pai me abandonou muito antes de meu nascimento. Fiquei interno na FEBEM (MG), até os 18 anos, quando junto com outros colegas prestei concurso público e entrei para o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais”.

“Na escola onde éramos internos, não havia grades, cercas, muros ou qualquer outro tipo de sistema que nos levasse a considerar nos presos. Tínhamos a rotina de todos os dias acordar as 06h30min da manhã, arrumar a cama, tomar café, irmos para a aula das 07h00min até as 11h30min, na parte da tarde alguns trabalhavam na lavoura, outros faziam cursos profissionalizantes (música, mecânica, cursos no SENAC, técnico agrícolas, marceneiros etc.). À noite das 19:00 até as 21:00 éramos obrigados a ficar em salas de estudo”.

“Isso foi nos anos 80. hoje somos sargentos, tenentes, capitães do Corpo de Bombeiros. O comandante do Policiamento do Mineirão é o Capitão Cecílio, que foi interno naquela época; o Comandante do Batalhão de Bombeiros na cidade de Divinópolis é o Ten.- Coronel Paulo Adriano. Somos a prova viva de que se o Estado realmente se importar com o menor abandonado, existem meios sim de ajudá-los a tornar cidadãos”.

“Citei somente a “turma” que entrou para o Corpo de Bombeiros, mas existem muitos outros bons exemplos para provar isso. por incrível que pareça a Escola onde éramos internos (Escola FEBEM Lima Duarte), teve uma decadência vertiginosa a partir do momento em que a política começou a intrometer nos assuntos internos (troca de diretores por favores)”.

***

Objetivamente falando: de quem é a culpa pelas centenas de criminosos que as FEBEMs, de Minas e de São Paulo, passaram a despejar no mercado após o início da politização (como em Minas) ou da incompetência administrativa (como em São Paulo)? Por trás da maioria dos crimes de ex-egressos da FEBEM estão governantes irresponsáveis que deixaram perder o projeto pedagógico do órgão.

O governo Alckmin levou seis anos demonstrando total incompetência para tratar dos problemas da FEBEM no estado. Há uma relação direta entre sua incompetência e os crimes dos ex-egressos. Os segundo são punidos. E os ex-governantes? Não são punidos sequer pelos eleitores, porque na ânsia de atacar apenas os efeitos, a mídia em geral não se propõe a discutir objetivamente as causas.

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Há duas etapas na vida do criminoso. A etapa preliminar, onde a sociedade e o Estado precisam juntar forças para disputá-lo com o crime organizado. E a segunda etapa, quando se torna criminoso. Alguns, pelas contingências da vida. Outros, por terem nascido com natureza de criminoso mesmo. Ao segundo grupo, todo o rigor da lei.

Um trabalho pedagógico e profissional incluiu centenas de cidadãos ao mercado de trabalho. No exemplo mencionado, todos se dirigiram a uma das mais nobres profissões: a de bombeiros. Quer exemplo maior da capacidade regeneradora da educação e da retribuição que os incluídos dão à sociedade?

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