Os Nobel e o Brasil

Do leitor André Araújo

VEJA de hoje apresenta uma matéria sobre o não crescimento do Brasil em comparação com a China e a Índia, com um recheio de declarações de seis Prêmios Nobel de Economia.

Os Nobel foram escolhidos a dedo. Cinco americanos e um canadense. Nenhum europeu. Não pediram opinião a Joseph Stiglitz porque ele iria fulminar a política monetária, a causa principal da estagnação.

Os escolhidos por VEJA no geral tem escasso conhecimento sobre o Brasil e usaram os costumeiros chavões que servem para qualquer lugar abaixo do Equador.

Gary Becker, ultra monetarista de Chicago atribui a estagnação do Brasil ao capitalismo de compadrio. Curioso. Em comparação com a China e a Índia o capitalismo brasileiro é muito mais moderno. Compadrio mesmo existe na China e na Índia, o que não as impediu de crescer.

Robert Mundell por sua vez atribui o atraso brasileiro ao protecionismo sufocante. Mas como? A Índia é infinitamente mais protecionista que o Brasil. Banco estrangeiro lá não pode abrir agência.

Diz que o Brasil é um dos paises mais fechados do mundo. Aonde? Depois dos EUA o Brasil é o maior importador de jatinhos e de Ferraris do mundo, o País é o paraíso das lojas de grife, São Paulo é a única cidade do planeta onde há duas lojas Tiffanys, o que não se vê inclusive em New York, a importação de supérfluos e a conta capitais são inteiramente livres no Brasil de hoje, onde está o protecionismo?

Nenhum dos seis sábios fez qualquer crítica à política monetária. Muito menos ao fato do País não ter uma estratégia econômica de longo prazo, o que pressupõe a ação do Estado, como fazem a China e da Índia.

Os defeitos que eles viram no Brasil são os mesmos que vêem os defensores do Consenso de Washington, a turma da lição de casa.

A matéria é inteiramente ideológica, é a agenda dos sonhos de VEJA e dos interesses e pensamento econômico que a revista representa.

Há muitos anos há uma grande controvérsia sobre os Prêmios Nobel de Economia. Eles não fazem parte do legado original de Alfred Nobel. Foram instituídos na década de 60 pelo Banco da Suécia e seus críticos, inclusive da família Nobel, alegam, com razão, que um prêmio de Economia é essencialmente ideológico e no caso do Nobel de Economia é patente o viés conservador e a agenda do mercado financeiro internacional nos critérios de premiação, chegando ao vexame de se galardoar com o Nobel dois professores americanos (Merton e Scholles) que usaram o cacife para dirigir um fundo de hedge, o Long Term Capital Management, que quebrou com estrondo e só não afundou com Wall Street porque o Fed pilotou uma operação de salvamento às pressas.

Portanto, usar Prêmios Nobel como aval para política econômica é uma tolice sem nome e só engana os crédulos. Por definição um premiado com o Nobel é um teórico e não se conhece nenhum grande País que recorreu a esse academicismo premiado para dirigir sua economia real. Cuidado, portanto, com os conselhos de VEJA, é ideologia pura disfarçada de sabedoria.

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