Os PACs estaduais

Enviado por: Hans Bintje

Caro Nassif:

Esse seu artigo me colocou na situação bizarra de defender o Banco Central. O Mantega foi massacrado essa semana em Londres porque os investidores logo perceberam que o plano, apesar de bom, não está sendo acompanhado pelas outras esferas de governo. É a velha estória: uma andorinha só não faz verão.

O PAC federal deveria ter sido acompanhado por PACs estaduais. Perceba que eu não estou falando de coordenação entre os projetos, o que seria altamente desejável, mas sim de metodologias. Por exemplo, por que José Serra, um dos “mais brilhantes economistas do país” (palavras de Dilma Rousseff) não veio a público dizer quais são os planos para a economia paulista para os próximos anos?

A partir daí poderiam ser avaliadas as sinergias entre os projetos, otimizando a alocação de recursos, inclusive com a elaboração planos de investimentos privados mais sofisticados.

A impressão deixada entre os londrinos é que cada projeto apresentado é um fim em si mesmo, sem maiores repercussões no restante da economia. Ninguém esperava que os valores destinados ao PAC fossem muito maiores que os anunciados, tendo em vista as restrições orçamentárias do governo federal brasileiro, mas a alavancagem está muito baixa.

Isso não passou desapercebido pelo pessoal do Banco Central. O processo é semelhante ao que aconteceu no microcrédito, em que:

– O BC disse que ainda não tem condições de oferecer uma explicação definitiva para a preferência dos bancos de perder dinheiro, em vez de mergulhar no microcrédito. Mas arrisca um palpite: despreparo. “Talvez os bancos precisem de estruturas maiores para trabalhar nesta área”, afirmou o diretor do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. (clique aqui).

O que acaba acontecendo é que, de acordo com a mesma fonte, “da criação do microcrédito a dezembro de 2006, as instituições financeiras recusaram-se a emprestar 45% de tudo aquilo que estavam obrigadas. Em cifras, negaram R$ 782 milhões em crédito aos pobres, com quem poderiam ter lucrado cobrando juro de 27% a 60% ao ano. Em vez disso, acharam melhor mandar a bolada ao Banco Central (BC), onde o dinheiro descansa sem ganho para as instituições.”

Em resumo: os investidores vão deixar o dinheiro onde está enquanto não surgir oportunidade melhor. O Banco Central sabe disso e vai manter a política monetária para não despejar na economia mais recursos do que ela poderia absorver sem gerar inflação; se fizesse isso agora, com o PAC federal sozinho do jeito que está, iria surgir uma bolha que exigiria a elevação de juros logo em seguida.

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