Os riscos para o etanol

Enviado por: Ruben

Acho que a exportação direta do etanol seja o menor dos problemas. Há algo muitíssimo mais preocupante subjacente à euforia do etanol americano: pela primeira vez na história o preço do trigo para entrega na safra americana passou os US$ 4 o bushel. Nos próximos dias/semanas o mercado decidirá se irá prevalecer um novo patamar de preços agrícolas e de carnes, ou não. Para complicar as coisas, o clima não ajuda… Temo que milho a US$ 8 não é impensável. E com o preço do milho irá os preços da soja, do trigo, do arroz, do frango, do boi, etc, etc, etc… O choque nos países pobres vai ser grande, mas não bastasse isso, o nível de preços das exportações brasileiras vai disparar mais uma vez: se já é difícil manter o real vendido por mais de 2,15 dolares, vai ser difícil mantê-lo acima de 1,80! Os gênios do BC se colocaram numa sinuca de bico: “never underestimate predictability of stupidity!” Desesperador. Temos tudo para dar certo, mas tem gente que não quer: pelo amor de Deus, Lula, faça algo.

PS: acho que a Austrália é um bom exemplo de desenvolvimento numa nação exportadora de matéria bruta. É claro que há pré-condições importantes, em particular ter as instituições adequadas (coisa que Brasil nem de longe tem). De qualquer forma, se é para fazer, faça direito: austrália tem déficit em conta corrente desde sempre! Não acho que seja uma estratégia de desenvolvimento adequada para o Brasil, mas em si mesma, em abstrato, é potencialmente eficaz. África do Sul, por exemplo, está tentando replicá-la com relativo sucesso: o futuro dará seu parecer. Outra coisa é certa, a estratégia do Brasil, ou melhor, a total ausência dela, não nos levará a lugar algum: isso o presente já nos diz!

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