Os rumos da nanotecnologia

Coluna Econômica 05/04/2010

Trata-se de um dos ramos mais promissores da ciência: é a capacidade de trabalhar as menores partículas da matéria, ciência que se desenvolveu a partir do momento em que a IBM desenvolveu um microscópio potente a ponto de permitir enxergar um átomo.

Na quinta-feira passada, o programa Brasilianas.org foi sobre o tema.

Desde fins dos anos 90 o Brasil passou a desenvolver competência nessa área, através de grupos de pesquisas nas universidades e pequenas empresas de cunho tecnológico, que nasceram de iucubadoras acadêmicas.

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A nanotecnologia pode ter inúmeras aplicações.

A melhor explicação sobre as possibilidades da nanotecnologia está no exemplo prosaico do pó de café. Do grão não se faz café. É necessário torrar e moer. Quando mais moído for o grão, maio a quantidade de café que produzirá. A nanotecnologia pode tornar menores ainda os grãos do pó de café.

No caso da dor-de-cabeça, leva determinado tempo até que a aspirina ingerida chegue ao cérebro amenizando a dor. Com a nanotecnologia, será possível fabricar aspirinas capazes de acabar com a dor-de-cabeça em segundos.

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O campo de aplicações passa pela indústria automobilística, permitindo desenvolver vidros que peguem menos poeira. Ou ainda na indústria petrolífera, permitindo desenvolver novos materiais, finíssimos e resistentes, capazes de entrar na fabricação de tubos para prospecção de águas profundas.

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O Brasil está apto a entrar nesse jogo. O pré-sal fez com que a Petrobras decidisse por uma fábrica de tubos de nanotecnologia, que está sendo disputa pelo Rio e por Minas Gerais. Ambos têm a ofecer a excelência de suas instituições acadêmicas: o Coppe, pelo Rio, o Departamento de Física da Universidade Federal de Minas Gerais.

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Mesmo assim, há muito a caminhar nessa área.

A maior das empresas que surgiu no setor – todas pequenas – dependem fundamentalmente de subvenção econômica – isto é, financiamento do governo a fundo perdido. Faz parte do apoio para empresas nascentes.

Mas há que se chegar a modelos auto-sustentáveis.

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Um dos caminhos dessas empresas é desenvolver trabalhos em parcerias com grandes empresas clientes. Por exemplo, grandes redes de supermercado desenvolvendo um tipo de pão com ingredientes especiais para a saúde.

Mas ainda há muitas imperfeições no direcionamento das verbas e financiamentos. Também nessa área, o MCT e o sistema de financiamento à pesquisa esbarram em um velho dilema: ou financiar centros de excelência ou distribuir as verbas equitativamente entre os estados.

Com isso, muito recurso precioso acaba indo para centros sem qualificação, se perdendo na falta de objetivos e de condições de pesquisa.

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Há um certo direcionamento das verbas para projetos considerados prioritários – e previstos no plano industrial brasileiro. Mas ainda existem poucas empresas de capital de risco dispostas a bancar as novas empresas de nanotecnologia. Mesmo porque a maioria é proveniente da Universidade, que forma bons cientistas mas com pouca experiência de mercado.

De qualquer forma, o principal – pesquisadores – o Brasil já dispõe.

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