Painel internacional

Líderes sul-americanos discutem relação Colômbia-Venezuela

Uma reunião de emergência dos líderes sul-americanos foi marcada nesta quinta-feira em Quito, Equador, para evitar uma disputa azeda que começou quando o presidente colombiano, Alvaro Uribe, acusou o seu homólogo venezuelano, Hugo Chávez, de apoiar a guerrilha colombiana Farc. As acusações levaram Chávez a romper relações com a Colômbia e acusar o vizinho de se preparar para invadir o seu país rico em petróleo. Em um discurso no domingo, ele acusou a administração Obama de estar por trás das maquinações e disse que iria suspender imediatamente as exportações de petróleo para os Estados Unidos, “mesmo que tenhamos de comer pedras por aqui”.

Analistas políticos familiarizados com a rixa de longa data entre os dois países se perguntam sobre o calendário das acusações de Uribe. Seu governo tem divulgado desde 2008 restos de documentos apreendidos dos rebeldes que demonstram a estreita relação entre as Farc e Chávez, que muitas vezes elogiou publicamente a guerrilha. Mas a poucos dias de deixar a presidência o governo Uribe foi além, liberando vídeos e fotografias na semana passada, que os diplomatas colombianos disseram revelar atividade rebelde dentro da Venezuela. Esse país negou as acusações e disse que o real motivo de Uribe era sabotar qualquer chance de aproximação com o novo presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Por enquanto, os líderes latino-americanos estão simplesmente procurando diminuir o volume de uma guerra de palavras cada vez mais desagradável. “A posição do Brasil é esfriar a crise até que o novo governo assuma”, disse aos repórteres na quarta-feira Marco Aurélio Garcia, assessor de política externa da Presidência do Brasil.
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E mais:
Catalunha bane tourada, mas luta não acaba
China pede mudança na política dos EUA para evitar atritos
Enfrentamento no Arizona
Telefónica se torna uma gigante no Brasil

Catalunha bane tourada, mas luta não acaba

Foi uma longa jornada, mas na quarta-feira a Catalunha deu um passo histórico. Com 68 votos a favor e 55 contra, o Parlamento da Catalunha aprovou uma medida que torna a tourada ilegal em toda a região. A votação – que fará da Catalunha a primeira região da Espanha continental a proibir a tradição ainda referida como “festa nacional” – foi o resultado de uma iniciativa popular, lançado por uma associação denominada Prou! (Catalão o Suficiente!) e aceito pela primeira vez no Parlamento em novembro de 2008. Além da proibição do esporte secular (ou arte, dependendo da sua perspectiva), está prevista a indenização desses negociantes – empresários da praça de touros e costureiras que se especializam em capas – cujo bem-estar financeiro sofrerá com a proibição.

“Há muita satisfação, muita euforia aqui”, diz o porta-voz do Prou!, Eric Gallego, que estava no parlamento para a votação. “Antes, os touros eram sempre uma exceção às leis de proteção animal da Catalunha. Finalmente eles estarão protegidos por elas”. Embora dois dos principais partidos políticos tenham permitido que seus membros votassem com suas consciências e não em bloco, como costumam fazer, a decisão dividiu a maioria dos partidos. Ambos os de centro-direita, o Partido Popular (PP) e os Socialistas Catalães, em grande parte se opuseram à medida, enquanto os partidos pró-autonomia Convergence I Unio, a esquerda e os Verdes catalães, todos a apoiaram. Essa divisão tem alimentado a especulação de que a proibição foi alimentada por uma agenda nacionalista.

O jornal de Barcelona El Periódico observou que o número de votos da oposição tinha caído desde a última votação preliminar sobre a proibição, que se realizou no Parlamento em dezembro, enquanto o componente nacionalista tinha crescido, “especialmente depois que o Tribunal Constitucional [da Espanha] votou contra o Estatut” – o estatuto que prevê a definição da Catalunha como nação foi julgado inconstitucional pela corte em junho.
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China pede mudança na política dos EUA para evitar atritos

Os Estados Unidos deveriam alterar sua política para reconhecer o papel da China como importante ator na cena mundial se quiser evitar atritos e instabilidade, disse um grande jornal estatal na quinta-feira. O comentário do porta-voz do Partido Comunista ao Diário do Povo se seguiu à última discussão nas relações sino-americanas sobre o que a China vê como uma interferência indevida dos EUA em uma disputa territorial no Mar da China Meridional. Apesar de altos funcionários, incluindo o presidente dos EUA, Barack Obama, dizerem que saúdam uma China próspera e florescente, as boas palavras devem ser apoiadas por ações, disse o jornal.

“Se os Estados Unidos não puderem encontrar uma forma de reconhecer e aceitar a entrada da China no cenário mundial como um grande jogador, as relações serão de altos e baixos, como uma montanha-russa”, disse. “Esta instabilidade nas relações terá um efeito negativo não só nos laços bilaterais mas no mundo, e isso não é algo que alguém queira ver”. Obama começou bem, disse, com a sua visita à China no ano passado, mas os argumentos sobre a venda de armas a Taiwan pelos EUA, o Google e o valor da moeda chinesa mostraram que nada realmente mudou nos Estados Unidos.

“Sobre a questão de como coexistir com uma China que se desenvolve rapidamente, Washington não tem, de fato, pensado nas coisas através de uma forma calma”. Foi um erro pensar, como alguns especialistas nos Estados Unidos acreditam, que a China será flexível em certas questões enquanto se aprofundam as relações entre o dois lados, disse o comentarista, sugerindo que mais discórdia está por vir.
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Enfrentamento no Arizona

Editorial
A juíza federal que se pronunciou sobre a trágica e nociva nova lei de imigração do Arizona na quarta-feira não impediu de todo sua entrada em vigor na quinta-feira, mas impediu preliminarmente o pior. E, embora as apelações sejam certas, a juíza Susan Bolton ofereceu argumentos claros e bem fundamentados afirmando que o governo federal é a autoridade final sobre a fiscalização da imigração. Esperamos que este seja o começo do fim do regime ilegítimo do Arizona e o que ele representa. A juíza Bolton explicou os pontos básicos para aqueles que apóiam a lei do Arizona ignoraram ou esqueceram:

– Um Estado não pode obrigar seus policiais a exigirem documentos de pessoas abordadas e suspeitar que sejam imigrantes ilegais. Como escreveu a juíza, a lei coloca uma “carga inaceitável a estrangeiros legalmente presentes”.
– O Arizona não pode exigir que todas as pessoas presas tenham seu status de imigração verificado, ou que as pessoas sejam detidas até que provem estar aqui legalmente.
– O Arizona não pode criminalizar no Estado os imigrantes que não portem documentos a toda hora, ou imigrantes em situação irregular que procuram trabalho.
– Não se pode dar a agentes o poder de fazer prisões sem mandado de qualquer um que acreditem ter cometido um crime que os torna deportáveis. A deportação é uma questão a ser decidida por um juiz no tribunal, escreveu a juíza Bolton, não por um estado policial ou um vice-xerife durante uma batida de trânsito .
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Telefónica se torna uma gigante no Brasil

A Telefónica já tem o que queria: ser líder no Brasil, o mercado de telecomunicações com maior projeção no continente americano. Foram três meses de duras negociações, um quase incidente diplomático e 7,5 bilhões de euros, depois de melhorar sua oferta inicial em até três vezes. Mas a primeira multinacional espanhola acredita que o esforço valeu a pena. A Vivo, líder em telefonia móvel no Brasil, está finalmente em suas mãos. Uma vez que se fundir com a Telesp, a operadora de telefonia fixa e Internet que já tem, irá controlar um terço do negócio das telecomunicações no Brasil, que se tornará o segundo maior mercado para a Telefonica depois da Espanha, com 69 milhões de clientes e 12 bilhões de euros em receita anual.

Não foi fácil. A empresa, liderada por César Alierta, teve que brincar de gato e rato com os então parceiros portugueses ameaçando tomar medidas legais, mas sem destruir, em momento algum, as pontes de negociação. Agora, rompe os laços com a Portugal Telecom (PT): se desvincula de seu capital, onde chegou a possuir 10% e agora reduzido a 2%, e dissolve a Brasilcel, a joint venture que detinha 60% das ações da Vivo. Os conselhos de ambas as companhias selaram ontem (quarta-feira) o acordo alcançado na terça-feira à noite. A Telefonica vai pagar 7,5 bilhões de euros por 50% da Brasilcel. (O pagamento) Será feito em três parcelas: 4,5 bilhões de euros quando do fechamento da transação (o que é esperado nos próximos dois meses), 1 bilhão de euros em 30 de dezembro e 2 bilhões de euros em 31 de outubro de 2011.
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