Painel internacional

Fed se reunirá de olho na deflação

O Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) se reunirá na terça-feira enfrentando uma decisão crucial sobre se abandona sua presunção de que a economia está gradualmente ganhando força, e começa a considerar novas medidas para manter a recuperação fora de crepitações. Uma seqüência de acontecimentos, incluindo o fraco relatório de emprego na última sexta-feira, alterou o sentimento dentro do banco central levando os formuladores políticos do Fed a pararem de se preocupar, momentaneamente, com a perspectiva cada vez mais remota de inflação. Ao invés disso, estão cada vez mais focados no potencial da economia em deslizar para uma espiral deflacionária de diminuição da procura, preços e salários.

Economistas, incluindo ex-funcionários do Fed, dizem que o comitê de política de taxa de juro do banco central vai, provavelmente, ao menos reconhecer o abrandamento da recuperação e discutir medidas de como reinvestir os lucros da sua enorme carteira de títulos hipotecários, que poderiam ajudar a economia mantendo mais dinheiro em circulação. A perspectiva de deflação tem sido levada a sério pelo Fed desde 2003, e a partir de 2008 os mercados observam estritamente a crise financeira para obter orientações. Com o Congresso indisposto a embarcar em novos gastos substanciais de estímulo, o Fed tem as únicas ferramentas que podem ser utilizadas rapidamente e a qualquer tempo, em resposta aos sinais de alerta econômico.

O presidente do Fed, Ben S. Bernanke, e outros funcionários acreditam que o Fed, tendo baixado as taxas de juro até perto de zero em 2008, ainda tem capacidade para evitar a deflação. Mas também estão preocupados de que qualquer nova dose de medicamento monetário poderia exercer efeitos colaterais indesejados, tornando mais difícil normalizar a política no futuro.
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Recuperação da Europa: luz no fim do túnel?
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EUA e Vietnã fazem atividades navais conjuntas

RecupeRecuperação da Europa: luz no fim do túnel?

Apenas três meses atrás, a zona do euro parecia à beira da implosão – os mercados martelavam a região sobre o endividamento (dos países), e os comentaristas econômicos discutiram qual país da zona do euro iria primeiro à falência. Mas enquanto os europeus se desviavam para suas férias de agosto, saíam com uma bem-vinda sensação de alívio e otimismo sobre a situação econômica do continente.

Na semana passada, o Banco Central Europeu manteve as taxas de juro em baixa recorde e disse que a economia no terceiro trimestre estava parecendo melhor que o esperado, ao passo em que a demanda crescente por produtos industriais, otimismo global e diminuição do desemprego alemão impulsionou o humor geral. Na poderosa zona do euro, as encomendas industriais da Alemanha subiram 3,2% em junho, mais que o dobro da taxa esperada pelos analistas.

No mês passado, o indicador de sentimento econômico – que mede a confiança da zona do euro nas perspectivas econômicas – subiu para o mais alto nível em dois anos. Enquanto isso, os custos de seguro contra países insolventes estão em baixa há dois meses, os spreads dos títulos estão apertados e o custo dos empréstimos para os governos está caindo.
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Onde está a prova de que os bancos não estão emprestando?

Massacrar bancos continua sendo, até agora, um bom esporte. Para os políticos, a indústria bancária é o presente que caiu do céu: fáceis de atacar quando os empréstimos imprudentes quase derrubaram o sistema financeiro, e ainda alvos fáceis agora que são acusados de não emprestar o suficiente, no momento em que retornaram aos lucros saudáveis. Mesmo assim, é um importante princípio da política pública que aquele que está no poder deveria basear seus pronunciamentos públicos em provas e não em boatos. Essa cortesia deveria ser estendida aos bancos.

A mais recente polêmica sobre empréstimos bancários para pequenas empresas foi lançado pelo presidente do Banco da Inglaterra (banco central, BOE na sigla em inglês), Mervyn King, ao comparecer perante o Comitê Restrito do Tesouro da Câmara dos Comuns duas semanas atrás, quando se referiu ao tratamento dos bancos do Reino Unido aos seus clientes como “devastador.” Quando o chefe do banco central usa uma linguagem tão emotiva para descrever um assunto tão sensível politicamente, o resto de nós tem o direito de acreditar que foi baseada em uma análise profunda.

Após os comentários de King, o chanceler do Tesouro (ministro das Finanças), George Osborne, foi praticamente obrigado a intervir com o seu próprio ataque sobre as práticas de empréstimos bancários, o que inevitavelmente ofuscou os resultados encorajadores do setor na semana passada. Então, que prova King tem para sustentar seu pesado ataque? Os principais banqueiros disseram ter pleiteado ao BOE exemplos concretos de empresas solventes que tiveram financiamento recusado, mas até agora não ouviram nada. O BOE mesmo não realizou nenhuma análise detalhada das condições de empréstimo a pequenas empresas.

Empurrado para o assunto, sua equipe pode apontar apenas para um gráfico do departamento de Negócios, Inovação e Capacidades, que na verdade mostra que os empréstimos a pequenas empresas estão aumentando – e o levantamento das condições de crédito próprio, cuja série de dados sobre os empréstimos a pequenas empresas só recuou no quarto trimestre de ano passado, porém mostra também a melhoria das condições de empréstimo.
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Japão pede desculpas à Coreia do Sul por governo colonial

O Japão pediu desculpas na terça-feira à Coreia do Sul por seu domínio colonial sobre o país, visando fortalecer os laços entre os dois países à frente do 100º aniversário da anexação japonesa da península coreana. Durante a ocupação japonesa entre 1910-45, muitos coreanos foram forçados a lutar como soldados na linha de frente, trabalhar em condições de escravidão ou servir como prostitutas em bordéis operados por militares. Antigos coreanos ainda se lembram das atrocidades cometidas pelo Japão, e a questão continua sensível décadas mais tarde.

“Por conta do enorme dano e sofrimento causado por esta colonização, gostaria de expressar mais uma vez o nosso profundo remorso e sinceras desculpas”, disse o primeiro-ministro Naoto Kan em declaração aprovada pelo Conselho de Ministros. A declaração se desculpa especificamente com a Coreia do Sul, em contraste com desculpas anteriores do Japão às ações de guerra feita em termos gerais aos vizinhos asiáticos do país. O Japão não tem relações diplomáticas com a comunista Coreia do Norte, que não teve uma resposta imediata à desculpa de Kan.

Seul aceitou o pedido de desculpas, embora o presidente Lee Myung -bak não planeje uma resposta oficial, disse o porta-voz presidencial Cho Hyun -jin. “Esperamos que, através do reconhecimento adequado e reflexão de uma infeliz história, estreitas relações bilaterais possam se desenvolver em parceria para o futuro”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores sul-coreano, Kim Young-sun, em comunicado.
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EUA e Vietnã fazem atividades navais conjuntas

Os EUA e o Vietnã estão realizando exercícios navais conjuntos no Mar da China Meridional, um sinal dos crescentes laços militares entre os dois antigos inimigos. As atividades da semana concentram-se principalmente em exercícios sem combate e fazem parte do 15º aniversário das relações diplomáticas entre Washington e Hanói. Mas correspondentes dizem que (as manobras) podem irritar a China, que se envolveu em uma disputa com o Vietnã sobre as ilhas da região. As tensões sobre os territórios no Mar do Sul da China aumentaram recentemente.

Os EUA descreveram os exercícios como uma “série de atividades de combate naval” que se concentram principalmente no controle de danos e busca e salvamento. A Marinha dos EUA hospedou no domingo militares vietnamitas e funcionários do governo no USS George Washington, que faz o caminho de volta para exercícios navais com a Coréia do Sul no Mar do Japão. O grupo de ataque com três destróieres também está no Mar da China Meridional, enquanto o USS John S. McCain é esperado no porto vietnamita de Danang mais tarde, na terça-feira.

A correspondente Nga Pham, do serviço vietnamita da BBC, disse que o treinamento mostra um aquecimento notável da relação entre os EUA e o Vietnã. Também revela a determinação de Washington em defender a livre navegação na zona contestada por um certo número de países do sudeste asiático e China, acrescentou a correspondente.
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