Pesquisa Mensal de Comércio, Em junho, vendas do varejo crescem 1%. Receita nominal sobe 0,5%

11 de agosto de 2010(http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1686&id_pagina=1)

 

 

O comércio varejista do país manteve-se com resultado positivo no mês junho de 2010, apresentando taxas de 1% no volume de vendas e de 0,5% na receita nominal, ambas as variações com relação ao mês anterior ajustadas sazonalmente.

O resultado completa dois meses consecutivos de crescimento no volume de vendas após a forte queda do mês de abril. Para a receita nominal de vendas, é o sexto mês consecutivo de taxas positivas, como aponta a evolução dos indicadores de base fixa.

Nas demais comparações, obtidas das séries originais sem ajuste sazonal, o varejo nacional obteve, em termos de volume de vendas, acréscimos da ordem de 11,3% sobre junho do ano anterior e de 11,5% e 9,3% nos acumulados dos seis primeiros meses do ano e dos últimos 12 meses, respectivamente. Para os mesmos indicadores, a receita nominal de vendas apresentou taxas de variação de 14%, 14,7% e de 12,4%, respectivamente.

Volume de vendas cresce em cinco das dez atividades pesquisadas

Para o volume de vendas com ajuste sazonal, observa-se que cinco das dez atividades pesquisadas obtiveram variações positivas: Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (5,4%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (5,2%); Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,5%); Tecidos, vestuário e calçados (1%); Móveis e eletrodomésticos (0,6%);  

Veículos e motos, partes e peças (-0,6%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,9%); Combustíveis e lubrificantes (-1,2%); Livros, jornais, revistas e papelaria (-2,3%) e Material de construção (-3,1%).

Na comparação com junho de 2009, na série sem ajuste sazonal, todas as oito atividades do varejo obtiveram aumento no volume de vendas, com as seguintes taxas por ordem de importância no resultado global: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (11,9%); Móveis e eletrodomésticos (17%); Outros artigos de uso pessoal e doméstico (9,4%); Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (10,3%); Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação (23,2%); Combustíveis e lubrificantes (5,6%); Tecidos, vestuário e calçados (4,3%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (4,7%).

O segmento de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com variação de 11,9% no volume de vendas em junho sobre igual mês do ano anterior, é o principal responsável pelo crescimento da taxa do varejo (50%). Esse resultado, acima da média, se justifica ainda pelo aumento do poder de compra da população decorrente do crescimento da massa de rendimento real habitual dos ocupados (7,8% sobre junho de 2009, segundo a PME), bem como pelo comportamento dos preços no setor que evoluíram, no acumulado dos últimos 12 meses, em 3,5% no Grupo Alimentação no Domicilio, abaixo da inflação global medida pelo IPCA (4,8%). Em termos de acumulados no semestre e nos últimos 12 meses, o segmento apresenta crescimento de 10,4% e 10,1%, respectivamente.

A atividade de Móveis e eletrodomésticos, com alta de 17% no volume de vendas em relação a junho do ano passado, foi responsável pela segunda maior contribuição (23%) da taxa global do varejo. Esse resultado deve ser atribuído ainda às vendas relacionadas ao evento da Copa do Mundo, aliado a ampla oferta de crédito. No acumulado do semestre e dos últimos 12 meses as variações foram de 20,6% e 12,8%, respectivamente.

A atividade de Outros artigos de uso pessoal e doméstico, que engloba segmentos como lojas de departamentos, ótica, joalheria, artigos esportivos, brinquedos etc., exerceu o terceiro maior impacto na formação da taxa do varejo, com variação de 9,4% no volume de vendas em relação a junho de 2009. Esse resultado mostra que a atividade continua sendo influenciada, em boa medida, pela evolução da massa de salários, que teve aumento substancial nos últimos 12 meses. Em termos acumulados, a taxa para o primeiro semestre do ano foi da ordem de 6,1% e para os últimos 12 meses, de 6,8%.

A atividade de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com a quarta maior participação na taxa global do varejo, apresentou crescimento de 10,3% na comparação com junho do ano passado, e taxas acumuladas de 12,2% no semestre e de 12% para os últimos 12 meses. A expansão da massa de salários e crédito, somada ao caráter de uso essencial de seus produtos, são os principais fatores explicativos do desempenho positivo do segmento.

O segmento de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, responsável pelo quinto maior impacto na formação da taxa global, obteve acréscimo no volume de vendas, em junho, da ordem de 23,2% sobre igual mês do ano anterior e taxas acumuladas no semestre de 25,8% e nos últimos 12 meses de 15,3%. Trata-se da atividade com o maior patamar de crescimento este mês. Dentre os fatores que vêm determinando este desempenho, destaca-se a redução de preços de produtos do gênero (o item Microcomputadores revê redução de -7,8% nos últimos 12 meses segundo o IPCA, por exemplo), conjugada com facilidades de financiamento e a crescente importância que os produtos de informática e comunicação vêm tendo nos hábitos de consumo das famílias.

A sexta maior contribuição para o resultado do varejo coube ao segmento de Combustíveis e lubrificantes, com 5,6% de variação do volume de vendas em relação a junho de 2009. Em termos de desempenho acumulado no semestre, a taxa de variação chegou aos 5,5%, e nos últimos 12 meses a 2,5%. Atribui-se o comportamento, abaixo da média, aos aumentos que ocorreram no preço do álcool combustível no final do ano passado e início do corrente, embora tenha se registrado quedas acentuadas nos últimos meses. Nos últimos 12 meses, o subitem registrou alta de 6,6% contra uma inflação média de 4,8%, segundo o IPCA.

O segmento de Tecidos, vestuário e calçados, que apresentou variação no volume de vendas em 4,3% com relação a igual mês do ano anterior, foi responsável pela sétima maior contribuição à taxa global do varejo. Este resultado consolida a recuperação do setor com o nono mês consecutivo de variação positiva, mesmo tendo um comportamento crescente dos preços (variação de 6% no grupo Vestuário, comparado com o índice geral de 4,8%, segundo o IPCA), ao longo dos últimos 12 meses. Em termos acumulados, os resultados foram de 10,1% para o primeiro semestre do ano e de 4,9% para os últimos 12 meses.

A atividade de Livros, jornais, revistas e papelaria, com crescimento de 4,7%, exerceu o oitavo maior impacto no resultado do varejo. O volume de vendas acumulado no semestre obteve variação de 8,1% e para os últimos 12 meses de 9,3%. Estes resultados podem ser explicados pelo comportamento positivo da massa salarial, como visto anteriormente, bem como pela diversificação na linha de produtos comercializados, principalmente nas grandes redes de livrarias e papelarias.

O Comércio Varejista ampliado registrou estabilidade (0%) em relação ao mês anterior para o volume de vendas e crescimento de 0,8% para a receita nominal, ambas as taxas com ajustamento sazonal. Comparado com o mesmo mês do ano anterior sem ajuste sazonal, as variações foram de 3,4% para o volume de vendas e de 6,9% para a receita nominal. No acumulado do semestre e dos últimos 12 meses o setor apresentou taxas de variação de 11,8% e 10,6% para o volume e de 14,4% e 11,8% para a receita nominal de vendas, respectivamente.

No que se refere ao volume de vendas, a atividade de Veículos, motos, partes e peças registrou queda de -9,5% em relação a junho de 2009, acumulando no semestre e nos últimos doze meses variações de 11,6% e 14,1%, respectivamente. O término da política de redução do IPI tem influência nesse resultado.

Quanto a Material de Construção, as variações foram de 12,2% na relação com junho de do ano passado, de 16,1% no acumulado do semestre e de 5,1% nos últimos 12 meses. Tal desempenho resulta do quadro favorável da economia, somado às medidas oficiais de incentivo à construção civil.

Apenas o Piauí não registra alta na comparação com junho de 2009

Das vinte e sete Unidades da Federação, somente o Piauí apresentou resultado negativo na comparação com junho de 2009. As principais altas foram em Tocantins (51,1%), Rondônia (36,2%), Acre (26,4%), Roraima (23,8%), Mato Grosso do Sul (19,5%) e Paraíba (18,4%). Quanto à participação na composição da taxa do Comércio Varejista, destacaram-se São Paulo (11,7%), Rio de Janeiro (11%), Minas Gerais (12,5%), Rio Grande do Sul (8,1%), Paraná (10,3%) e Santa Catarina (10,6%).

Em relação ao varejo ampliado, as maiores taxas de desempenho no volume de vendas ocorreram em Tocantins (31,6%), Rondônia (23,4%), Acre (19,4%), Espírito Santo (15,5%) e Amapá (13,2%). Quanto ao impacto no resultado global do setor, os destaques foram Minas Gerais (10%), Rio Grande do Sul (7,9%), Paraná (6,8%), Espírito Santo (15,5%) e Santa Catarina (6,8%). Os resultados com ajuste sazonal para o volume de vendas apontam quinze estados com variações positivas na comparação com o mês anterior, destacando-se o Acre (6,7%), Roraima (6,1%), Tocantins (5,3%), Santa Catarina (2,9%), Rio de Janeiro (2,4%) e São Paulo (2,3%).

Análise trimestral

A variação de 10,2% no comércio varejista no segundo trimestre do ano de 2010, comparado com igual período de 2009, ficou abaixo da variação do primeiro trimestre do ano (12,8%), mas acima do último trimestre do ano anterior (8,9%). Comparando os dois primeiros trimestres de 2010, verificou-se alta somente para a atividade de Tecidos, vestuário e calçados (de 9,5% para 10,5%) e certa estabilidade para Combustíveis e lubrificantes (de 5,5% para 5,6%). As demais atividades apresentaram queda: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (de 12,4% para 8,5%), Móveis e eletrodomésticos (de 21,6% para 19,6%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (de 13,3% para 11,2%), Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (de 30% para 22,4%), Livros, jornais, revistas e papelaria (de 8,3% para 7,8%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (de 6,3% para 5,9%).

Em termos do comércio varejista ampliado, a taxa de variação do segundo trimestre, de 8,2%, ficou aquém da taxa do primeiro trimestre, que foi de 15,6%, influenciada pelos comportamentos das atividades descritas acima aliada ao resultado de Veículos, motos, partes e peças, que variou de 20,8% para 3,3%. A atividade de Material de construção teve acréscimo de sua variação, passando de 15% para 17,2%.

Resultados semestrais

O primeiro semestre do ano de 2010 apresentou um crescimento de 11,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Resultado este superior não só ao do segundo semestre de 2009, que alcançou 7,2%, como também de toda a série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio, principalmente a partir do ano de 2004, onde se passa a ter índices semestrais positivos. Cabe ressaltar que no primeiro semestre de 2009 a economia brasileira sofria a influência da chamada crise financeira internacional. Somente em meados do segundo semestre daquele ano que a economia começa a se estabilizar, com suas atividades se aproximando dos patamares do período pré-crise.

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