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PNUD: COVID-19 pode elevar o número de pessoas que vivem em extrema pobreza para mais de 1 bilhão até 2030

PNUD: COVID-19 pode elevar o número de pessoas que vivem em extrema pobreza para mais de 1 bilhão até 2030
Moradores de rua na Praça da Sé, em São Paulo, no dia 6 de dezembro de 2020 Foto | Jorge Araújo/Fotos Publicas

Graves efeitos de longo prazo da pandemia de COVID-19 podem empurrar mais 207 milhões de pessoas para a pobreza extrema no auge da atual trajetória da pandemia, elevando o total para mais de 1 bilhão até 2030, de acordo com estudo divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Mas essa não é uma conclusão inevitável: com um conjunto focado de investimentos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mais 146 milhões de pessoas poderiam ser retiradas da pobreza extrema em comparação com as tendências atuais da COVID-19.

estudo, parte de uma parceria de longa data entre o PNUD e o Pardee Center for International Futures da Universidade de Denver, avalia o impacto de diferentes cenários de recuperação da COVID-19 nos ODS, analisando os efeitos multidimensionais da pandemia na próxima década.

O cenário Linha de Base COVID, baseado nas taxas de mortalidade atuais e nas projeções de crescimento mais recentes do Fundo Monetário Internacional (FMI), prevê 44 milhões de pessoas a mais vivendo na pobreza extrema até 2030 em comparação com a trajetória de desenvolvimento em que o mundo estava antes da pandemia.

Em um cenário de Grandes Danos, em que a recuperação é prolongada, a COVID-19 provavelmente empurrará mais 207 milhões de pessoas para a pobreza extrema até 2030 e aumentará o número de mulheres na pobreza em 102 milhões adicionais em comparação com a Linha de Base, diz o relatório. O cenário de Grandes Danos prevê que 80% dos efeitos da crise econômica induzida pela COVID-19 persistirão no prazo de 10 anos devido à perda de produtividade, impedindo uma recuperação completa da trajetória de crescimento vista antes da pandemia.

No entanto, o estudo também aponta que um conjunto focado de investimentos em ODS durante a próxima década – voltados para programas de proteção social, bem-estar, governança, digitalização e uma economia verde – , poderia não apenas prevenir o aumento da pobreza extrema, mas na verdade exceder a trajetória de desenvolvimento mundial anterior à pandemia.

Esse ambicioso, porém viável cenário de Impulso dos ODS retiraria mais 146 milhões de pessoas da pobreza extrema, diminuiria a lacuna de gênero/pobreza e reduziria o número de mulheres na pobreza em 74 milhões, mesmo levando em consideração os impactos atuais da pandemia de COVID-19.

“Como esta nova pesquisa sobre a pobreza destaca, a pandemia de COVID-19 é um ponto de inflexão, e as escolhas que os líderes fizerem agora poderão levar o mundo em direções muito diferentes. Temos a oportunidade de investir em uma década de ação que não apenas ajude as pessoas a se recuperarem da COVID-19, mas que restabeleça o caminho do desenvolvimento das pessoas e do planeta em direção a um futuro mais justo, resiliente e verde ”, disse o administrador do PNUD, Achim Steiner.

As intervenções pelos ODS, como sugeridas pelo estudo, combinam mudanças comportamentais por meio de estímulos para governos e cidadãos, como melhores eficácia e eficiência na governança e mudanças nos padrões de consumo de alimentos, energia e água. As intervenções propostas também enfocam a colaboração global em mudança do clima, investimentos adicionais na recuperação da COVID-19 e a necessidade de melhor acesso à banda larga e de inovação tecnológica.

O estudo também conclui que os investimentos do Impulso dos ODS têm um potencial significativo para estimular o desenvolvimento humano em estados frágeis e afetados por conflitos, dado que a maioria dos 146 milhões de pessoas adicionais que seriam retiradas da pobreza vivem nesses locais, incluindo 40 milhões de mulheres e meninas.

Este é o primeiro lançamento de uma série de relatórios do PNUD sobre o impacto da COVID-19 nos ODS. Ele se concentra nas implicações da pandemia na pobreza, educação, saúde, nutrição e igualdade de gênero – áreas conhecidas também como metas do conjunto Pessoas da Agenda 2030. No início de 2021, as publicações subsequentes compartilharão novas percepções sobre o impacto em outras dimensões da Agenda 2030 – com foco nas metas relacionadas aos grupos Prosperidade, Paz e Planeta.

Para acessar a íntegra do estudo, em inglês, clique aqui.

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