Presença feminina no Mercado Financeiro está crescendo, mas está longe do ideal

Por Luana Nunes

A projeção atual do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que as mulheres já são mais de 105 milhões por todo o país. Elas são a maioria no país e têm cada dia mais marcado presença em diversas áreas, mostrando sua força e competência.

Pouco a pouco é possível encontrar mulheres ocupando altos cargos de liderança, se tornando donas do próprio negócio e até mesmo se destacando como grandes investidoras. O público feminino vem conquistando o Mercado Financeiro com louvor e a presença das mulheres é crescente.

Entre os fatores que podem ter contribuído para este crescimento estão a facilidade de acesso ao conhecimento específico e a busca por formas mais rentáveis para investir o dinheiro, tendo em vista o baixo desempenho de aplicações mais populares como a poupança.

Além disso, as mulheres estão se inserindo cada vez mais no mundo dos negócios e muitas delas almejam a independência financeira. Neste sentido, a Bolsa de Valores tem se mostrado um ambiente muito propício para o público feminino.

O Mercado Financeiro que ainda hoje é considerado por muitos um ambiente majoritariamente masculino, tem sido explorado também pelas mulheres. Um exemplo disso vem de dados da BM&F Bovespa destacam que houve um aumento expressivo da presença feminina na Bolsa de Valores do país. O número de mulheres inscritas cresceu mais de oito vezes entre 2002 e 2016.

As mulheres têm traços em seu perfil que contribuem para bons resultados nos investimentos. A paciência, o pé no chão e a maior quantidade de tempo de estudo fazem delas excelentes investidoras.

Como estou diretamente ligada a este mercado, posso afirmar que ter escolhido uma área de atuação tradicionalmente masculina não foi um caminho fácil. A princípio cheguei a pensar que os investidores não me dariam a credibilidade devida. Porém, não foi isso que aconteceu. Justamente por ser uma mulher inserida num meio dominado por homens, consegui conquistar a confiança deles.

Todavia, é preciso reconhecer que a baixa presença de mulheres no setor financeiro é preocupante. Segundo pesquisa intitulada “Women in Financial Services” e realizada pela empresa de consultoria estratégica Oliver Wyman, esse fato incide sobre diversos segmentos do mercado trabalho, mas é ainda mais profundo no setor financeiro.

De acordo com o estudo, mulheres que trabalham como executivas no Mercado Financeiro têm 20% a 30% mais chances de abandonar carreiras promissoras, especialmente após os 30 anos. Acredito que uma forma de evitar essa fuga de talentos seja abrir essas áreas de conhecimento para cada vez mais jovens mulheres se interessem pelo Mercado Financeiro.

Nesse sentido, vejo em outros países maior reconhecimento sobre o potencial feminino para as finanças. Nos Estados Unidos, há um grande exemplo: Janet Yellen. Como presidente do Federal Reserve, ela possui grande responsabilidade sobre a política fiscal norte-americana.

Assim sendo, já está provado que as mulheres possuem habilidade e competência para se tornarem grandes executivas e assumirem cargos de chefia. Mas, para que isso aconteça com mais frequência, é preciso que o mercado de trabalho seja mais aberto à presença feminina e que elas sejam constantemente incentivadas, para não abrirem mão de um futuro profissional promissor.

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