Próxima reunião do BCE pode trazer alívio, como também armadilhas para a economia

Jornal GGN – Dia 5 de junho poderá marcar os rumos da Europa de forma definitiva, principalmente os econômicos. Pelo menos, esta é a expectativa do mercado em relação à nova reunião do Banco Central Europeu (BCE), onde serão finalmente definidas novas taxas de juros, metas de inflação e, como se espera, uma flexibilização da política monetária nos países do bloco do euro – que ainda sofrem reflexos importantes das crises mundiais de 2007 a 2009.

Os rumos ainda estão indefinidos, mas as especulações não param. A cada nova declaração do presidente da autoridade monetária europeia, Mario Draghi, outras hipóteses sobre as possíveis decisões da cúpula na data vão se formando.
 
Não sem antes algumas pitadas de polêmica: em uma conferência de dois dias, quase uma prévia da aguardada reunião no BCE, o prêmio Nobel de Economia, Paul Krugman, criticou a meta de inflação de boa parte dos bancos centrais, de aproximadamente 2%.
 
 Krugman citou justamente a instituição que persegue a meta com força – o próprio BCE: para ele, a meta muito baixa pode dificultar para os países da zona do euro que estão em depressão fazerem os ajustes necessários. Com as taxas de juros próximas de zero, uma inflação em queda pressionaria os juros reais, dificultando medidas como cortes imediatos de salários no setor privado.

 
Também esta semana, a diretora do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, afirmou que as reformas bancárias são lentas devido ao lobby da indústria, o que ela classificou como um “buraco na arquitetura financeira”.
 
No entanto, recentemente o presidente do BCE, Mario Draghi, disse que a instituição tem os instrumentos necessários para cumprir seu mandato de estabilidade dos preços, cuja meta de inflação é de pouco menos de 2% e que estão todos cientes dos riscos de uma inflação baixa por período prolongado.
 
Inclusive, o próprio Draghi afirmou há menos de um mês que o conselho da instituição poderia tomar medidas para impulsionar a taxa anual de inflação, quando se reunir em junho. Também no início de maio,  a inflação na zona do euro subiu para 0,7% em abril, frente aos 0,5% em março, o que aparentemente diminuiria a pressão para que o BCE adote alguma medida. E não foi o que aconteceu. As falas dele nas últimas semanas, aliás, foram lidas como o sinal mais recente de que uma flexibilização de política monetária está próxima.
 
“Países que compõem o bloco, a grande maioria deles, ainda está deficitária. E adotar uma política expansionista para o momento é preocupante, pois isso pode aumentar a dívida dos países”, explica Otto Nagami, economista e professor de finanças internacionais do Insper. “Capacidade produtiva, os europeus têm. O que falta é a vontade de consumir, o que movimentaria a economia, aumentando a demanda. Mas não é o que vem acontecendo na região do euro”, completa.
 
Mas se adotar uma política fiscal que reduza a carga tributária e os gastos do governo seria algo arriscado, existe outra solução para Draghi? “Uma política monetária expansionista seria mais razoável, mas isso implicaria em reduzir ainda mais a taxa de juros. E se isso acontecer, aumenta a possibilidade da chamada “armadilha da liquidez”, ou seja, o governo perder a eficiência da política monetária no controle da economia”.  Para o especialista, a dúvida que fica é como controlar este excesso de euros no próprio bloco, no continente e, principalmente em outros mercados.
 
A expectativa finalmente poderá ser traduzida em ações na primeira semana de junho, quando o conselho do BCE e anuncia sua decisão de política monetária. A pressão em torno do encontro já estava alta desde que Draghi sugeriu que o conselho da instituição poderia tomar medidas adicionais de estímulo em junho.
 
“A inflação é justamente o termômetro que mede a distância entre desejo de consumir e a capacidade de produzir. No desequilíbrio, acontecem os reflexos, que podem levar a essas medidas de estímulo, que podem ser uma grande armadilha. Essa sinalização europeia de processo recessivo merece mais atenção do que as palavras quase semanais de Draghi”, finalizou.
 

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1 comentário

  1. O capitallismo de consumo

    O capitallismo de consumo (privatização) se esgota quando não há mais estrada, grande estatal ou usina a fazer, para dar em troca dos juros do capital. 

    A função dos juros é comer todo crescimento interno.

    É preciso que o país se reinvente como capitalista de exportação. Assim fez a Alemanha, Japão e China, não só afim de pagar as taxas de juros, mas acumulando reservas, e se tornando capitalista com o mercado expropriador.

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